Há escolhas políticas que passam despercebidas. Outras, pela simbologia que carregam, merecem ser discutidas abertamente pela sociedade.
É o caso das chapas ao Senado apresentadas pelo PL no Distrito Federal.
Bia Kicis escolheu o próprio filho, Samuel Kicis de Sordi, como primeiro suplente. Michelle Bolsonaro escolheu o irmão, Diego Torres Dourado, também para a primeira suplência. A informação foi confirmada pelos registros das candidaturas.
É legal? Sim.
Mas uma coisa é a legalidade. Outra, completamente diferente, é a legitimidade política e a mensagem que essa escolha transmite ao eleitor.
A suplência não é um detalhe. O suplente pode assumir o mandato em determinadas situações. Portanto, quando o eleitor vota em um candidato ao Senado, também está escolhendo quem poderá ocupar aquela cadeira em caso de afastamento, renúncia ou outra hipótese prevista na legislação.
E aqui está a pergunta que precisa ser feita:
Por que, entre tantos nomes da política, da sociedade civil, dos movimentos sociais, dos setores produtivos e das diferentes regiões do Distrito Federal, as duas candidatas escolheram justamente familiares tão próximos para ocupar a primeira suplência?
Não estamos dizendo que parentes não possam participar da política. Podem.
O problema é outro: quando duas candidaturas do mesmo grupo político adotam praticamente a mesma estratégia, colocando familiares diretos na posição imediatamente ligada ao mandato, o eleitor tem o direito de questionar o modelo político que está sendo apresentado.
Isso não é perseguição. É democracia.
E o debate ganha ainda mais importância porque Bia Kicis e Michelle Bolsonaro não estão isoladas nessa disputa. As duas fazem parte do projeto político do PL para o Senado e receberam apoio público de Celina Leão, que trabalha para eleger a dupla e consolidar uma determinada composição política para representar o Distrito Federal no Senado.
Quem o eleitor está elegendo?
Essa é a pergunta que precisa chegar às ruas.
O eleitor está escolhendo duas representantes para defender os interesses de Brasília no Senado Federal?
Ou está ajudando a fortalecer estruturas políticas nas quais família, grupo e projeto de poder caminham cada vez mais juntos?
A política brasileira já conhece há décadas os efeitos da concentração de poder em determinados grupos familiares. E o Distrito Federal não pode tratar esse assunto como se fosse apenas uma questão de preferência pessoal.
Senado não é herança. Mandato não é patrimônio familiar.
A cadeira pertence ao povo.
É o cidadão que paga impostos, enfrenta filas nos hospitais, depende do transporte público, sofre com a falta de vagas em creches, convive com problemas de segurança e espera por serviços públicos de qualidade.
É esse cidadão que precisa saber quem estará de fato representando seus interesses em Brasília e quem poderá assumir o mandato caso o titular deixe a cadeira.
Não há ilegalidade em escolher um parente.
Mas existe, sim, uma discussão política legítima sobre a concentração de oportunidades, representatividade e poder dentro de determinados grupos.
E essa discussão não deve ser abafada por rótulos de esquerda ou direita.
Porque antes de ser de esquerda, direita, centro ou qualquer outra coisa, o eleitor é cidadão.
E cidadão tem o direito de perguntar.
A pergunta está colocada:
Senado para representar o Distrito Federal ou Senado para fortalecer projetos políticos
🖋️ Edição: Ceilândia em Alerta — Jornal TaguaCei
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização, redação e aprimoramento do texto, a partir das informações apresentadas no vídeo e de pesquisa complementar. O conteúdo passou por revisão editorial antes da publicação.



