TaguaCei — Um aplicativo desenvolvido por pesquisadores brasileiros para auxiliar no tratamento de sintomas de ansiedade e depressão passou a ser disponibilizado nas 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Indaiatuba, no interior de São Paulo. A iniciativa utiliza estratégias da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e busca ampliar o acesso ao cuidado psicológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Batizada de Conemo, a ferramenta foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), vinculado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O aplicativo oferece sessões interativas com textos, áudios e vídeos que ensinam os usuários a reconhecer emoções, lidar com a ansiedade e incorporar atividades prazerosas à rotina.
Além do conteúdo destinado aos pacientes, a plataforma conta com um painel digital que permite aos profissionais das unidades acompanhar os casos identificados e indicadores de saúde.
A tecnologia não substitui consultas presenciais nem o acompanhamento individualizado. A proposta é complementar o atendimento oferecido pelas equipes das UBSs e ajudar a ampliar a assistência diante da demanda por serviços de saúde mental.
Estudos apontaram redução de sintomas
O Conemo começou a ser desenvolvido em 2014 e foi avaliado em dois estudos realizados entre 2016 e 2018: um com 880 participantes em São Paulo e outro com 420 pessoas em Lima, no Peru.
Nas pesquisas, 610 pessoas utilizaram o aplicativo durante seis semanas. Os resultados apontaram uma redução mais rápida dos sintomas de depressão entre os participantes que utilizaram a ferramenta, em comparação com o grupo de controle.
Com base nos resultados, os pesquisadores ampliaram o projeto para incluir estratégias voltadas também à ansiedade e aprimoraram a plataforma.
Em agosto de 2024, Indaiatuba iniciou um projeto-piloto. No começo de 2026, a ferramenta passou a ser oferecida em três UBSs do município e em outras três unidades de Jaguariúna, também no interior paulista.
Segundo Paulo Rossi Menezes, líder do projeto, a expansão para todas as unidades de Indaiatuba representa uma etapa importante da iniciativa, que busca aumentar o acesso ao atendimento em saúde mental na rede pública.
Atendimento para sintomas leves e moderados
A pesquisadora do CISM e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Heloísa Garcia Claro, destaca que a ampliação permitirá atender mais pessoas que necessitam de apoio psicológico.
A ferramenta oferece um tratamento psicológico de baixa intensidade, especialmente direcionado a pacientes com sintomas leves a moderados de ansiedade e depressão. A equipe de pesquisadores acompanha a evolução dos participantes e analisa informações clínicas e sociodemográficas para avaliar os resultados.
Aplicativo utiliza estratégias da terapia cognitivo-comportamental
A psicóloga clínica Juliana Claudia, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e psicologia perinatal, explica que a abordagem trabalha com a identificação de padrões de pensamento e comportamento que contribuem para os problemas emocionais.
Entre as técnicas utilizadas estão a psicoeducação, a ativação comportamental e a reestruturação de pensamentos. Essas estratégias também aparecem nas atividades do Conemo, que apresenta informações sobre emoções, incentiva práticas prazerosas e oferece orientações para lidar com sintomas de ansiedade.
A especialista ressalta, porém, que aplicativos desse tipo devem ser entendidos como ferramentas complementares, e não como substitutos do atendimento psicológico.
Casos mais graves ou complexos continuam exigindo avaliação especializada e acompanhamento individualizado. Juliana também considera importante que a plataforma seja monitorada por profissionais preparados para identificar situações de risco de suicídio e outras demandas que necessitem de intervenção específica.
Fonte: Correio Braziliense



