TaguaCei — A reeleição de Celina Leão (PP) ao Governo do Distrito Federal (GDF) e a composição da próxima legislatura da Câmara Legislativa (CLDF) estabelecem um novo cenário político para os próximos quatro anos. Enquanto a base governista busca consolidar uma articulação capaz de garantir apoio aos projetos do Executivo, os partidos de oposição prometem intensificar a fiscalização dos contratos, das despesas públicas e das políticas adotadas pelo governo.
Celina foi reeleita com 57,18% dos votos válidos, contra 42,82% de Leandro Grass (PT). Na CLDF, a oposição também ampliou sua representação, passando de seis para sete parlamentares eleitos para a legislatura que começa em 2027.
O novo quadro deverá exigir negociações entre os deputados e o Palácio do Buriti. De um lado, aliados da governadora defendem diálogo e cooperação institucional para viabilizar projetos. Do outro, parlamentares oposicionistas afirmam que manterão uma atuação rigorosa na fiscalização da gestão, especialmente em áreas como saúde, educação, transporte e administração dos recursos públicos.
Base governista busca articulação
Líder do governo na CLDF, o deputado Pepa (PP) atribuiu a vitória de Celina ao reconhecimento da população pelo trabalho realizado na capital. O parlamentar afirmou que a relação entre o Executivo e o Legislativo deverá ser pautada pelo respeito institucional e pela harmonia entre os poderes.
Pepa também destacou o caráter histórico da eleição de Celina, a primeira mulher escolhida para governar o Distrito Federal.
A articulação governista deverá priorizar a tramitação de propostas consideradas estratégicas pelo Executivo. O deputado Roosevelt Vilela (PL) afirmou que seu partido pretende contribuir para a construção de consensos entre os distritais, sem abrir mão das atribuições fiscalizadoras do Legislativo.
Segundo Vilela, a governabilidade não deve ser confundida com submissão ao Executivo. O parlamentar defendeu uma atuação baseada no diálogo e na responsabilidade, com apoio a iniciativas que atendam aos interesses da população.
Aliados cobram equilíbrio financeiro
Mesmo entre os integrantes da base governista, há preocupação com a situação financeira do Distrito Federal e seus impactos sobre os serviços públicos.
O deputado Hermeto (MDB) afirmou que o equilíbrio das contas é uma condição necessária para viabilizar a recomposição salarial dos servidores e melhorar o atendimento à população. O parlamentar citou dificuldades nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte e transporte.
Hermeto também mencionou os problemas financeiros relacionados ao Banco de Brasília (BRB) e cobrou providências para evitar o agravamento das dificuldades enfrentadas pelo governo.
Já o deputado Martins Machado (Republicanos) reafirmou o apoio à governadora e defendeu a manutenção de uma relação de parceria entre o Palácio do Buriti e a Câmara Legislativa. Segundo ele, o diálogo entre os poderes será fundamental para transformar propostas em ações concretas nos próximos quatro anos.
Oposição promete fiscalização rigorosa
Na oposição, o líder da minoria, Gabriel Magno (PT), afirmou que os parlamentares continuarão cobrando transparência na aplicação dos recursos públicos e investigando contratos do governo.
O deputado citou a atuação do bloco em questionamentos sobre operações envolvendo o BRB, contratos do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) e problemas na assistência social. Também destacou a fiscalização dos repasses do Fundo Constitucional do Distrito Federal.
Magno afirmou que a oposição poderá apoiar projetos considerados benéficos para a população, mas ressaltou que existem divergências ideológicas e programáticas importantes em relação ao governo.
O deputado Chico Vigilante (PT), que caminha para o sexto mandato na CLDF, também prometeu manter a fiscalização sobre os gastos públicos e os contratos de prestação de serviços. O parlamentar afirmou que estará aberto à negociação de propostas de interesse coletivo, mas fará oposição a medidas que prejudiquem trabalhadores, servidores ou serviços essenciais.
Vigilante destacou que pretende acompanhar especialmente os contratos terceirizados e as iniciativas que possam comprometer o patrimônio público do Distrito Federal.
Max Maciel prioriza mobilidade e periferias
Deputado distrital mais votado da história do Distrito Federal, Max Maciel (PSol) afirmou que pretende manter presença constante nas comunidades e ampliar o diálogo com conselhos locais.
Entre as prioridades do parlamentar estão a expansão da mobilidade urbana, a defesa do metrô estatal, o fortalecimento do transporte público e políticas ambientais voltadas às regiões periféricas.
Maciel também cobrou maior agilidade administrativa do governo para garantir a execução de recursos disponibilizados pela União. Segundo ele, a oposição será combativa e fiscalizadora, mas buscará contribuir com propostas que beneficiem a população.
Múcio Botelho defende independência
Eleito pelo PSB, Múcio Botelho afirmou que pretende adotar uma postura independente na próxima legislatura. O deputado eleito defendeu uma atuação técnica, com fiscalização das ações do governo, mas sem transformar divergências políticas em conflitos permanentes.
Botelho declarou que não pretende fazer oposição por princípio e que estará disposto a colaborar com projetos que apresentem resultados concretos para a população.
O parlamentar também criticou a transformação de divergências políticas em disputas públicas e afirmou que a Câmara Legislativa deve priorizar soluções para os problemas do Distrito Federal.
Novo mandato terá desafios políticos e administrativos
A composição da CLDF a partir de 2027 deverá definir o ritmo de aprovação das propostas do Executivo e o espaço de atuação dos grupos de oposição e independentes. A governadora Celina Leão terá de construir apoio parlamentar para avançar com sua agenda, enquanto os deputados deverão conciliar negociações políticas com as atribuições constitucionais de fiscalização.
Entre os principais temas que devem movimentar a próxima legislatura estão a situação financeira do DF, os problemas do BRB, a qualidade dos serviços públicos, a valorização dos servidores e os investimentos em mobilidade urbana.
Fonte: Correio Braziliense



