Unicef alerta para impacto desproporcional do El Niño sobre crianças

Imagem de oceano sob a luz do sol, relacionada aos efeitos do fenômeno El Niño.
Foto: Unsplash

TaguaCei — Crianças devem sofrer impactos desproporcionais do El Niño, segundo alerta divulgado pelo Unicef nesta quinta-feira (8). Por estarem em fase de desenvolvimento, elas são mais vulneráveis a eventos climáticos extremos e a problemas relacionados à saúde, alimentação e acesso a serviços básicos.

O relatório aponta riscos de aumento da desnutrição aguda grave, além de surtos de cólera, dengue e malária. Também há preocupação com interrupções em serviços de saúde e nas cadeias de refrigeração utilizadas para conservar vacinas.

Segundo o Unicef, crianças são particularmente sensíveis ao calor extremo, à desidratação, à fumaça, à má alimentação e às doenças relacionadas às alterações de temperatura e dos padrões de chuva.

Principais impactos na saúde

Entre os efeitos associados ao fenômeno climático estão o aumento de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e outras arboviroses, devido às condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti.

As perdas agrícolas também podem elevar o preço dos alimentos e ampliar a insegurança alimentar. Outro risco é a redução da disponibilidade de água potável e a ocorrência de danos em sistemas de saneamento.

Eventos climáticos extremos ainda podem interromper aulas, programas de alimentação escolar e outros serviços destinados às crianças.

Meninas estão entre as mais vulneráveis

O relatório destaca que meninas podem enfrentar impactos ainda maiores. Entre os fatores estão a sobrecarga de tarefas domésticas, como a coleta de água, o risco de abandono escolar e a exposição à violência de gênero e ao casamento infantil.

Durante a seca registrada entre 2020 e 2023 no Chifre da África, por exemplo, o casamento infantil aumentou 119%, segundo o documento.

Situação no Brasil

No Brasil, os efeitos do El Niño no clima podem variar de acordo com a região. O Sul pode enfrentar chuvas intensas, inundações, danos a estruturas de saneamento e aumento do risco de doenças como dengue e cólera.

Na região Norte, o cenário previsto é diferente, com possibilidade de seca severa, temperaturas elevadas e maior risco de incêndios florestais.

Preparação é considerada prioridade

O Unicef defende que as autoridades se antecipem aos efeitos mais graves do fenômeno. Entre as medidas recomendadas estão a preparação para desastres, sistemas de alerta precoce, proteção de fontes de água e treinamento de profissionais e unidades de saúde.

A entidade também recomenda manter medicamentos e insumos disponíveis, fortalecer mecanismos de proteção social e identificar previamente famílias e comunidades em situação de maior vulnerabilidade.

“Esperar a escola fechar, o posto de saúde ficar isolado ou uma comunidade perder acesso à água para começar a agir é chegar tarde”, afirma Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil.

Segundo ele, a preparação antecipada permite uma resposta mais rápida e reduz os riscos de que uma emergência climática se transforme em uma crise ainda maior para as crianças.

Investimentos em prevenção

A longo prazo, o relatório recomenda o fortalecimento dos sistemas nacionais para antecipar e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.

O Unicef também defende investimentos em estruturas de saúde, educação e abastecimento de água mais resistentes às mudanças climáticas.

A organização estima que cada dólar investido em prevenção e redução de riscos pode representar uma economia de até US$ 15 em gastos posteriores com recuperação.

Fonte: Metrópoles

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Artigos Relacionados:
Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *