Eventos levam grandes atrações culturais para além do Plano Piloto no DF

TaguaCei — A realização de shows, festivais e espetáculos em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal tem ampliado o acesso à cultura para moradores que vivem fora do Plano Piloto. Eventos gratuitos e apresentações de artistas de projeção nacional têm levado público a cidades como Ceilândia, Taguatinga, Gama, Recanto das Emas e Brazlândia.

Para quem mora distante do centro de Brasília, acompanhar um grande show ou espetáculo pode envolver custos com transporte e alimentação, além de horas de deslocamento. Quando as atrações são realizadas mais perto de casa e têm entrada gratuita, essas barreiras são reduzidas.

A chamada descentralização cultural vem ganhando espaço no DF por meio de eventos promovidos fora do Plano Piloto e da utilização de equipamentos públicos existentes nas regiões administrativas.

Sesc amplia programação nas regiões administrativas

Entre janeiro e agosto de 2026, os teatros do Sesc-DF receberam 373 ações de teatro, música, dança e literatura, que reuniram 76.914 pessoas. Somente as atividades de artes cênicas contabilizaram 45.411 espectadores.

Quase 80% desse público participou de ações realizadas em Taguatinga, Ceilândia e Gama. Eventos como Sesc + Axé, Semana S, Sesc + W3 Sul, Sesc Tradições Juninas, Sesc Soundsystem, Festival de Inverno Sesc e Virada Cultural Sesc também contribuíram para ampliar o alcance da programação.

Ao todo, essas iniciativas reuniram 113.570 pessoas. Três dos eventos ocorreram fora do Plano Piloto.

Para Valcides de Araújo, diretor regional do Sesc-DF, a descentralização está entre as principais diretrizes da atual gestão.

“Além de ampliar a circulação de espetáculos, a política cultural do Sesc-DF busca fortalecer os territórios como espaços permanentes de produção, formação e fruição artística”, afirmou.

Em 2026, a instituição levou artistas de projeção nacional para palcos de Taguatinga, Ceilândia, Gama e Recanto das Emas, entre outras regiões.

Ceilândia recebe artistas de projeção nacional

Em Ceilândia, o Sesc + Rap reuniu artistas como Djonga, Duquesa e Ndee Naldinho. Para moradores da cidade, a presença de nomes conhecidos nacionalmente também representa uma forma de valorização da produção cultural nas periferias.

Morador do P Norte, Jefferson Santos acompanhou o show de Djonga e destacou a importância de atrações desse porte na região.

“Foi incrível e muito representativo, principalmente por ser um artista preto e periférico se apresentando na Ceilândia. Acho que é muito importante ter esse tipo de programação cultural acontecendo fora do Plano Piloto”, afirmou.

Moradora de Ceilândia, Rhalima Shanaya também participou de uma apresentação promovida pelo Sesc em Taguatinga, com Luísa Sonza.

“Gostei bastante, achei bem animado e superorganizado. A experiência foi muito boa. É fundamental democratizar o acesso aos eventos para quem mora fora do Plano Piloto”, relatou.

Caetano Veloso reúne 25 mil pessoas em Taguatinga

A programação do Sesc também incluiu a celebração dos 80 anos da instituição no Taguaparque, em Taguatinga. Realizado em 13 de setembro, o evento contou com apresentações de Caetano Veloso, Ju Marques e Dillo D’Araujo.

Segundo a organização, aproximadamente 25 mil pessoas participaram da programação.

Outras iniciativas também levaram grandes artistas para diferentes regiões. O Sesc + Axé levou Terra Samba, Cheiro de Amor e Babado Novo ao Recanto das Emas. Em Taguatinga Sul, a Semana S teve Luísa Sonza entre as principais atrações. Já o Sesc Tradições Juninas levou a banda Calcinha Preta para Ceilândia.

São João do Cerrado retorna a Ceilândia

Outro evento de grande porte que voltou a ser realizado em Ceilândia foi o São João do Cerrado, tradicional celebração da cultura nordestina no Distrito Federal.

Depois de uma edição realizada na Esplanada dos Ministérios, a festa retornou à cidade com entrada gratuita e apoio do Governo do Distrito Federal. A programação contou com nomes como Mari Fernandez, Michel Teló e Alceu Valença.

A estimativa é que mais de 150 mil pessoas tenham passado pelo evento.

“A gente estava com saudades de Ceilândia e sabe que muita gente daqui também ficou com saudades do ‘maior São João do Cerrado’. Voltar para cá é reencontrar pessoas, histórias e memórias que fazem parte da nossa trajetória”, afirmou a organizadora, Edilane Oliveira.

Festa do Morango atrai 380 mil pessoas

Em setembro, a tradicional Festa do Morango de Brazlândia também levou atrações nacionais para uma região localizada a cerca de 50 quilômetros do Plano Piloto.

A programação contou com shows de Joelma, Léo Santana e Bell Marques, além de gastronomia, parque de diversões e feira de artesanato. De acordo com a organização, o evento reuniu aproximadamente 380 mil pessoas.

Cultura também movimenta a economia

A realização de grandes eventos nas regiões administrativas também tem impacto sobre a economia local. Shows e festivais geram trabalho para profissionais envolvidos com segurança, limpeza, montagem e produção, além de movimentarem a atividade de ambulantes, food trucks e motoristas de aplicativo.

Promovido pela Secretaria de Turismo do Distrito Federal, o Expocidades é um exemplo dessa associação entre cultura, lazer e economia. Em 2026, o evento passou por Vila Planalto, Riacho Fundo I e Park Way e reuniu aproximadamente 8,3 mil pessoas.

“O Expocidades gera trabalho e renda e valoriza a cultura e os empreendedores locais. É uma forma de levar o turismo e a programação cultural para diferentes áreas do DF”, afirmou Bernardo Antunes, secretário de Turismo.

Regiões administrativas também produzem cultura

A descentralização cultural não ocorre apenas quando grandes instituições levam artistas conhecidos para fora do Plano Piloto. Algumas regiões administrativas possuem produção cultural própria e eventos consolidados.

No Guará, um exemplo é o Samba do Chester, realizado gratuitamente todos os anos no dia 25 de dezembro. Organizado pelo músico Jeferson Feijão, o evento começou como uma reunião entre amigos e cresceu ao longo dos anos.

A festa reúne cerca de 2 mil pessoas de diferentes regiões do DF. Segundo Feijão, parte significativa do público vem de cidades próximas ao metrô, como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Águas Claras.

Durante os primeiros dez anos, a iniciativa foi financiada pelos próprios organizadores, familiares e colaboradores. Em 2026, recebeu pela primeira vez recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

O dinheiro foi utilizado em itens como estrutura de som, tendas, banheiros químicos, divulgação, limpeza e pagamento das bandas.

Para Feijão, o principal desafio não é a falta de produção cultural nas regiões administrativas, mas a diferença de visibilidade entre essas áreas e o centro de Brasília.

“A cultura no DF é bem distribuída, porém não há tanta divulgação nas partes periféricas como há no centro de Brasília”, avaliou.

Fonte: Metrópoles

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