Jornalista afirma que governo Lula sofreu revés no Senado, mas destaca capacidade de reação e rejeita tese de colapso político
A derrota de Jorge Messias no Senado, após sua indicação ao Supremo Tribunal Federal pelo presidente Lula, abriu uma nova fase de tensão política em Brasília. Em análise publicada na TV 247 nesta quinta-feira (30), o jornalista Leonardo Attuch afirma que, embora o episódio represente um revés para o governo, não significa nem o fim da gestão Lula nem o colapso de um projeto de reeleição.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9
Segundo Attuch, a leitura predominante na imprensa exagera as consequências da votação no Senado. Ele reconhece que houve fragilidade momentânea, mas ressalta que o governo dispõe de instrumentos políticos para reagir.
“Eu acho que o Messias sai de cabeça erguida desse processo. Não foi derrotado por nenhuma falta de qualidade jurídica, pelo contrário, foi derrotado pelos seus méritos”, afirmou.
Para o jornalista, a derrota não deve ser interpretada como um sinal definitivo de enfraquecimento estrutural do governo. Ao contrário, ele sustenta que o episódio expõe mais diretamente o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e suas articulações políticas.
“A sociedade brasileira ontem descobriu que o Senado Federal é presidido por um gangster”, disse, em crítica à condução do processo.
Attuch avalia que a movimentação liderada por Alcolumbre teria sido motivada por interesses políticos ligados ao caso Banco Master, sugerindo que o senador estaria sob pressão.
“Qual é o medo do Alcolumbre? O Alcolumbre está completamente enrolado, na minha opinião, no caso Master”, declarou.
A análise também aponta a participação de Flávio Bolsonaro nas articulações de bastidores. Segundo Attuch, haveria um esforço político mais amplo para proteger aliados envolvidos no caso.
“Nos bastidores ele é o político que está prometendo uma espécie de proteção a todos os indicados no caso Master”, afirmou.
De acordo com o jornalista, Alcolumbre teria sinalizado que não aceitará novas indicações do governo Lula ao Supremo antes das eleições, apostando em uma eventual mudança no cenário político em 2026. Ainda assim, Attuch reforça que o governo não ficará passivo diante desse movimento.
“O governo Lula vai dizer que faz parte da democracia, que tudo isso é natural, que o Senado é soberano, como disse o próprio Messias, mas tem muitos instrumentos para agir”, afirmou.
Ele destaca que o cenário tende a combinar uma aparência pública de conciliação com disputas intensas nos bastidores.
“Na aparência vai haver uma certa aparência de conciliação, mas vai ter muita puxada de faca nos bastidores”, disse.
Na avaliação final, Attuch sustenta que o episódio não representa uma derrota estratégica do governo Lula, mas sim um ponto de inflexão no jogo político, com possíveis consequências para o próprio Alcolumbre e para setores da direita nas próximas eleições.
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