A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), em parceria com o Instituto Alvorada Brasil, anunciou a programação oficial do 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A mais tradicional mostra cinematográfica do país ocupará o Cine Brasília entre os dias 12 e 20 deste mês, com agenda extensa e diversa, além de levar exibições para Planaltina, Gama e Ceilândia.
Esta edição marca também os 60 anos da primeira realização do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, iniciado em 1965 sob o nome de Semana do Cinema Brasileiro. Para 2025, o festival terá formato ampliado, com nove dias de atividades, incluindo um longa-metragem a mais na Mostra Competitiva Nacional e outro na Mostra Brasília.
Ao todo, serão exibidos 80 filmes, distribuídos em seis mostras: as tradicionais Competitiva Nacional e Mostra Brasília, e quatro paralelas — Caleidoscópio, Festival dos Festivais, Coletivas Identidades e História(s) do Cinema Brasileiro —, além do Festivalzinho e das sessões especiais. As projeções ocorrerão no Cine Brasília, no Complexo Cultural de Planaltina e nas unidades do Sesc no Gama e em Ceilândia.
O secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes, ressaltou a relevância do Festival de Brasília para o país, especialmente pela política de continuidade na gestão do evento. “A partir de uma inovação jurídica, conseguimos fazer um contrato mais extenso de três anos que nos dá uma possibilidade maior de planejamento e de captação. Como consequência, neste segundo ano da parceria, conseguimos devolver ao festival sua posição de protagonismo, junto a outros grandes festivais, como o de Gramado”, disse o gestor, antes de anunciar o lançamento de um concurso de projetos para a criação do Anexo do Cine Brasília.
“O festival se soma e se beneficia com este planejamento em longo prazo, que já traz muitos avanços de curadoria, visibilidade e operação”, complementa a diretora-geral do evento, Sara Rocha.
“As obras que serão apresentadas cruzam séculos da história brasileira, indo do nosso passado mais remoto a propostas de possíveis futuros, tentando encontrar os traços fundamentais da nossa formação como nação”
Eduardo Valente, diretor artístico da 58ª edição do Festival de Brasília
Seguindo a tradição, esta edição também contará com debates, seminários, oficinas, homenagens, solenidades de abertura e premiação, ambiente de mercado e oficinas gratuitas.
Com 1.702 filmes inscritos, sendo 1.396 curtas e 306 longas, o festival apresenta sete longas-metragens e 12 curtas na Mostra Competitiva Nacional; cinco longas e 11 curtas no 27º Troféu Câmara Legislativa – Mostra Brasília, dedicada às produções do DF; e mais de 30 títulos nas mostras paralelas.
Sob a direção artística de Eduardo Valente, a 58ª edição do Festival de Brasília propõe um olhar amplo sobre o cinema e a sociedade brasileira em 2025. “Na Mostra Competitiva Nacional temos filmes de 14 estados diferentes da federação, cobrindo todas as cinco regiões do país. Essa amplitude de origens geográficas não foi um pressuposto curatorial, mas a seleção reforça o objetivo do Festival de Brasília de servir de plataforma para olhares múltiplos e complementares”, disse.
Valente destacou ainda a diversidade temporal das narrativas: “As obras que serão apresentadas cruzam séculos da história brasileira, indo do nosso passado mais remoto a propostas de possíveis futuros, tentando encontrar os traços fundamentais da nossa formação como nação, chamando a atenção para suas incompletudes, contradições e injustiças”.
A Mostra Brasília distribuirá R$ 298.473,77 em prêmios concedidos pelos júris oficial e popular por meio do 27º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal
Outro ponto de destaque é a equidade de gênero na direção dos filmes. Muitos trabalhos trazem perspectivas racializadas, assinadas por realizadores indígenas e negros de diferentes gêneros, ampliando a multiplicidade de visões tanto nas telas quanto nos bastidores.
Os selecionados para as mostras competitivas nacionais receberão cachês de R$ 30 mil para longas-metragens e R$ 10 mil para curtas. Já os filmes exibidos nas mostras paralelas e em sessões hors concours também terão remuneração.
A Mostra Brasília distribuirá R$ 298.473,77 em prêmios concedidos pelos júris oficial e popular por meio do 27º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Na cerimônia de abertura, na sexta-feira, será exibido o novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto, protagonizado por Wagner Moura e premiado em duas categorias no Festival de Cannes, na França, e no Festival de Cine de Lima, no Peru.
O encerramento do evento terá a exibição do longa brasiliense A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo. O filme, com trajetória internacional, já passou por importantes eventos, como o Festival de Berlim, e recebeu prêmios como o de Melhor Filme do Júri Infantil no 43º Festival Internacional de Cinema do Uruguai.
Mostras Paralelas
O 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro apresenta uma programação diversificada por meio de suas mostras paralelas. A mostra Caleidoscópio exibe cinco longas-metragens que desafiam convenções de gênero cinematográfico, transitando entre ficção, não ficção, experimental e animação, com produções oriundas de cinco estados brasileiros.
Fora das mostras, o Cine Brasília recebe sessões especiais em homenagem a personalidades e obras fundamentais. A programação inclui retratos de artistas como Cacá Diegues e Sérgio Mamberti
A mostra Festival dos Festivais, tradicional no evento, reúne cinco trabalhos de não ficção premiados em importantes encontros de 2025, como a Mostra de Tiradentes, o Panorama Coisa de Cinema, o CachoeiraDoc, o In-Edit e o Olhar de Cinema, apresentando formatos variados, do autorretrato ao retrato biográfico.
Inédita, a mostra Coletivas Identidades traz três trabalhos urgentes que provocam debates sobre questões sociais relevantes, como conflitos territoriais e religiosos, no Brasil e no mundo. Já a mostra História(s) do Cinema Brasileiro oferece um panorama do passado e do presente de nosso cinema, com três longas que não apenas registram gerações decisivas de cineastas brasileiros, como também buscam apontar novas propostas para essa trajetória.
Para marcar os 60 anos do Festival em 2025, serão exibidos dois longas da Semana do Cinema Brasileiro, evento que deu origem ao Festival de Brasília em 1965: São Paulo S/A (em nova cópia 4K) e A Falecida, que consagrou Fernanda Montenegro. Além disso, haverá uma sessão especial com três curtas de Kleber Mendonça Filho já exibidos em edições anteriores.
Sessões especiais
Fora das mostras, o Cine Brasília recebe sessões especiais em homenagem a personalidades e obras fundamentais. A programação inclui retratos de artistas como Cacá Diegues e Sérgio Mamberti, uma revisitação do trabalho da Caravana Farkas e o mais recente filme de Lúcia Murat, homenageada com o Prêmio Leila Diniz nesta edição.
Além de oficinas e exibições paralelas, o 58º Festival de Brasília confirma a realização da sétima edição do Ambiente de Mercado, voltado para pitchings e rodadas de negócios
Será prestada também uma homenagem ao crítico e cineasta Jean-Claude Bernardet, que faleceu neste ano, com a exibição de quatro de seus curtas-metragens realizados em parceria com o cineasta Fábio Rogério.
Outra sessão especial celebrará o cinema brasiliense, com a reapresentação de um curta que completa 25 anos de sua estreia no festival e a exibição do novo longa da cineasta local Cibele Amaral, que reflete sobre o fazer cinematográfico e o futuro da sociedade.
Além disso, três clássicos brasileiros recentemente restaurados, digitalizados e relançados em novas cópias serão exibidos, entre eles Terceiro Milênio, de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer.
Os Homenageados
O primeiro Troféu Candango desta edição será entregue à grande homenageada do Festival de Brasília de 2025, a veterana atriz Fernanda Montenegro, premiada pelo conjunto da obra. A atriz participou da primeira edição do Festival, ainda chamado Semana do Cinema Brasileiro, e recebeu o primeiro prêmio de Melhor Atriz com o filme A Falecida. Ao longo de seis décadas, esteve em mais de 15 edições, consolidando sua presença como um dos grandes nomes do cinema nacional.
O Troféu Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV) de 2025 será concedido ao ator brasiliense Chico Sant’Anna, que tem mais de 40 anos de carreira dedicados ao teatro e ao cinema.
O Prêmio Leila Diniz vai reconhecer a cineasta Lúcia Murat por sua trajetória no cinema brasileiro.
Já a Medalha Paulo Emílio Salles Gomes será entregue à pesquisadora Ivana Bentes. A homenagem é concedida anualmente a figuras com trajetórias reconhecidas e consolidadas no âmbito de atividades que Paulo Emílio, criador do festival, exerceu de forma marcante: a crítica, a preservação, o pensamento e o ensino de cinema
Ambiente de Mercado
Além de oficinas e exibições paralelas, o 58º Festival de Brasília confirma a realização da sétima edição do Ambiente de Mercado, voltado para pitchings e rodadas de negócios, com participação de players do setor audiovisual nacional e internacional.
Também retorna a Conferência Nacional do Audiovisual, retomada no ano passado como um fórum de debates sobre políticas públicas para o setor, aberta ao público.
Mostra Competitiva Nacional – Longas
· Morte e Vida Madalena, de Guto Parente (CE)
· Xingu à Margem, de Wallace Nogueira e Arlete Juruna (BA)
· Quatro Meninas, de Karen Suzane (RJ)
· Corpo da Paz, de Torquato Joel (PB)
· Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia (MG)
· Assalto à Brasileira, de José Eduardo Belmonte (SP)
· Futuro Futuro, de Davi Pretto (RS)
Mostra Competitiva Nacional – Curtas
· Logos, de Britney (RS)
· Safo, de Rosana Urbes (SP)
· Dança dos Vagalumes, de Maikon Nery (PR)
· Faísca, de Bárbara Matias Kariri (AC)
· Laudelina e a Felicidade Guerreira, de Milena Manfredini (RJ)
· Boi de Salto, de Tássia Araújo (PI)
· Couraça, de Susan Kalik e Daniel Arcades (BA)
· A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RR)
· Cantô Meu Alvará, de Marcelo Lin (MG)
· Ajude os Menor, de Janderson Felipe e Lucas Litrento (AL)
· Replika, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (MT)
· Fogo Abismo, de Roni Sousa (DF)
Mostra Brasília – Longas
· Vozes e Vãos, de Edileuza Penha de Souza e Edymara Diniz
· Mil Luas, de Carina Bini
· Maré Viva Maré Morta, de Claudia Daibert
· A Última Noite da Rádio, de Augusto Borges
· Menino, Quem Foi Seu Mestre?, de Rafael Ribeiro Gontijo e Sandra Bernardes
Mostra Brasília – Curtas
· Notas sobre a Identidade, de Marisa Arraes
· Dizer Algo sobre Estar Aqui, de Vaga-Mundo: Poéticas Nômades
· O Bicho que Eu Tinha Medo, de Jhonatan Luiz
· A Brasiliense, de Gabmeta
· O Fazedor de Mirantes, de Betânia Victor e Lucas Franzoni
· Rainha, de Raul de Lima
· Terra, de Leo Bello
· Dois Turnos, de Pedro Leitão
· Três, de Lila Foster
· O Cheiro do Seu Cabelo, de Clara Maria Matos
· Rocha: Substantivo Feminino, de Larissa Corino e Patrícia Meschick
Mostra Caleidoscópio
· Nosferatu, de Cristiano Burlan
· Palco Cama, de Jura Capela
· Atravessa Minha Carne, de Marcela Borela
· Uma Baleia Pode Ser Dilacerada como uma Escola de Samba, de Marina Meliande e Felipe M. Bragança
· Nimuendajú, de Tania Anaya
Mostra Festival dos Festivais
· Cais, de Safira Moreira
· A Mulher sem Chão, de Auritha Tabajara e Débora McDowell
· Vasta Natureza de Minha Mãe, de Aristótelis Tothi e Inez dos Santos
· As Travessias de Letieres Leite, de Iris de Oliveira e Day Sena
Mostra Coletivas Identidades
· Pau d’Arco, de Ana Aranha
· Notas sobre um Desterro, de Gustavo Castro
· A Voz de Deus, de Miguel Antunes Ramos
Mostra História(s) do Cinema Brasileiro
· Relâmpagos de Críticas, Murmúrios de Metafísicas, de Julio Bressane e Rodrigo Lima
· Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Mello
· Anti-Heróis do Udigrudi Baiano, de Henrique Dantas
Sessões especiais
· Sérgio Mamberti – Memórias do Brasil, de Evaldo Mocarzel
· Para Vigo Me Voy, de Lírio Ferreira e Karen Harley
· O Nordeste sob a Caravana Farkas, de Arthur Lins e André Moura Lopes
· Hora do Recreio, de Lúcia Murat (Prêmio Leila Diniz)
· Ontem, Hoje e Amanhã e O Cego Estrangeiro, de Marcius Barbieri
· O Socorro não Virá, de Cibele Amaral
60 Anos do Festival de Brasília
· São Paulo S/A, de Luiz Sérgio Person
· A Falecida, de Leon Hirszman
· Vinil Verde, Noite de Sexta, Manhã de Sábado e Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho
Clássicos Brasileiros
· Terceiro Milênio, de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer
· A Lenda de Ubirajara, de André Luiz Oliveira
· Viramundo, de Geraldo Sarno; Nossa Escola de Samba, de Manuel Horacio Giménez; Hermeto, Campeão, de Thomaz Farkas
Homenagem a Jean-Claude Bernardet
· Mensagem de Sergipe
· O Homem do Fluxo
· Vim e Irei como uma Profecia
· Homenagem a Kiarostami
Festivalzinho
· Quando a Gente Menina Cresce, de Neli Mombelli
· Hacker Leonilia, de Gustavo Fontele Dourado
· Notícias da Lua, de Sérgio Azevedo
· A História de Ayana, de Cristiana Giustino e Luana Dias
· Seu Vô e a Baleia, de Mariana Elisabetsky
· Baú, de Matheus Seabra e Vinicius Romadel.
Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF)
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