O Brasil possui apenas 55,2% do efetivo considerado ideal de policiais civis, responsáveis pela investigação de crimes, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo aponta que o país conta atualmente com 96,9 mil agentes em atividade, enquanto os estados preveem 175,4 mil vagas em suas estruturas. As informações foram divulgadas pelo Correio Braziliense.
De acordo com a pesquisa, o déficit ocorre em um cenário de avanço de organizações criminosas, aumento de golpes virtuais e crescimento de crimes como roubos de celulares. Para Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a falta de agentes compromete a capacidade de investigação criminal.
Os cálculos consideram a diferença entre o número de policiais em atividade e o efetivo previsto por cada estado em leis ou planejamentos orçamentários. Os pesquisadores, porém, ressaltam que esses números podem não representar exatamente a necessidade operacional de cada região.
A Polícia Militar também apresenta déficit de profissionais. Segundo o levantamento, as corporações estaduais possuem cerca de 413,3 mil agentes em atuação, o equivalente a 65,7% do efetivo previsto. O número representa uma média de 1,9 policial militar para cada mil habitantes.
Entre as polícias militares, Tocantins apresenta o maior déficit proporcional do país, com apenas 34,9% do efetivo previsto em atividade. Goiás aparece em seguida, com 37,4%. Em contrapartida, o Ceará possui atualmente um número de policiais militares superior ao previsto.
O estudo destaca ainda o caso do Amapá, que apresenta um dos maiores déficits proporcionais, com 45,2% do efetivo previsto, mas possui a maior taxa de policiais militares por habitante, com 4,4 agentes para cada mil moradores. Segundo os pesquisadores, o dado mostra que a quantidade prevista de profissionais nem sempre reflete a realidade de cada território.
Na Polícia Civil, a média nacional é de 0,5 agente para cada mil habitantes. Dez estados estão abaixo desse índice, com destaque para o Maranhão, que possui a menor taxa, de 0,2 policial civil por mil habitantes.
Mesmo estados com grandes contingentes absolutos, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, apresentam índices abaixo da média nacional. O levantamento aponta que, apesar de possuírem maior visibilidade política, ações de policiamento ostensivo não substituem o trabalho de investigação, que exige estrutura especializada e planejamento.
O estudo também aponta o crescimento das guardas municipais, que ultrapassaram o número de policiais civis no país pela primeira vez. Atualmente, as corporações municipais reúnem 107,5 mil agentes, crescimento de 12,9% em dois anos.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o desafio passa por fortalecer a investigação criminal, aprimorar a atuação das forças de segurança e estabelecer critérios mais eficientes para dimensionar os efetivos necessários em cada estado.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



