TaguaCei — Estudantes de diferentes regiões do Brasil foram às ruas neste domingo (1º), uma semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para celebrar o resultado das urnas e defender a democracia. Organizadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), as manifestações do movimento “Brasil com S” reuniram universitários, secundaristas e representantes de movimentos sociais em atos realizados em 11 estados e no Distrito Federal.
As mobilizações também tiveram como pauta a soberania nacional, a defesa dos direitos sociais e as denúncias de violência contra os povos indígenas. Os participantes criticaram tentativas de questionamento do resultado eleitoral e manifestações de pressão estrangeira sobre a política brasileira.
UNE e Ubes defendem continuidade da mobilização
A presidenta da UNE, Bianca Borges, afirmou que a participação política dos estudantes não termina com as eleições. Em entrevista ao UOL, ela destacou que o movimento estudantil continuará mobilizado para defender a democracia e cobrar avanços nas políticas educacionais.
“Essa é uma lição muito importante, que nos manterá nas ruas. Para quem tem dúvida, a gente não está disposto a voltar para casa”, declarou.
A presidenta da Ubes, Roberta Pontes, também comemorou a participação de estudantes em diferentes partes do país e defendeu a construção de um projeto nacional de desenvolvimento. Segundo ela, os secundaristas continuarão mobilizados por melhorias na educação e por uma nova perspectiva de país.
De acordo com Bianca Borges, a UNE participou de pelo menos 200 manifestações durante o período entre os dois turnos da eleição.
São Paulo tem ato em defesa da soberania e dos povos indígenas
Na capital paulista, estudantes ocuparam a Praça Roosevelt com bandeiras e cartazes em defesa da democracia. A manifestação contou com representantes de movimentos sociais, lideranças indígenas e o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT).
Integrantes do povo Guarani do Jaraguá denunciaram episódios de violência contra comunidades indígenas, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde conflitos territoriais e ataques aos povos originários seguem como motivo de preocupação.
A UNE também se manifestou contra a violência e defendeu a proteção dos territórios indígenas. Para a entidade, a defesa da soberania nacional está diretamente relacionada à garantia dos direitos dos povos originários.
Jandira Feghali destaca papel da juventude
No Rio de Janeiro, o ato ocorreu nas proximidades da Candelária e contou com a participação da deputada federal reeleita Jandira Feghali (PCdoB-RJ). A parlamentar destacou a dimensão política da vitória de Lula e classificou o resultado como uma referência internacional na luta contra o fascismo.
“É muito bom estar na rua com vocês, na comemoração daquela vitória sofrida, mas nós viramos o símbolo antifascista no mundo. O nosso L, o nosso L hoje é o símbolo da luta antifascista no mundo inteiro”, afirmou.
Jandira também ressaltou que a mobilização popular será importante durante o próximo mandato presidencial, especialmente diante da composição conservadora do Congresso Nacional.
“Com o que Lula vai enfrentar e com o Congresso que a gente tem, a rua será fundamental para a gente poder avançar”, declarou.
A deputada defendeu ainda a participação de estudantes, trabalhadores e moradores das periferias nas mobilizações sociais e nas disputas políticas. Ao abordar a soberania nacional, afirmou: “Nós mostramos ao mundo que nós não somos quintal de ninguém”.
Mobilizações continuam nos próximos dias
O lema “Brasil com S” faz referência à carta divulgada por Flávio Bolsonaro após a derrota eleitoral. No documento, o senador utilizou um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil” e se apresentou como “verdadeiro presidente eleito”, expressão posteriormente substituída por “líder do Brasil”.
UNE e Ubes defendem que a mobilização continue após a eleição, com reivindicações relacionadas ao financiamento da educação, à permanência estudantil, ao transporte gratuito e ao desenvolvimento nacional.
A programação prevê uma manifestação em Salvador (BA), nesta segunda-feira (2), às 9h, no Morro do Cristo. Em Brasília, um novo ato está previsto para quarta-feira (4), mas o horário e o local ainda não haviam sido confirmados.
Fonte: Vermelho



