Após o anúncio de quais produtos receberão uma sobretaxa de 50% ao entrarem nos Estados Unidos, setores da indústria brasileira começaram a precificar o tamanho do prejuízo e reforçam pedidos de empenho do governo Lula nas negociações com os norte-americanos até o próximo dia 6, quando passa a valer a taxa prevista em decreto assinado por Donald Trump nesta quarta (30).
A Abinee (Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica) alertou para a não inclusão de alguns dos principais equipamentos elétricos vendidos ao mercado norte-americano, como os transformadores para rede elétrica.
Enquanto isso, na lista dos isentos estão, por exemplo, peças de ferramentas eletromecânicas para trabalho manual, com motor elétrico autônomo, e partes de secretárias eletrônicas. Quase 30% do que o setor exportou no primeiro semestre deste ano teve como destinatário os EUA.
“A continuidade das negociações pelo governo brasileiro é essencial para que possamos incluir esses produtos na lista”, afirma em nota o presidente da Abinee, Humberto Barbato.
O executivo explica que será necessária a adoção de medidas para compensar os impactos do tarifaço, tanto por parte do governo federal, quando do governo de São Paulo, e diz ter encaminhado propostas para evitar a perda de competitividade e uma eventual paralisação de embarques e quedas de encomendas ao exterior.
A Abal (Associação Brasileira do Alumínio) projeta um prejuízo de R$ 1,15 bilhões com as sobretaxas —o setor já é taxado em 50%, índice que não será cumulativo com as tarifas anunciados nesta quarta. Apesar de a alumina, insumo essencial para a produção de alumínio primário, constar na lista de produtos isentos, a bauxita, hidróxido de alumínio e o cimento aluminoso ficaram de fora.
Os EUA são o terceiro principal destino das exportações brasileiras de alumínio, atrás apenas de Canadá e Noruega, respondendo por 14,2% das vendas do setor. Ao todo, mais de US$ 773 milhões (R$ 4,2 bilhões) são comercializados aos EUA e cerca de um terço desse total de produtos comercializados estará sujeito à sobretaxa de 50%, segundo a Abal.
Neste ano, já com a aplicação de tarifas anunciadas em março por Trump, o setor perdeu US$ 46 milhões (R$ 350 milhões) em exportações.
“Considerando a forte integração produtiva entre os países do Atlântico, há risco de que os efeitos das tarifas se estendam a produtos não sobretaxados, devido aos desequilíbrios gerados em etapas distintas da cadeia. A ruptura da complementaridade regional pode afetar o abastecimento, redirecionar fluxos comerciais e comprometer a previsibilidade de operações industriais nos três países [Canadá, EUA e Brasil]”, disse a Abal em nota.
IMPACTOS NO SETOR MOVELEIRO
Na indústria de móveis o sentimento é de apreensão. Móveis de madeira, que dominam a pauta exportadora, não foram incluídos nas isenções de 50%, enquanto mobiliário de metal e móveis plásticos reforçados não serão sobretaxados.
“Com os Estados Unidos respondendo por cerca de 30% das exportações de móveis e colchões prontos, e quase 40% ao considerar toda a cadeia moveleira, o impacto é imediato e sistêmico. Estima-se que a nova medida possa resultar na perda de 9.000 postos de trabalho ao longo da cadeia moveleira em todo o Brasil”, afirma a Abimovel.
Polos produtores como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, responsáveis por quase 99% das exportações do setor, já se deparam com cancelamentos e interrupções na produção, além da suspensão de embarques. Para a Abimovel, a tendência é de agravamento do cenário, principalmente em estados do Norte e Nordeste.
Na Assintecal (Associação de empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) o temor é de perda de competitividade. Atualmente, 20% das exportações do setor chegam aos EUA.
Na indústria calçadista, o principal concorrente é a China, atualmente exportando com uma sobretaxa de 30% em relação ao governo norte-americano. O cenário de 50% sobre os produtos brasileiros tende a inviabilizar as exportações.
Os produtos químicos para couros também serão atingidos. Segundo a Assintecal, os curtumes (locais onde são feitos os tratamentos químicos de couro cru ou pele de animal) respondem por mais de 60% das vendas do segmento.
Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do couro brasileiro, com 13,3% das compras feitas em 2024. Somente no primeiro semestre deste ano, o Brasil exportou US$ 2,7 milhões em componentes e químicos para couro nos EUA, um crescimento de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado.
“Este aumento reflete a qualidade e a competitividade dos produtos brasileiros, mesmo diante de um ambiente internacional desafiador, e sinaliza que embora o impacto seja menor, empresas de componentes e químicos também serão atingidas diretamente em sua rede de abastecimento para o mercado estadunidense”, diz a Assintecal.
Com informações de Jornal de Brasília
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara
Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…
-
Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza
Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…
-
Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a
Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…
-
Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol
Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…
-
Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso
Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…
-
Fachin cria grupo para fazer pente-fino em penduricalhos de juízes
O grupo criado pelo ministro Edson Fachin terá seis meses para mapear penduricalhos e propor novas regras para salários de magistrados O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, vai criar um grupo de trabalho para realizar um amplo pente-fino nos chamados “penduricalhos” pagos a magistrados em todo o país.…
-
Bancos exigem juros maiores para garantir empréstimo bilionário ao BRB
Instituições financeiras negociam participação em consórcio que dará garantia a financiamento de R$ 5 bilhões 247 – O processo de estruturação do empréstimo que pode assegurar a estabilidade financeira do Banco de Brasília (BRB) enfrenta novos obstáculos. Instituições financeiras interessadas em integrar o consórcio responsável por garantir a operação defendem uma remuneração mais elevada pelas garantias…
-
Nas ruas e nas redes: Flávio Bolsonaro cai e Lula lidera ranking digital
Presidente chega ao topo do IDP após desgaste de Flávio Bolsonaro com áudios ligados a Daniel Vorcaro 247 – A divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, alterou o cenário digital entre presidenciáveis monitorados pela Datrix e levou o presidente Lula (PT) ao primeiro lugar do…







