Michelle prevê novos escândalos e derretimento de Flávio Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro descarta apoiar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em qualquer cenário, mas admite a possibilidade de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, em meio ao agravamento da crise política e familiar do clã Bolsonaro, relata Lauro Jardim, no jornal O Globo.

Michelle teve uma longa conversa na terça-feira (30) com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e deixou claro que não pretende subir no palanque do enteado. A ex-primeira-dama também teria avaliado que novos escândalos podem atingir Flávio Bolsonaro e comprometer de forma decisiva sua candidatura ao Palácio do Planalto.

A crise entre Michelle e Flávio ganhou força na última semana e se tornou um novo foco de tensão dentro do bolsonarismo. O atrito familiar ocorre em um momento delicado para o senador, que tenta consolidar sua candidatura presidencial e ampliar seu desempenho junto a segmentos do eleitorado considerados estratégicos, especialmente mulheres e evangélicas.

Interlocutores próximos de Michelle afirmam que a possibilidade de reconciliação entre ela e Flávio é considerada inexistente. Nos últimos dias, a ex-primeira-dama teria reforçado a aliados que não participará da campanha do senador e que acredita que o avanço de novas denúncias poderá provocar forte desgaste político.

O afastamento de Michelle representa um problema adicional para a articulação eleitoral de Flávio Bolsonaro. Ela tem influência relevante no PL Mulher e mantém presença expressiva entre eleitoras conservadoras e evangélicas, público que a campanha do senador busca mobilizar para reduzir resistências e ampliar sua competitividade.

A tensão entre os dois já havia sido exposta publicamente após Michelle relatar, em vídeo nas redes sociais, ter sido desrespeitada pelo enteado em uma discussão sobre decisões políticas do PL. A repercussão do episódio ampliou a percepção de divisão interna na família Bolsonaro e no partido, em um momento em que a candidatura de Flávio tenta se apresentar como polo de unificação da direita.

A conversa com Valdemar Costa Neto, portanto, reforça que o rompimento político entre Michelle e Flávio deixou de ser apenas um ruído familiar e passou a ter impacto direto na estratégia eleitoral do PL. Ao mesmo tempo, a hipótese de uma candidatura da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal mantém Michelle no centro do tabuleiro político de 2026, ainda que distante da campanha presidencial do enteado.

Com informações do portal 247

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