TaguaCei — Permanecer mais um ano na escola pode estar associado a um menor risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência décadas depois. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que analisou os efeitos de uma reforma educacional no Reino Unido e identificou uma redução nos diagnósticos dessas doenças entre as pessoas beneficiadas pela mudança.
A pesquisa também apontou que a escolaridade pode atenuar a influência da predisposição genética para o desenvolvimento de demências. Os efeitos foram observados ao longo de até 50 anos após a alteração das regras educacionais, reforçando a importância de investigar como fatores sociais e oportunidades de aprendizagem influenciam a saúde ao longo da vida.
Reforma educacional permitiu comparar gerações
Os pesquisadores analisaram uma reforma implementada em 1972 na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia. A mudança elevou de 15 para 16 anos a idade mínima para deixar a escola, ampliando o período obrigatório de escolarização.
A medida alcançou estudantes nascidos a partir de 1º de setembro de 1957. Após a implementação da reforma, a proporção de jovens que permaneceram na escola até os 16 anos aumentou 14%.
Para avaliar os possíveis efeitos sobre a saúde, a equipe examinou dados de mais de 100 mil participantes do UK Biobank, banco de informações sobre saúde e genética do Reino Unido. Os casos de Alzheimer e outras demências foram identificados por meio de históricos médicos, registros hospitalares e informações sobre mortalidade.
Escolaridade pode influenciar o risco de demência
A comparação entre os grupos revelou menor incidência de demência entre as pessoas alcançadas pela reforma educacional. Os resultados também indicaram uma redução na associação entre predisposição genética e desenvolvimento das doenças.
Uma das hipóteses estudadas nesse campo é a da reserva cognitiva, segundo a qual experiências intelectuais e educacionais podem ajudar o cérebro a lidar melhor com alterações associadas ao envelhecimento. Entretanto, os resultados não significam que a escolaridade, isoladamente, impeça o aparecimento do Alzheimer.
A pesquisa reforça a importância de investigar fatores sociais que podem influenciar a saúde cerebral durante décadas. O acesso à educação, nesse contexto, pode representar um elemento relevante na prevenção de riscos ao longo da vida.
Resultados não garantem proteção individual
Embora os resultados sejam promissores, é importante distinguir uma redução de risco observada em grupos de pessoas de uma garantia de proteção individual. A demência é uma condição complexa, influenciada por diferentes fatores genéticos, sociais e relacionados à saúde.
O estudo indica que políticas educacionais podem produzir efeitos que vão além da formação acadêmica, mas não permite afirmar que cada ano adicional de estudo reduzirá necessariamente o risco de demência de uma pessoa específica.
Fonte: Metrópoles



