Aos 57 anos, Carla Marins não se rende à passagem dos dias, mas dialoga com eles. Há quatro décadas, aquela adolescente que estreava na televisão na novela Hipertensão, em 1986, sob o olhar atento de Ivani Ribeiro, talvez não imaginasse que faria da própria trajetória um exercício contínuo de reinvenção. Hoje, entre reprises, novos personagens e reflexões sobre maturidade, ela retorna ao centro da cena com a mesma intensidade — agora temperada por consciência, experiência e liberdade — como Xênica em Três Graças.
A nova personagem marca o retorno à teledramaturgia da TV Globo após 12 anos. “Eu estava com vontade de fazer uma novela na Globo novamente. A Globo é minha primeira e longeva referência profissional, atuei em diversas obras dos 17 aos 37 anos. Esse retorno vem coroar um momento pessoal ótimo, profissionalmente será a junção da experiência e da maturidade com a energia e a animação da juventude”, comemora a veterana atriz.
A televisão brasileira cresceu com Carla. Na Globo, construiu uma carreira sólida ao longo de 20 anos consecutivos, atravessando universos dramáticos assinados por autores como Aguinaldo Silva, Dias Gomes, Walcyr Carrasco, Walter Negrão e Manoel Carlos. De forma inesquecível, foi Joyce, em História de amor, a adolescente grávida que confrontava a mãe e o próprio destino, em um dos retratos mais sensíveis da juventude nos anos 1990. Mas foi também mulher, filha, amante, heroína e contraditória em dezenas de histórias que ajudaram a moldar o imaginário do público.
Após a novela Morde e assopra (2011), fora da Globo, ampliou sua cartografia artística. No SBT, protagonizou Uma rosa com amor, dando nova vida à icônica Serafina Rosa Petrone. Na Record, deu sua contribuição às produções bíblicas em Gênesis e Apocalipse. No cinema, colheu reconhecimento internacional: venceu como melhor atriz no Brazilian Film Festival of Toronto com Subsolo e foi premiada por Jogo de xadrez em festivais e pela Associação Brasileira de Cinematografia.
Carla Marins, atriz(foto: Rodrigo Lopes)
Maternidade e maturidade
Mas, entre um papel e outro, Carla também aprendeu a existir fora dos holofotes. Aos 40 anos, descobriu a maternidade. Leon chegou quando a carreira estava consolidada e a mulher começava a se perguntar sobre os próximos capítulos da própria vida. Hoje, aos 16, o filho é expansão de sua identidade. “Vivi a maternidade como complemento, não como finalidade”, resume a geminiana. A frase ecoa em sua trajetória: Carla nunca permitiu que um único papel — profissional ou pessoal — a definisse por inteiro.
O hiato foi um intervalo silencioso, quase invisível ao grande público, mas fundamental para reorganizar desejos, afetos e prioridades. Quando o convite para Três Graças surgiu, pelas mãos do diretor Luiz Henrique Rios, o retorno à Globo soou menos como resgate e mais como coroação. “Esse retorno vem juntar maturidade com a energia da juventude”, diz. E não há contradição nisso. Carla retorna mais consciente do próprio tempo, menos refém da urgência, mais aliada da escuta.
Na novela assinada por Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva, ela vive Xênica — mulher madura, ativa, independente, dona da própria narrativa. Uma personagem que, em muitos aspectos, espelha sua intérprete. Profissionalmente realizada, emocionalmente complexa, mãe sem abrir mão da própria existência. “É um privilégio refletir nela minha experiência de vida. Ela viveu a maternidade como um complemento na vida, e não como uma finalidade única na vida de uma mulher”, afirma a intérprete.
Pela primeira vez na carreira, Carla encarna a mãe de um homem adulto, médico formado. Ao lado de Túlio Starling, que vive o herdeiro, Zé Maria, — “um ator com muita inteligência cênica e disponibilidade para troca” — construiu essa relação com cuidado quase artesanal. Improvisos, encontros, conversas, silêncios compartilhados. O resultado é uma cumplicidade visível na tela — feita menos de gestos óbvios e mais de pequenas delicadezas.
A trama, porém, não poupa Xênica. A prisão injusta do filho inaugura um arco dramático intenso, em que a personagem abandona a neutralidade e mergulha na luta. Movida pelo amor e pela indignação, ela enfrenta o poderoso Ferreti, vivido por Murilo Benício — seu patrão na trama. “É uma virada esse momento de posicionamento contrário ao esquema fraudulento de Ferreti. Ela sairá em defesa do filho e, movida pelo ódio, fará alianças e não descansará até desmascarar o vilão”, adianta. É, talvez, uma das faces mais contundentes da atriz: a mulher que não aceita o destino imposto.
Nem mesmo um romance surge como refúgio. Quando se envolve com o segurança Macedo (Rodrigo García), braço-direito do vilão, a relação nasce atravessada por estratégia e ambiguidade. Amor, aqui, é também ferramenta, risco e negociação.
Generosidade
Paralelamente ao presente, o passado volta a se projetar. Hipertensão, seu primeiro trabalho, ganha a primeira reprise no Globoplay Novelas. A jovem Carla retorna à tela, como um espelho de quatro décadas atrás. Ao se rever, ela sorri com delicadeza. Reconhece a inexperiência, os excessos, a busca por aprovação. Mas também enxerga algo essencial: a seriedade precoce, o compromisso, a entrega. “Aprendi a ser mais generosa comigo mesma”, diz. Uma conquista que talvez leve uma vida inteira.
Essa generosidade se estende à forma como enxerga a própria idade. Carla Marins fala sobre os 50 como quem descreve um território fértil. Um lugar de perguntas, revisões e recomeços. “Não é um fim, é um reinício”, afirma. Trabalha corpo e mente, cultiva presença, rejeita a ideia de apagamento. Para ela, maturidade não é sinônimo de recuo, mas uma expansão em outra frequência.
Com informações do Correio Braziliense
Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara
Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…
-
Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza
Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…
-
Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a
Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…
-
Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol
Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…
-
Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso
Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…
-
FMI eleva para 2,4% a projeção de crescimento do PIB brasileiro, apesar das tarifas impostas por Trump
Relatório destaca a resiliência da economia brasileira, melhora das perspectivas de crescimento e confiança nas políticas econômicas do país O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira e passou a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançará 2,4% em 2026, mesmo diante das incertezas provocadas…
-
Após caos no transporte, governo de São Paulo determina retorno temporário da CPTM às linhas concedidas à Trivia Trens
taguaci-operacionais nos primeiros dias de concessão levaram o Estado a reassumir, por 90 dias, a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade A operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltou temporariamente às mãos da empresa pública após uma sequência de falhas registradas nos primeiros dias de gestão…
-
Lula propõe pacto nacional pela ciência e afirma que inovação é caminho para um Brasil mais soberano
Presidente defende união entre governo, universidades, empresas e Congresso para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico, empregos e autonomia tecnológica O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a construção de um grande pacto nacional para colocar a ciência, a tecnologia e a inovação no centro da estratégia de desenvolvimento do Brasil. Durante encontro com pesquisadores,…











