Na véspera, dólar fechou estável (variação nula), cotado a R$ 5,206. Ibovespa subiu 1,52%, aos 184.691,05 pontos, novo recorde de fechamento
O dólar operava em baixa, nesta quinta-feira (29/1), o dia seguinte à chamada “superquarta” – quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam a taxa básica de juros da economia dos dois países.
Em ambos os casos, não houve surpresas. Tanto o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) quanto o Banco Central (BC) brasileiro mantiveram os juros nos patamares atuais. No Brasil, a taxa Selic segue em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas.
O comunicado do Copom, no entanto, foi claro ao projetar o início do ciclo de cortes a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março. O teor do texto animou o mercado, apesar dos indicativos de preocupação ainda com a pressão inflacionária e a questão fiscal.Play Video
Ainda nesta quinta-feira, os investidores repercutem a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao Metrópoles, e a divulgação dos dados de emprego de dezembro do ano passado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Dólar
- Às 9h19, a moeda norte-americana recuava 0,22% e era negociada a R$ 5,195.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,203. A mínima é de R$ 5,179.
- Na véspera, o dólar fechou estável (variação nula), cotado a R$ 5,206.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula queda de 5,16% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 1,52%, aos 184.691,05 pontos, sua nova máxima histórica de fechamento.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 14,43% neste ano.
Mercado espera corte de juros em março
Apesar de ter mantido a taxa básica de juros da economia brasileira no patamar de 15% ao ano, o Copom projetou, no comunicado que acompanhou a decisão, a redução da Selic a partir da próxima reunião do colegiado, em março deste ano.
No comunicado divulgado pelo Copom ao anunciar a decisão de manter a Selic em 15% ao ano, o colegiado praticamente antecipa que deve iniciar o ciclo de corte de juros a partir de março, o que confirmaria a expectativa da maioria dos analistas do mercado financeiro.
“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, diz o Copom.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, afirma o documento do BC.
De acordo com economistas ouvidos pela reportagem do Metrópoles, o Copom se mostrou mais “explícito” e seguro para iniciar o ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, a partir da reunião de março deste ano.
Segundo Rafaela Vitória, economista chefe do Banco Inter, “o Copom deixa claro o objetivo de iniciar o ciclo de cortes a partir de março, mas em tom ainda de cautela, mantendo a flexibilidade para definir o ritmo e sem se comprometer com a magnitude total”.
“Mesmo com o cenário mais benigno para a inflação, a projeção do BC para o IPCA se manteve em 3,2% para o horizonte relevante da política monetária. No entanto, com o cenário mais claro de redução da inflação corrente e também com revisões nas expectativas do mercado, o Copom avalia que há espaço para o início da flexibilização. Mantemos nossa expectativa de início dos cortes na Selic em 0,50 ponto percentual a partir de março, com o cenário de desinflação se consolidando, câmbio mais favorável e atividade em ritmo menor de crescimento”, avalia Vitória.
Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, segue a mesma direção. “A manutenção do balanço de riscos e a preocupação com as medidas de inflação cheia e medidas subjacentes ainda presentes, indicam, por ora, um ciclo não muito profundo, mas uma calibragem de dosagem de juros reais correntes que veio subindo nos últimos trimestres por conta de uma trajetória de inflação mais benigna que o anteriormente projetado”, explica.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “ao sinalizar maior confiança no processo desinflacionário, ainda que com cautela diante de expectativas desancoradas, a mensagem do Comitê foi a de que o ciclo de flexibilização está se aproximando”.
Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, o ponto de maior inflexão do comunicado do Copom foi “a retirada da diretriz que mencionava a exigência de uma política monetária significativamente contracionista por um período bastante prolongado”. “A exclusão desta frase, que vinha sendo um dos pilares das decisões anteriores, indica que o BC não vê mais a necessidade de manter o rigor atual de forma tão persistente”, observa.
“Confirmando o cenário esperado, o comitê antecipou que deve iniciar o processo de flexibilização da política monetária já na próxima reunião, em março. Esta foi a parte mais surpreendente do comunicado, superando a minha expectativa inicial de que o sinal para o início dos cortes não seria tão explícito. A mudança no tom sugere que o BC adquiriu maior confiança na efetividade da política monetária e na trajetória de redução da taxa neste momento”, avalia Camargo.
Segundo o economista, “o cenário desenhado pelo BC indica que a política monetária continuará restritiva para garantir a convergência das metas, mas em um patamar menos severo do que o observado nos últimos meses”.
Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, afirma que os olhos do mercado já “estavam voltados para a comunicação” do BC sobre os próximos passos e corrobora a avaliação de que o Copom foi mais explícito do que o mercado imaginava. “Já se esperava que o comunicado fosse abrir a porta para um possível corte de juros na próxima reunião. E ele foi até um pouquinho mais explícito ao não só abrir essa porta, mas deixar claro que o Copom antevê isso, confirmando o cenário esperado. Ou seja, o cenário-base do Copom atualmente é um corte de juros já em março”, aponta.
Na avaliação de Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord, ao antecipar a flexibilização da política monetária, “o BC oferece um forward guidance (orientação futura) claro, mas cuidadosamente condicionado, reforçando que o compromisso com a meta impõe cautela quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes”.
“A mensagem é de que o ciclo de aperto terminou, mas o ciclo de afrouxamento será conduzido com serenidade, dependente dos dados e da evolução do cenário fiscal, do câmbio e do ambiente externo”, ressalta Spyer.
Nos EUA, Fed interrompe série de cortes de juros
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed decidiu manter os juros básicos do país inalterados. Com isso, a taxa americana permanecerá no intervalo entre 3,5% e 3,75%, o menor nível desde setembro de 2022.
A decisão anunciada pelo Fomc já era amplamente esperada pelo mercado. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, as chances de permanência dos juros no atual patamar eram de 97,2% para a reunião desta quarta-feira, a primeira de 2026. No próximo encontro do Fomc, em 18 de março, a possibilidade de uma nova manutenção da taxa chega a 82,2%.
Com a decisão desta quarta, o Fed interrompeu uma série de três cortes seguidos dos juros, todos de 0,25 ponto percentual, iniciada em 17 de setembro de 2025. Antes disso, eles foram mantidos no intervalo entre 4% e 4,25% por um período de nove meses, com cinco reuniões seguidas do Fomc nas quais não houve alteração do valor.
Segundo Paula Zogbi estrategista-chefe da Nomad, o Fed “cumpriu o script precificado” ao não mexer na taxa de juros da economia norte-americana. “Mas os dois votos dissidentes expõem uma dificuldade de tomada de decisão entre a visão majoritária de ‘soft landing perpétuo’ e uma minoria preocupada com riscos inflacionários persistentes, em meio a dados mistos como desemprego em 4,1% e núcleo do PCE (inflação do consumo) acima de 2,6%, além das tensões políticas com Donald Trump”, analisa.
André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que o Fed “reconheceu que o mercado de trabalho perdeu dinamismo na geração de emprego, ao mesmo tempo em que a taxa de desemprego se estabilizou e a inflação continuou moderadamente elevada”. “Com os dados econômicos não apontando uma direção clara, o comitê optou por não fazer nada, até ter maior clareza”, explica.
“Foi mais uma reunião em que não houve consenso entre os membros votantes. Na reunião de hoje, dois membros votaram por um corte adicional de 25 pontos-base. Além de Steve Miran, que era membro do governo Trump e defende por um ciclo de cortes mais intenso, chama a atenção o voto de Chris Waller, que é um dos cotados para assumir a vaga de Jerome Powell (atual presidente do Fed) a partir de maio. Especulava-se que ele pudesse divergir nessa reunião justamente como uma sinalização ao governo Trump”, afirma Valério.
Para o economista, “o tom do comunicado veio em linha com uma mudança de decisão que era de cortar para uma de pausar”. “O comunicado omite os riscos de queda para o emprego, enquanto afirma que a atividade segue crescendo a um ritmo robusto e a inflação segue elevada. Tal linguagem é consistente com o que vimos nas divulgações recentes”, observa.
“Entretanto, mantida a tendência atual do mercado de trabalho, esperamos que o comitê volte a cortar na reunião de março, tendo em vista o baixo dinamismo na geração de emprego e uma estabilização da taxa de desemprego em patamar elevado. Para o restante do ano, a dinâmica da política monetária americana será altamente dependente em que será escolhido para substituir Powell”, completa.
Haddad fala ao Metrópoles
No cenário doméstico, o principal destaque do dia é a entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que anunciou que deixará o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em fevereiro.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, deve assumir o comando da pasta. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, é o mais cotado para assumir o cargo ocupado por Durigan atualmente.
As mudanças acontecem em decorrência da saída de Haddad para, de acordo com ele, se dedicar à campanha eleitoral de Lula pela reeleição, mesmo com a pressão de integrantes do PT para que ele forme uma chapa e seja candidato em São Paulo. Haddad já disse várias vezes que esse não é o seu desejo e a interlocutores afirma a sua vontade de se dedicar mais à leitura e a dar aulas.
A ideia é que Durigan dê andamento ao trabalho desenvolvido por Haddad no ministério, dando um recado claro ao mercado de que não haverá mudanças bruscas na condução da política fiscal. Interlocutores dizem que o nome pode até melhorar as expectativas do mercado sobre as metas fiscais.
Durigan é um nome que tem bom trânsito na Esplanada e já foi, por diversas vezes, defendido por Haddad. Além disso, o número 2 de Haddad é um nome que também tem boas relações com o mercado financeiro, podendo ser até mais bem recebido que o atual ministro.
A sucessão deve acontecer em meados de fevereiro, após visita de Lula e Haddad a Índia.
Nessa quarta-feira (28/1), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), defendeu que Haddad seja candidato por São Paulo nas eleições deste ano. De acordo com Gleisi, o campo progressista precisa “escalar seus melhores quadros” para enfrentar a extrema direita nos estados.
“Eu acho que, numa situação como essa, de enfrentamento grande, que está em risco um projeto de país e a nossa democracia, todos têm de entrar em campo, vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa eleitoral. Então, defendo que todos os nossos quadros, inclusive o ministro Haddad, sejam candidatos nesse processo”, declarou Gleisi.
“Precisamos escalar os nossos melhores quadros”, completou a ministra, durante café com jornalistas em Brasília.
Ministério do Trabalho divulga dados do Caged
Outro destaque da agenda econômica nacional nesta quinta-feira é a divulgação dos dados de emprego do Caged referentes a dezembro de 2025, pelo Ministério do Trabalho.
Em novembro, o Brasil criou 85.864 novas vagas de emprego formal – ou seja, com carteira assinada. Para dezembro, a expectativa dos analistas do mercado aponta para um saldo negativo de 478 mil vagas.
Com informações do Metrópoles
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