‘Não adianta a gente ganhar o governo e não ter deputado distrital. Nós temos que ampliar nossa bancada’, lembra Leandro Grass, pré-candidato do PT ao GDF

Em evento realizado na manhã do último sábado (27), na residência do diretor-geral do TaguaCei, Jeová Rodrigues, o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, disse que, se eleito, seu governo buscará corrigir falhas que hoje prejudicam e impedem a construção de políticas públicas que visem à melhoria da qualidade de vida da população.

Segundo Grass, para isso, será preciso, junto com uma possível vitória para o GDF, que haja também a ampliação das bancadas de deputados distritais e federais que tenham um posicionamento dentro do campo político de esquerda e progressista.

“Não adianta a gente ganhar o governo e não ter deputado distrital. Nós temos que ampliar nossa bancada. Temos que fazer o Ricardo [Vale] ter uma votação expressiva, fazer os nossos distritais também crescerem muito em votos, para que a gente tenha uma grande bancada na Câmara Legislativa”, diz.

De acordo com o pré-candidato, são 24 deputados distritais e, como Brasília não tem vereadores, o deputado distrital é praticamente um superdeputado, porque legisla e fiscaliza sobre tudo: desde limpeza urbana e resíduos sólidos até segurança pública, saúde, educação e mobilidade. Conforme lembra Grass, que já foi deputado distrital, tudo passa pela Câmara Legislativa.

“Vamos pegar um GDF quebrado. Aquilo de que sempre nos acusaram, dizendo que tinha sido a gente quem fez, foram eles que fizeram. Quebraram o governo. Então, vamos assumir um governo com uma dívida de pelo menos R$ 5 bilhões, por baixo, sem contar o BRB. Nem estou falando do BRB”, afirmou.

Dentro dessa possibilidade de vitória, Grass ressaltou que muitos eleitores têm lhe perguntado como seria seu governo, já que os cofres públicos do GDF estariam comprometidos, principalmente após os escândalos que envolveram o Banco de Brasília (BRB) e o falido Banco Master, cujo rombo ultrapassaria os R$ 12 bilhões.

“Vamos organizar as contas e aumentar a arrecadação sem penalizar a população mais pobre. Vamos aumentar a arrecadação induzindo o desenvolvimento econômico, gerando emprego, melhorando a capacidade de consumo, desonerando a cesta básica e valorizando o salário”, disse. “E vamos instituir o piso salarial distrital. Isso não é uma promessa; é um compromisso que começamos a apresentar nesta semana e que vamos explicar cada vez mais detalhadamente”, completou.

Grass também destacou que esse modelo já existe no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo e no Paraná. É um piso salarial acima do salário mínimo nacional para determinadas categorias. De acordo com ele, no Paraná, por exemplo, varia de cerca de R$ 1.900 a R$ 2.200 e tem sido tratado como forma de reduzir a desigualdade na cidade mais desigual do Brasil.

“Isso não altera o salário mínimo nacional, porque essa é uma competência da legislação federal. O que fazemos é criar um piso salarial próprio para o Distrito Federal. Hoje o salário mínimo está em R$ 1.621. No Distrito Federal, a proposta é que ninguém possa receber menos do que o piso distrital, cujo valor definitivo ainda será definido, mas certamente ficará acima de R$ 1.800, conforme os estudos preliminares que já realizamos”, disse.

O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal também fez questão de relembrar a gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT), que, segundo ele, não foi um governo preocupado com “propaganda”, mas com entregas e realizações.

“Entregou escolas, hospitais, CRAS, infraestrutura urbana e transporte público. O último grande investimento em transporte público nesta cidade foi no governo Agnelo. Foi o BRT Sul, do Gama e de Santa Maria. Eu estava até no Gama agora há pouco. É um sistema que leva as pessoas até o Plano Piloto em 30 minutos. E a troca de ônibus que ele fez? A renovação da frota, a licitação que muita gente não acreditava que fosse possível. Enfrentou e conseguiu”, afirmou.

Ele também salientou que o PT não é um partido que se formou e que sobrevive a partir de uma lógica como acontece com a grande maioria dos outros partidos. Segundo ele, o PT é diferente, pois se apoia na base, ou seja, nos eleitores e em seus filiados, o que torna o partido uma legenda com caráter exclusivamente popular.

“O Partido dos Trabalhadores é um partido de base. Ou seja, ele é um partido basista. Ele não é um partido que se alimenta de cargos ou apenas de estrutura. Ele se alimenta a partir do trabalho de base. E o trabalho de base é isso que a gente está fazendo neste momento. O trabalho de base acontece dentro da comunidade, acontece dentro das famílias, acontece nas associações e acontece nas igrejas”, ressaltou.

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