TaguaCei — Crianças devem sofrer impactos desproporcionais do El Niño, segundo alerta divulgado pelo Unicef nesta quinta-feira (8). Por estarem em fase de desenvolvimento, elas são mais vulneráveis a eventos climáticos extremos e a problemas relacionados à saúde, alimentação e acesso a serviços básicos.
O relatório aponta riscos de aumento da desnutrição aguda grave, além de surtos de cólera, dengue e malária. Também há preocupação com interrupções em serviços de saúde e nas cadeias de refrigeração utilizadas para conservar vacinas.
Segundo o Unicef, crianças são particularmente sensíveis ao calor extremo, à desidratação, à fumaça, à má alimentação e às doenças relacionadas às alterações de temperatura e dos padrões de chuva.
Principais impactos na saúde
Entre os efeitos associados ao fenômeno climático estão o aumento de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e outras arboviroses, devido às condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti.
As perdas agrícolas também podem elevar o preço dos alimentos e ampliar a insegurança alimentar. Outro risco é a redução da disponibilidade de água potável e a ocorrência de danos em sistemas de saneamento.
Eventos climáticos extremos ainda podem interromper aulas, programas de alimentação escolar e outros serviços destinados às crianças.
Meninas estão entre as mais vulneráveis
O relatório destaca que meninas podem enfrentar impactos ainda maiores. Entre os fatores estão a sobrecarga de tarefas domésticas, como a coleta de água, o risco de abandono escolar e a exposição à violência de gênero e ao casamento infantil.
Durante a seca registrada entre 2020 e 2023 no Chifre da África, por exemplo, o casamento infantil aumentou 119%, segundo o documento.
Situação no Brasil
No Brasil, os efeitos do El Niño no clima podem variar de acordo com a região. O Sul pode enfrentar chuvas intensas, inundações, danos a estruturas de saneamento e aumento do risco de doenças como dengue e cólera.
Na região Norte, o cenário previsto é diferente, com possibilidade de seca severa, temperaturas elevadas e maior risco de incêndios florestais.
Preparação é considerada prioridade
O Unicef defende que as autoridades se antecipem aos efeitos mais graves do fenômeno. Entre as medidas recomendadas estão a preparação para desastres, sistemas de alerta precoce, proteção de fontes de água e treinamento de profissionais e unidades de saúde.
A entidade também recomenda manter medicamentos e insumos disponíveis, fortalecer mecanismos de proteção social e identificar previamente famílias e comunidades em situação de maior vulnerabilidade.
“Esperar a escola fechar, o posto de saúde ficar isolado ou uma comunidade perder acesso à água para começar a agir é chegar tarde”, afirma Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil.
Segundo ele, a preparação antecipada permite uma resposta mais rápida e reduz os riscos de que uma emergência climática se transforme em uma crise ainda maior para as crianças.
Investimentos em prevenção
A longo prazo, o relatório recomenda o fortalecimento dos sistemas nacionais para antecipar e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
O Unicef também defende investimentos em estruturas de saúde, educação e abastecimento de água mais resistentes às mudanças climáticas.
A organização estima que cada dólar investido em prevenção e redução de riscos pode representar uma economia de até US$ 15 em gastos posteriores com recuperação.
Fonte: Metrópoles



