Fábio Felix é o mais votado no DF, mas não consegue eleger outro nome do PSOL para a Câmara

Fábio Felix durante sessão na Câmara Legislativa do Distrito Federal
Foto: Sara Marques/Agência CLDF Texto alternativo: Fábio Felix durante sessão na Câmara Legislativa do Distrito Federal

TaguaCei — Fábio Felix foi o candidato mais votado para deputado federal no Distrito Federal nas eleições de domingo (4), com 224.224 votos, mas a votação expressiva não foi suficiente para eleger outro candidato do PSOL. O resultado está relacionado às regras de distribuição de cadeiras da Câmara dos Deputados, que consideram tanto a votação dos partidos e federações quanto o desempenho individual dos candidatos.

A segunda candidatura mais votada da federação PSOL-Rede foi a de Enfermeira Karine, que recebeu 4.366 votos. Para ocupar uma cadeira a partir da distribuição das vagas, porém, era necessário alcançar pelo menos 10% do quociente eleitoral, o equivalente a cerca de 20,7 mil votos no DF.

Na prática, a votação de Fábio Felix ficou muito concentrada em sua própria candidatura. Embora a federação PSOL-Rede tenha alcançado 239.437 votos, os demais candidatos não atingiram a votação individual mínima exigida para aproveitar uma eventual vaga obtida pelo grupo.

Como funciona o sistema de distribuição

A eleição para deputado federal utiliza o sistema proporcional. O número de cadeiras destinadas a cada partido ou federação depende do chamado quociente eleitoral e, posteriormente, da distribuição das sobras.

O Distrito Federal possui oito cadeiras na Câmara. Em 2026, foram registrados 1.659.057 votos válidos para deputado federal. A divisão desse total por oito resultou em um quociente eleitoral de aproximadamente 207.382 votos.

Depois, a votação de cada partido ou federação é considerada para definir inicialmente quantas cadeiras o grupo pode ocupar. Na etapa seguinte, os candidatos mais votados são chamados para preencher essas vagas, desde que tenham alcançado pelo menos 10% do quociente eleitoral.

É nesse ponto que a votação de Fábio Felix não conseguiu beneficiar outro nome do PSOL.

A federação PSOL-Rede teve votos suficientes para garantir uma cadeira e ainda teria condições de disputar uma vaga pelas sobras. No entanto, sem outro candidato atingir os aproximadamente 20,7 mil votos individuais exigidos, a legenda não conseguiu ocupar a vaga adicional.

PL e PT-PV-PCdoB tiveram resultados diferentes

O cenário foi diferente para o PL, que somou 448.883 votos no DF e conseguiu eleger três deputados federais.

Alberto Fraga foi o terceiro candidato mais votado, com 118.579 votos. Já o senador Izalci Lucas recebeu 88.056 votos e também conquistou uma cadeira. Nesse caso, a votação acumulada pelo partido foi fundamental para a composição da bancada.

A federação PT-PV-PCdoB também conseguiu duas cadeiras. Agnelo Queiroz (PT) recebeu 43.542 votos, enquanto Reginaldo Veras (PV) teve 43.179.

A diferença de apenas 363 votos entre os dois não explica sozinha a eleição de Reginaldo. A cadeira foi definida dentro do sistema proporcional, levando em consideração o conjunto de votos obtidos pela federação e a distribuição das vagas.

Por que um candidato muito votado pode não eleger um colega?

O chamado “puxador de votos” ocorre quando um candidato recebe uma votação muito acima da necessária e contribui para que seu partido ou federação conquiste mais cadeiras.

Mas essa transferência não é automática.

Um candidato pode receber centenas de milhares ou até milhões de votos e, ainda assim, não conseguir eleger um colega se os demais nomes da legenda não atingirem os critérios individuais estabelecidos pela legislação eleitoral.

É por isso que a votação de Fábio Felix, apesar de expressiva, não foi suficiente para levar outro candidato do PSOL à Câmara pelo DF.

A lógica também ajuda a explicar por que candidatos com menos votos individuais podem ser eleitos enquanto nomes mais votados ficam de fora. O sistema considera primeiro a votação coletiva das legendas e, depois, os critérios individuais e as chamadas sobras eleitorais.

Situação semelhante ocorreu em outros estados

O fenômeno não ficou restrito ao Distrito Federal. Em São Paulo, a deputada Erika Hilton também teve votação muito elevada, mas o PSOL encontrou dificuldade para transformar toda a força eleitoral da candidata em mais cadeiras porque outros candidatos da legenda não alcançaram o percentual mínimo exigido.

Em Minas Gerais, ocorreu um cenário diferente. O PL conseguiu transformar a votação expressiva de Nikolas Ferreira, que ultrapassou 3 milhões de votos, em uma bancada de 21 deputados federais.

O resultado mostra que a quantidade de votos de um candidato é importante, mas não determina sozinha quantas cadeiras seu partido terá na Câmara. A distribuição depende do conjunto de votos da legenda e das regras do sistema proporcional.

A Justiça Eleitoral utiliza os cálculos oficiais para definir a distribuição das cadeiras e divulgar os resultados finais das eleições.

Fonte: g1

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