De acordo com pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a formação de novos engenheiros apresenta um deficit estimado de 75 mil profissionais
São Paulo — Em meio ao processo de transformações tecnológicas e regulatórias, o setor energético enfrenta desafios na mão de obra. De acordo com especialistas na área, faltam engenheiros dispostos a seguir carreira em empresas da área.
“Existe um gargalo de mão de obra no setor elétrico, que é a falta de profissionais mais técnicos e mais operacionais”, apontou Aldemir Drummond, diretor da Imagine Brasil e professor da Fundação Dom Cabral.
Segundo Dorel Ramos, professor de engenharia elétrica na Universidade de São Paulo (USP), 40% dos calouros dos cursos de engenharia não se formavam na área. “Muitos (alunos) saem no meio do curso para trabalhar no mercado financeiro ou com alguma outra coisa que nada tem a ver com engenharia”, comentou Dorel, explicando que, no curto prazo, uma atuação no mundo das finanças pode ser “mais atraente em termos salariais”. A área de engenharia, completou Aldemir, requer “muitos anos de experiência” para uma ascensão salarial.
Em média, o salário inicial de um engenheiro eletricista gira em torno de R$ 3 mil a R$ 6 mil por mês, de acordo com o site Glassdoor — aplicativo em que funcionários e ex-funcionários podem dar, anonimamente, informações sobre salários ofertados por empresas. Já os salários iniciais para cargos no mercado financeiro (como operadores de bancos, assets e corretoras de investimento) pode variar entre R$ 8 mil e R$ 9 mil mensais, mais acréscimos por desempenho profissional, segundo a mesma fonte.
Para Dorel, além das questões salariais e de crescimento de carreira, a desistência em concluir o curso de engenharia pode ocorrer também devido a uma certa “dificuldade” na área. “Há pessoas que têm dificuldade de completar um curso de engenharia. Tradicionalmente, a engenharia é um curso que exige uma dedicação maior”, ponderou o professor da USP.
A falta de engenheiros no mercado impacta diretamente áreas cruciais, como a expansão da infraestrutura e o avanço tecnológico. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), divulgada no primeiro trimestre deste ano, a formação de novos engenheiros apresenta um deficit estimado de 75 mil profissionais.
A lacuna revela os desafios estruturais e educacionais que limitam o ingresso e a permanência de jovens em cursos de engenharia. De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros anualmente, ao passo que países do Brics, como Rússia e China, formam mais de 450 mil engenheiros no mesmo período.
Qualificação
Em meio à demanda por engenheiros e sobretudo por profissionais qualificados para atuar no setor elétrico, a Câmara de Comercialização de Energia (CCEE) lançou este mês uma plataforma para auxiliar na qualificação de profissionais da área. Intitulada CCEE Academy, a plataforma promete ser um “hub de conhecimento”.
Na avaliação do presidente do Conselho de Administração da CCEE, Alexandre Ramos, a plataforma condensará todos os cursos e orientações voltados a profissionais de energia elétrica. “Trata-se da materialização de um trabalho que já realizamos há muitos anos. Essa experiência foi transformada em uma iniciativa com visão de futuro, que responde às novas demandas do setor e reforça o nosso importante papel como referência na formação de talentos, no fortalecimento do mercado e na geração de valor para toda a sociedade”, frisou o executivo.
A CCEE Academy oferece cursos de especialização em parceria com instituições como a USP, além de colaborações com a Fundação Dom Cabral e o Insper. Também são disponibilizados cursos especializados em gestão, liderança e com foco prático como treinamentos e programas de certificação para operadores de mercado de energia. Todos os cursos, de acordo com a CCEE, são aplicados à dinâmica do setor elétrico brasileiro, em aulas que representam uma porta de entrada para a formação profissional de alto desempenho.
*O repórter viajou a convite da CCEE
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Mais uma notícia falsa fomentada pena CNI que quer a todo custo aumentar a oferta para pagar salários abaixo do piso e ter mais técnicos desesperados por trabalho.
Essa escassez de engenheiros é uma falácia, conheço mais de quinze que se viram obrigados a trabalhar com outra coisa ou estão desempregados vivendo de pequenos serviços prestados de forma autônoma.
E querem mais de 75 mil formados em engenharia para que? Para enfiar no c*? Esse golpe da falta de engenheiro tá mais velho que o golpe do bilhete premiado.