Gordura corporal também é essencial para a saúde; entenda por quê

Pessoa mede a região abdominal enquanto o texto aborda as funções da gordura corporal no organismo.
Foto: Getty Images

TaguaCei — A gordura corporal costuma ser associada apenas ao ganho de peso e a problemas de saúde, mas ela exerce funções importantes no organismo. Especialistas alertam que, embora o excesso possa aumentar o risco de diversas doenças, tentar reduzir a gordura a níveis extremamente baixos também pode trazer consequências.

A gordura corporal funciona como uma reserva de energia. Quando o organismo recebe mais nutrientes do que consegue utilizar naquele momento, as células adiposas, chamadas adipócitos, armazenam esse excedente na forma de lipídios.

No entanto, o tecido adiposo não é apenas um depósito de energia. Ele é considerado um órgão metabolicamente ativo e participa da regulação de diferentes funções do corpo.

Produção de hormônios

Uma das funções da gordura corporal é a produção de hormônios que ajudam o organismo a controlar a quantidade de energia disponível.

Entre eles está a leptina, que informa ao cérebro sobre as reservas energéticas do corpo. Quando há energia suficiente armazenada, esse mecanismo permite que o organismo mantenha outras funções importantes, como a reprodução e a resposta imunológica.

A gordura também contribui para a manutenção da temperatura corporal. A gordura branca funciona como uma espécie de isolamento térmico, enquanto os tecidos adiposos marrom e bege possuem células capazes de produzir calor a partir do gasto de energia.

Pouca gordura também pode ser um problema

Os riscos associados ao excesso de gordura são conhecidos e incluem maior probabilidade de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e osteoartrite.

Por outro lado, uma quantidade muito baixa de gordura, especialmente quando resultado de restrição alimentar severa, também pode prejudicar o organismo.

Quando as reservas energéticas ficam muito reduzidas, o corpo tende a economizar energia. Em situações extremas, pode ocorrer redução da função imunológica, perda de massa muscular e interrupção de processos relacionados à formação e manutenção dos ossos.

A consequência pode ser maior fragilidade e risco de fraturas. Alterações hormonais também podem ocorrer.

Em homens submetidos a uma alimentação cronicamente insuficiente, por exemplo, os níveis de testosterona podem cair, acompanhados de redução de energia e desempenho físico. Entre mulheres atletas com gordura corporal muito baixa, podem ocorrer alterações ou interrupção da menstruação.

Não existe percentual ideal para todos

A quantidade considerada saudável de gordura corporal varia de acordo com características individuais, como sexo, idade e composição corporal.

De maneira geral, homens adultos saudáveis costumam apresentar entre 10% e 20% de gordura corporal, enquanto mulheres adultas saudáveis ficam aproximadamente entre 20% e 29%. Esses valores são referências gerais e não representam uma faixa ideal universal.

Entre atletas, os percentuais costumam ser menores. Pesquisas com centenas de esportistas encontraram índices mínimos de aproximadamente 10% em homens e 16% em mulheres.

Por isso, buscar níveis extremamente baixos de gordura apenas para obter um corpo mais definido pode não ser uma estratégia adequada para a saúde.

A localização da gordura também importa

Além da quantidade, o local onde a gordura está armazenada é relevante.

A chamada gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos internos, é considerada especialmente preocupante quando está presente em excesso. Ela pode liberar substâncias inflamatórias, interferir na ação da insulina e contribuir para o aumento da pressão arterial e do risco de diabetes tipo 2.

Já a gordura localizada sob a pele exerce funções diferentes e não deve ser confundida diretamente com a gordura visceral.

Como avaliar a composição corporal

Existem diferentes métodos para estimar a quantidade de gordura do organismo. O exame de composição corporal por DEXA é considerado mais detalhado porque consegue diferenciar gordura, massa muscular e massa óssea, embora dependa de equipamentos específicos.

As medições por dobras cutâneas e as balanças de bioimpedância são alternativas mais acessíveis, mas apresentam limitações e podem sofrer influência de fatores como hidratação.

Também é possível acompanhar medidas como a circunferência da cintura e a relação entre cintura e altura, que ajudam a avaliar a concentração de gordura na região abdominal.

O índice de massa corporal (IMC), por sua vez, não consegue distinguir gordura de massa muscular e, por isso, não deve ser interpretado isoladamente como medida da composição corporal.

O equilíbrio é mais importante

Com o envelhecimento, é comum que a quantidade de gordura corporal aumente enquanto massa muscular e óssea diminuem. Por isso, manter uma alimentação adequada e praticar atividade física, especialmente exercícios de força, pode contribuir para preservar a composição corporal e a saúde.

A principal recomendação dos especialistas é evitar tanto o excesso quanto a busca por níveis extremos de gordura corporal.

Mais do que eliminar a gordura, o objetivo deve ser manter uma composição corporal compatível com as necessidades individuais e preservar as funções desempenhadas pelo tecido adiposo no organismo.

Fonte: Correio Braziliense

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