Bets avaliam suspensão de patrocínios esportivos após medida do governo

Jogadores do Corinthians e do Estudiantes disputam partida pela Copa Libertadores em imagem usada para ilustrar reportagem sobre patrocínios de casas de apostas no futebol.
Foto: Miguel Schincariol/AFP

TaguaCei — Empresas de apostas esportivas avaliam diferentes estratégias para lidar com a medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. Segundo informações da Folhapress, algumas bets estudam aproveitar a decisão para encerrar contratos de patrocínio com clubes de futebol, enquanto outras negociam a suspensão temporária dos acordos. O cenário envolve diretamente o futebol brasileiro, que nos últimos anos passou a ter forte presença de empresas de apostas entre seus patrocinadores.

De acordo com seis pessoas ligadas ao setor, ouvidas pela Folha de S.Paulo, um dos casos já concretizados é o da 7k Bet, que comunicou ao Vitória o rompimento do contrato de patrocínio. O vínculo estava previsto para permanecer até 2027.

No caso do Santos, a estratégia foi diferente. O contrato com a Novibet foi suspenso, mas não rescindido. Nos bastidores, também circula a possibilidade de Flamengo e Corinthians adotarem medidas semelhantes em relação aos contratos com Betano e Esportes da Sorte, respectivamente. Os clubes e as empresas não comentaram as informações à reportagem.

Medida do governo

O governo federal anunciou em 25 de setembro a proibição das apostas de quota fixa, modalidade que inclui as apostas esportivas e os jogos online. A medida passou a produzir efeitos imediatos e estabelece prazo para que as empresas encerrem suas atividades.

As propagandas relacionadas às bets precisam ser retiradas até 5 de outubro, segundo o cronograma informado na reportagem. A decisão provocou reação de entidades que representam o setor de apostas e também de parte dos clubes de futebol.

Em 2025, os patrocínios de empresas de apostas representaram aproximadamente R$ 1,03 bilhão para os clubes da Série A, segundo levantamento da consultoria Convocados. O valor correspondia a cerca de 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões das equipes.

O impacto sobre o esporte no Brasil também envolve materiais esportivos, publicidade e planejamento comercial dos clubes.

Clubes aguardam definição

A medida provisória tem efeito imediato, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para que seja convertida definitivamente em lei. Caso não seja votada dentro do período previsto, perde a validade.

A possibilidade de questionamentos judiciais também está em discussão. Entidades do setor acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está sob relatoria do ministro Luiz Fux.

Diante da incerteza sobre a duração da medida, clubes e empresas de apostas negociam alternativas para os contratos já existentes. Uma delas é a suspensão temporária dos acordos, permitindo uma eventual retomada caso o mercado volte a operar.

A situação também gera problemas operacionais. Clubes precisam retirar de circulação materiais que contenham marcas de empresas de apostas, enquanto fornecedores já produziram uniformes e outros produtos para a temporada seguinte.

O especialista em marketing esportivo Fábio Wolff afirmou que fornecedores de material esportivo já produziram peças e organizaram estoques com as marcas das casas de apostas. Segundo ele, será necessário definir como adaptar os produtos, quem assumirá os custos e como os clubes poderão substituir as receitas perdidas.

Contratos de alto valor

A dimensão financeira dos contratos ajuda a explicar a cautela de alguns clubes e empresas em relação a uma rescisão definitiva.

O Corinthians, por exemplo, fechou em fevereiro deste ano um contrato com a Esportes da Sorte que pode chegar a R$ 200 milhões por ano e tem validade até 2029.

O Flamengo, por sua vez, mantém contrato com a Betano firmado no final de 2025. O acordo é estimado em aproximadamente R$ 280 milhões anuais.

Já o Santos fechou contrato com a Novibet no início de 2026, em acordo que pode alcançar R$ 85 milhões.

Segundo relatos ouvidos pela Folhapress, esses contratos envolvem investimentos de longo prazo e, por isso, algumas empresas e clubes avaliam a suspensão como alternativa à rescisão.

O espaço de patrocínio também continua sendo disputado. Após o anúncio da medida do governo, a Fatal Model manifestou interesse em ocupar espaços que poderão ser deixados pelas empresas de apostas em clubes como Flamengo e Corinthians.

Vitória perde contrato de R$ 45 milhões

O Vitória está entre os clubes que já perderam um acordo. A 7k Bet tinha contrato com a equipe até 2027, mas o vínculo foi encerrado após a entrada em vigor da medida.

Segundo o presidente do Vitória, Fabio Mota, o clube deixou de contar com aproximadamente R$ 45 milhões previstos no contrato para 2027, além de outras receitas relacionadas a placas de publicidade.

Em entrevista à Rádio Baiana FM, Mota afirmou que a forma como a medida foi estabelecida impede o recebimento de multa ou de valores referentes à rescisão contratual.

A situação coloca os clubes diante da necessidade de buscar novas fontes de receita no futebol, enquanto o setor de apostas aguarda a definição sobre o futuro da regulamentação no país.

Fonte: Jornal de Brasília/Folhapress

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Artigos Relacionados:
Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *