TaguaCei — O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu que o próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busque o equilíbrio das contas públicas por meio do combate a privilégios e desperdícios, sem promover cortes em programas sociais. A proposta foi apresentada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Fonteles, que participou da coordenação da campanha de reeleição de Lula, também é apontado por aliados como possível nome para o Ministério da Fazenda, em meio às discussões sobre a futura equipe econômica.
O governador afirmou que o debate econômico não deve ficar restrito à redução de despesas, mas considerar diferentes caminhos para assegurar a sustentabilidade das contas públicas. Ele disse preferir a expressão “equilíbrio fiscal” a “ajuste fiscal”, por entender que existem múltiplas possibilidades para organizar o orçamento.
“Eu não costumo nem usar a palavra ajuste. Eu uso a palavra equilíbrio fiscal, justamente para demonstrar que são múltiplas as possibilidades de buscar esse equilíbrio”, declarou.
Fonteles foi enfático ao defender a preservação das políticas sociais assumidas por Lula durante a campanha. Segundo ele, a reorganização das contas deve priorizar o corte de privilégios e gastos desnecessários, sem comprometer os programas já existentes.
“Isso envolve corte de privilégios e de desperdício e não vai envolver, com o presidente Lula, qualquer prejuízo social, qualquer corte em programas sociais que ele já constituiu e com que se comprometeu novamente na campanha eleitoral”, afirmou.
Responsabilidade fiscal e investimentos públicos
Fonteles lembrou que os dois primeiros governos Lula registraram superávits primários e argumentou que o presidente já demonstrou capacidade de combinar responsabilidade fiscal, investimentos públicos e políticas de inclusão social.
Na avaliação do governador, a sustentabilidade da dívida pública é importante para criar condições de redução dos juros e estimular o crescimento econômico.
Ele também afirmou que as propostas apresentadas por Lula durante a campanha foram discutidas com a equipe econômica e poderão ser implementadas dentro das regras do arcabouço fiscal ao longo dos próximos quatro anos.
Entre as iniciativas mencionadas estão o Pé-de-Meia Universitário, a tarifa zero no transporte público aos fins de semana e o Prospera MEI.
A discussão sobre o espaço para despesas públicas e a preservação de benefícios sociais ganhou destaque durante a campanha, quando Lula questionou a proposta de corte de R$ 200 bilhões no orçamento.
Experiência administrativa no Piauí
Ao comentar sua gestão estadual, Fonteles afirmou que o Piauí registrou superávit primário até agosto e adotou um marco fiscal e orçamentário de médio prazo para aprimorar o planejamento dos investimentos públicos.
O governador explicou que operações de crédito destinadas à realização de obras podem produzir déficits primários do ponto de vista contábil. Isso ocorre porque os empréstimos não são classificados como receitas primárias, enquanto os investimentos realizados com esses recursos entram como despesas.
Por esse motivo, defendeu que a análise das contas públicas considere também a natureza e a finalidade dos gastos.
Fonteles nega convite para o Ministério da Fazenda
Apesar de ter seu nome mencionado por aliados como possível integrante da equipe econômica do próximo governo, Fonteles negou ter conversado com Lula sobre uma eventual indicação para o Ministério da Fazenda.
“Eu não conversei nada com o presidente sobre cargo e não falei sobre qualquer coisa relacionada à política econômica”, declarou.
O governador afirmou que está concentrado na preparação de seu segundo mandato no Piauí e pretende superar os resultados da primeira gestão.
“Estou preparado para tomar posse, ser diplomado. Vou tomar posse, vou querer fazer um governo muito melhor do que o primeiro que eu fiz”, afirmou.
Reeleito com 71% dos votos no primeiro turno, Fonteles ganhou projeção nacional durante a campanha presidencial. O Piauí foi o estado com maior percentual de votos válidos para Lula, alcançando 70,99% no primeiro turno e 75,88% no segundo.
Matemático de formação, o governador participou da coordenação da campanha petista na etapa decisiva da eleição e passou a ser mencionado como uma das lideranças emergentes do partido.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Na entrevista, Fonteles também criticou a postura de Flávio Bolsonaro após a derrota nas urnas. O senador deixou o Brasil e divulgou uma carta na qual se declarou presidente eleito, apesar da vitória de Lula.
O governador classificou a iniciativa como inócua, mas reconheceu que o bolsonarismo continua representando uma força política relevante no país.
Para Fonteles, o próximo mandato de Lula terá o desafio de conciliar estabilidade econômica, investimentos públicos e manutenção das políticas sociais. A proposta defendida pelo governador é que o equilíbrio das contas seja alcançado com o enfrentamento de privilégios e desperdícios, sem transferir à população mais vulnerável o custo da reorganização fiscal.
Fonte: Brasil 247



