Irã desafia ultimato dos EUA e escalada militar se agrava

A poucas horas de se esgotar o prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos para um acordo com o Irã, nenhum efeito foi observado até o momento em relação ao ultimato estabelecido por Donald Trump às autoridades iranianas. Para o Paquistão, mediador, a situação “é crítica”.

Na madrugada desta terça-feira (7/4), Teerã e arredores voltaram a ser sacudidos por explosões. Ao mesmo tempo, a defesa aérea israelense entrou em ação para interceptar mísseis provenientes do Irã.

Na segunda-feira (6/4), Donald Trump voltou a ameaçar destruir as infraestruturas essenciais do Irã caso Teerã não dê uma resposta até as 20h, pelo horário de Washington (21h em Brasília).

Teerã rejeitou o plano de 15 pontos dos EUA e um cessar-fogo intermediado pelo Paquistão e outros países, incluindo Egito, Turquia e Catar.

O regime iraniano apresentou seu próprio plano de 10 pontos, que inclui garantias de que não haveria mais ataques contra o Irã no futuro; reparações de guerra pagas pelos Estados Unidos e pelas monarquias árabes do Golfo Pérsico; controle do Estreito de Ormuz em cooperação com Omã; o fim de todos os conflitos na região, incluindo os ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano; a continuidade de seus programas nucleares e de mísseis balísticos; e o levantamento de todas as sanções americanas e internacionais.

“Estamos prontos para lutar por mais seis meses”, declararam oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica, acrescentando que o Irã também poderia fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, localizado no norte do Oceano Índico e que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, com a ajuda das forças no Iêmen.

No entanto, o embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, classificou de “crítica” e “delicada” a atual etapa nos esforços para o fim da guerra.

Enquanto as discussões diplomáticas patinam, Israel confirmou uma onda de ataques visando infraestruturas iranianas, entre elas o maior complexo petroquímico do sul do Irã, responsável por cerca de metade da produção do setor no país.

Segundo a agência estatal de notícias Mehr, a sinagoga de Rafi-Nia, em Teerã, foi completamente destruída em bombardeios na manhã desta terça-feira.

Israel também pediu que os iranianos não usem trens até esta noite, deixando a entender que poderá atacar a rede ferroviária do país.

Um combatente do Hezbollah, pró-Irã, foi morto em um ataque no Iraque, perto da fronteira com a Síria, nesta terça-feira, anunciou em comunicado uma coalizão de ex-paramilitares, que acusou os Estados Unidos e Israel.

Evitar uma “tragédia”

Para demonstrar sua determinação, o Irã lançou ataques noturnos contra bases americanas, bem como contra grandes instalações petroquímicas na região do Golfo Pérsico.

Mísseis foram disparados nesta terça-feira em direção à Arábia Saudita, onde um complexo petroquímico foi atingido, e aos Emirados Árabes Unidos.

O Ministério da Defesa saudita anunciou a interceptação de sete mísseis balísticos, cujos destroços caíram perto da infraestrutura elétrica. A ponte entre a Arábia Saudita e o Bahrein, a única ligação rodoviária entre os dois países, foi fechada “por precaução”.

As autoridades dos Emirados Árabes Unidos também indicaram que estavam respondendo a ataques com mísseis e drones.

O embaixador iraniano no Kuwait apelou aos países do Golfo para que façam todo o possível para evitar uma “tragédia”.

Civis mortos no Curdistão

Um casal de civis foi morto no Curdistão iraquiano quando um drone de fabricação iraniana, carregado com explosivos, caiu sobre sua casa, segundo autoridades locais da região curda do Iraque, que também foi atingida por explosões.

Duas delas foram ouvidas perto do aeroporto de Erbil, que abriga integrantes da coalizão antijihadista liderada pelos EUA, na região do Curdistão, no norte do Iraque, informou um jornalista da AFP.

Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram a autoria de um novo ataque contra Israel. Os rebeldes afirmam ter lançado, em conjunto com o Irã e o Hezbollah libanês, um ataque “tendo como alvos vários locais vitais e militares pertencentes ao inimigo israelense”.

Com informações do portal Metrópoles

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