AtlasIntel aponta Lula à frente em segmentos estratégicos do eleitorado

Presidente lidera entre católicos, eleitores de maior renda e consolida vantagem no eleitorado feminino diante de rejeição estrutural a Flávio Bolsonaro

A  análise da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (1º) expõe com clareza as principais linhas de divisão do eleitorado brasileiro para a disputa presidencial. 

Os recortes demográficos indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolida apoio em segmentos amplos e estratégicos, liderando entre católicos, mulheres, eleitores de meia-idade e mais velhos, inclusive das faixas de renda média e alta. 

Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) encontra dificuldades severas para ampliar sua base de apoio além do núcleo evangélico, enfrentando uma resistência que analistas apontam como estrutural.

O recorte por gênero desponta como um dos fatores mais determinantes para o cenário atual, garantindo a dianteira de Lula na média geral devido ao peso das mulheres, que representam 52% do eleitorado nacional. 

Segundo a AtlasIntel, o atual presidente lidera entre as mulheres com 43,7% das intenções de voto no primeiro turno. O desempenho de Flávio Bolsonaro neste segmento corrobora dados cruzados de outras sondagens recentes, como o levantamento BTG/Nexus, apontando que o senador do PL patina no próprio piso histórico da extrema direita entre as eleitoras.

A rejeição expressiva a Flávio Bolsonaro entre o eleitorado feminino tem raízes profundas e transcende episódios conjunturais. Nem mesmo o recente embate público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que acusou o enteado de tê-la destratado por telefone em vídeo assistido por 78% dos entrevistados, alterou drasticamente os índices. 

A leitura predominante no meio político é que a contenda familiar afeta o protagonismo interno do conservadorismo, mas não move votos periféricos, uma vez que o eleitorado feminino já rechaçava o parlamentar fluminense por razões de fundo.

Misoginia reprovada

Essa distância entre a extrema direita e as mulheres foi vocalizada pelo blogueiro Paulo Figueiredo, porta-voz informal de setores do bolsonarismo. Em vídeo marcado por misoginia, o comentarista afirmou “que as mulheres votam mal, em especial as solteiras”, por supostamente carecerem da orientação de um marido para conduzi-las à direita.

A declaração, recebida por forte repúdio público, evidencia que o afastamento das mulheres em relação à agenda da oposição é estrutural, amparado tanto por visões de mundo distintas quanto pela maior vulnerabilidade socioeconômica feminina, conforme atestam indicadores macroeconômicos e pesquisas de opinião como o Datafolha.

Menor diferença de intenção de votos entre evangélicos

Na seara religiosa, a pesquisa AtlasIntel demonstra a resiliência de Lula e o teto da oposição. Entre os eleitores católicos, o petista contabiliza 48,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37,9% de Flávio Bolsonaro. 

Leia maisLula lidera com folga e vence em todos os cenários pesquisados

No segmento evangélico, considerado a principal cidadela da oposição, o senador do PL aparece à frente, mas com uma vantagem estreita, registrando 42,9% contra 39,7% do atual presidente. A diferença de apenas 3,2 pontos percentuais acende o alerta no campo conservador. Entre agnósticos e ateus, a dianteira de Lula é avassaladora, alcançando 75,5% da preferência.

Renda

Lula apresenta desempenho favorável nas faixas de renda média e alta. Entre os eleitores que recebem entre R$ 5 mil e R$ 10 mil mensais, o presidente marca 53% das intenções de voto, abrindo larga vantagem sobre os 29,4% de Flávio Bolsonaro.

Acima de R$ 10 mil, o cenário se repete com Lula somando 50,4% ante 24,9% do senador fluminense. Os dados sugerem um descolamento do discurso econômico da oposição junto às classes médias urbanas.

Faixa etária

A análise por idade revela que o presidente da República amplia sua vantagem à medida que o eleitorado envelhece, registrando 54,6% entre os votantes com 60 anos ou mais. Flávio Bolsonaro obtém seu melhor rendimento relativo na faixa de 25 a 34 anos. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, constata-se uma fragmentação do quadro com a liderança temporária de Renan Santos (Missão), que pontua com 37,9%, superando os dois principais polos da política nacional.

Do ponto de vista geográfico, o Nordeste permanece como o principal bastião de sustentação do governo, conferindo a Lula 57,7% das intenções de voto. Na região Sudeste, principal colégio eleitoral do país, há uma situação de empate técnico dentro da margem de erro, com Flávio Bolsonaro registrando 42,6% e o petista assinalando 41%.

A capacidade de retenção dos votos da eleição presidencial de 2022 também joga a favor do atual mandatário. Lula consegue segurar 88,4% dos eleitores que o escolheram no segundo turno da última disputa contra Jair Bolsonaro. Já Flávio Bolsonaro herda e concentra 74,8% dos antigos votos do pai, denotando uma dispersão ou um desalento de uma parcela significativa do eleitorado conservador tradicional que não enxerga no filho mais velho a mesma capacidade de aglutinação.

A pesquisa AtlasIntel, realizada em parceria com a Bloomberg, coletou 4.999 entrevistas por meio de recrutamento digital aleatório entre os dias 26 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04582/2026.

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