Taguacei – Segundo informações divulgadas pelo Brasil 247, o Brasil registrou 2.643 denúncias de abuso sexual contra crianças de zero a seis anos nos primeiros seis meses de 2026. O número representa uma redução de 3,36% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 2.735 registros. Os dados foram extraídos do painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e divulgados originalmente em reportagem do Metrópoles.
O levantamento mostra uma concentração preocupante das ocorrências entre crianças de 3 a 6 anos. Essa faixa etária representa cerca de 75% dos registros de abuso sexual envolvendo a primeira infância nos dois períodos analisados.
Em 2026, as crianças de 5 anos aparecem no topo das estatísticas, com 553 notificações. Entre os bebês de até 1 ano, foram registrados 59 casos, enquanto recém-nascidos de até 28 dias contabilizaram quatro ocorrências.
Variações nos registros
A comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026 mostra mudanças importantes conforme a idade das vítimas.
Entre as crianças de 3 anos, por exemplo, o número de notificações caiu de 483 para 388 registros. Entre os recém-nascidos de até 28 dias, houve redução de sete para quatro casos.
Por outro lado, aumentaram os registros em que a idade da vítima não foi informada. O número passou de 128 ocorrências em 2025 para 186 em 2026.
Os dados reforçam a necessidade de atenção à violência sexual durante a primeira infância, período considerado de grande vulnerabilidade para o desenvolvimento físico, emocional e psicológico das crianças.
Impactos no desenvolvimento
A diretora-executiva da organização Childhood Brasil, Lais Peretto, destaca que a violência sexual contra bebês e crianças pequenas ocorre em uma fase de intenso desenvolvimento cerebral e pode provocar consequências psicológicas importantes.
Segundo a especialista, crianças muito pequenas podem apresentar impactos mesmo quando ainda não possuem capacidade de comunicação suficiente para relatar o que aconteceu.
O abuso sexual pode provocar consequências que ultrapassam o momento da violência e afetar o desenvolvimento emocional e psicológico da vítima.
Meninas são maioria entre as vítimas
Os dados também apontam uma diferença significativa entre os registros de acordo com o gênero.
No primeiro semestre de 2025, foram contabilizadas 1.862 denúncias envolvendo meninas, enquanto os meninos representaram 741 registros. Em 2026, foram 1.675 ocorrências envolvendo meninas e 677 envolvendo meninos.
Apesar da diferença, especialistas alertam para a possibilidade de subnotificação dos casos envolvendo vítimas do sexo masculino.
Lais Peretto destaca que fatores culturais e estereótipos relacionados às vítimas de violência sexual podem contribuir para que casos envolvendo meninos sejam menos denunciados.
Outro dado que chama atenção é o aumento das notificações em que o gênero da vítima não foi informado. Os registros passaram de 155 em 2025 para 271 em 2026.
Educação e prevenção
Especialistas defendem que a prevenção da violência sexual contra crianças deve envolver famílias, escolas, profissionais de saúde e toda a rede de proteção.
A diretora da Childhood Brasil também destaca a importância da educação sexual adequada à idade como uma ferramenta de proteção. Segundo ela, o acesso a informações apropriadas pode ajudar crianças e adolescentes a reconhecer situações de violência e procurar ajuda.
O Brasil possui mecanismos legais voltados à proteção da infância, entre eles o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei da Escuta Protegida, que estabelece procedimentos específicos para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
Ministério esclarece dados
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania explicou que os registros do Disque 100 são compilados a partir das informações fornecidas pelo denunciante durante o atendimento.
De acordo com a pasta, a classificação “não informado” é utilizada quando o denunciante não sabe o gênero da vítima, não possui essa informação no momento da ligação ou opta por não fornecê-la.
Por isso, o aumento dessa categoria não significa necessariamente uma mudança no perfil das vítimas nem indica, por si só, falha na coleta dos dados.
Os números reforçam a importância da denúncia e do funcionamento da rede de proteção para identificar situações de violência e garantir atendimento às vítimas.
Nota de transparência: Esta matéria foi reescrita com auxílio de inteligência artificial, a partir das informações divulgadas pelas fontes mencionadas, e passou por revisão editorial.



