Agressão em Beirute amplia tensão regional e ocorre enquanto forças israelenses mantêm operações no sul do país
Israel violou o cessar-fogo ao realizar um ataque aéreo contra Beirute, capital do Líbano, nesta quarta-feira (6). O acordo integra uma trégua mais ampla negociada entre Estados Unidos e Irã, que incluiu como condição a suspensão das operações israelenses no território libanês. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Apesar da trégua, Israel manteve presença militar ao sul do rio Litani e continuou realizando ataques na região. O Hezbollah, em resposta às violações, realizou ações com o uso de drones contra tropas israelenses. Ainda nesta quarta-feira (6), o Estado sionista orientou moradores a deixarem áreas ao norte do rio Litani, ampliando sua zona de atuação no território libanês.
De acordo com autoridades israelenses, a operação desta quarta (6) teve como alvo um comandante da força de elite Radwan, ligada ao Hezbollah, em bairros do sul da capital libanesa. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, confirmaram a ação em declaração conjunta. A imprensa israelense informou que o alvo teria sido assassinado, mas não houve confirmação oficial por parte das Forças Armadas nem do grupo libanês.
Negociações em curso
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que ainda é cedo para tratar de encontros de alto nível entre os países. Segundo ele, a consolidação de um cessar-fogo efetivo é condição necessária para avançar nas negociações. Salam declarou que o país não busca “a normalização com Israel, mas sim alcançar a paz”. Ele também afirmou que a “exigência mínima é um cronograma para a retirada de Israel”.
O presidente libanês, Joseph Aoun, disse que qualquer reunião com Netanyahu depende de um acordo prévio de segurança e da interrupção dos ataques. No mês passado, autoridades de Israel e do Líbano participaram de reuniões em Washington, mediadas pelos Estados Unidos.
Crise humanitária
O Ministério da Saúde do Líbano informou que um ataque israelense matou quatro pessoas, incluindo duas mulheres e um idoso, na cidade de Zelaya, no sul do país. A organização Médicos Sem Fronteiras relatou a continuidade de bombardeios mesmo após o cessar-fogo. “Temos visto uma série de ferimentos graves desde o início do suposto cessar-fogo”, afirmou a médica Thienminh Dinh.
A entidade também apontou o agravamento das condições de saúde mental da população afetada e a sobrecarga dos hospitais na região sul. Desde o início da escalada, em 2 de março, mais de 2.700 pessoas morreram no Líbano vítimas de ataques de Israel, segundo o Ministério da Saúde local. Após o cessar-fogo, foram registrados ao menos 385 mortos e 685 feridos.
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