As eleições regionais nos Estados Unidos marcaram uma virada significativa na política norte-americana e mostraram um possível cansaço dos eleitores em relação ao trumpismo. Em meio a um shutdown que já dura 37 dias — o mais longo da história do país —, o Partido Democrata conquistou vitórias expressivas em três estados estratégicos: Nova York, Nova Jersey e Virgínia.
Os resultados revelam um esgotamento do discurso polarizador de Donald Trump e uma reaproximação entre o eleitorado e candidatos focados em temas cotidianos, como custo de vida, moradia e emprego.
A pesquisa CNN/SSRS, divulgada no início da semana, já havia reforçado essa percepção: o índice de aprovação de Trump caiu para 37%, o menor desde o início do segundo mandato. A desaprovação subiu a 63%, impulsionada pela crise administrativa e pela paralisação do governo federal. Cerca de 61% dos americanos também disseram acreditar que o presidente “extrapolou suas atribuições” no uso do poder presidencial.
Vitórias simbólicas de democratas e sinais de mudança
Na Virgínia, a democrata Abigail Spanberger, ex-agente da CIA e moderada, venceu com ampla vantagem ao prometer “estabilidade e diálogo”.
Em Nova Jersey, Mikie Sherrill, também centrista, conquistou o governo defendendo pautas econômicas e de segurança pública. Já em Nova York, a vitória de Zohran Mamdani, muçulmano e socialista de 34 anos, representou um marco histórico, tornando-se o primeiro prefeito muçulmano da cidade.
As campanhas democratas deste ciclo apostaram em pautas simples, mas eficazes.
Spanberger falou diretamente aos servidores públicos da Virgínia, duramente afetados pela paralisação do governo. Sherrill explorou a crise imobiliária e o endividamento familiar. E Mamdani mobilizou jovens e minorias com uma mensagem clara: “Salve o seu salário.”
Em Nova York, o prefeito eleito quer congelar aluguéis e criar uma rede de cooperativas alimentares municipais.
O discurso do novo prefeito ecoa entre jovens e imigrantes — dois grupos que haviam se afastado dos democratas.
Trump reage e reforça o discurso de confronto
Em meio à ressaca eleitoral, Donald Trump reagiu com ironia e ataques. Em evento empresarial em Miami, o presidente classificou Mamdani como “comunista” e disse que a vitória dele “representa o verdadeiro rosto do Partido Democrata”.
“Pulamos a etapa dos socialistas e colocamos os comunistas no lugar deles”, afirmou.“Se quiserem ver o futuro dos democratas, olhem para Nova York.”
Apesar do tom inflamado, Trump admitiu, em reunião com congressistas, que a paralisação do governo e a ausência do nome dele nas cédulas “foram fatores negativos” para os republicanos.
“Foram zonas muito democratas. Não acho que tenha sido bom para os republicanos. Mas aprendemos muito”, declarou.
Ainda assim, o republicano responsabilizou a oposição pelo impasse orçamentário. “Os democratas radicais não demonstraram qualquer interesse em reabrir o governo. Tornaram-se kamikazes políticos”, disse Trump.
A insistência de Trump em manter o shutdown — iniciado por disputa sobre o orçamento da segurança de fronteira — começa a desgastar a base republicana, especialmente entre servidores públicos e famílias afetadas pela suspensão de salários.

Novo mapa para o futuro democrata
- Enquanto Trump tenta conter danos, os democratas aproveitam o momento para reorganizar o terreno.
- Na Califórnia, o governador Gavin Newsom conseguiu aprovar um novo mapa eleitoral que deve garantir pelo menos cinco cadeiras extras ao partido na Câmara dos Representantes.
- O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, resumiu o sentimento de euforia: “Os republicanos acordaram e perceberam que o tempo deles acabou. O povo americano já não aguenta mais o extremismo, as mentiras e os excessos do trumpismo.”
Republicano teme o avanço de Mamdani
Para o jornalista e observador da Casa Branca Fernando Hessel, a reação de Trump vai além da política imediata. “Ele (Trump) vai usar toda a sua energia para tentar inviabilizar o prefeito logo no início, antes que ele cresça ainda mais no cenário nacional”,
Segundo Hessel, Trump já sabia há meses que Mamdani venceria, mas preferiu ignorar. Agora o republicano busca transformar o revés em um novo show de poder.
“As eleições deixaram claro que os democratas continuam dominando as grandes cidades americanas, com apenas nove prefeitos republicanos entre as cinquenta maiores metrópoles do país. Mais do que uma disputa local, o resultado é o retrato mais fiel do desgaste de sua influência política diante de um eleitor que hoje prioriza custo de vida, moradia e saúde”, avalia.
Originalmente publicado no portal Metrópoles
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