TaguaCei — A exposição à luz durante a noite pode estar associada a alterações na estrutura e no funcionamento do coração. É o que aponta um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, publicado nesta quarta-feira (9) na revista científica European Heart Journal.
A pesquisa analisou dados de 11.071 participantes do UK Biobank, banco de dados que reúne informações de saúde de moradores do Reino Unido. Os voluntários utilizaram sensores de luz no pulso durante sete dias para medir a exposição à claridade no período noturno.
Três anos depois, os participantes foram submetidos a exames de ressonância magnética para avaliar a estrutura e o funcionamento do coração.
Os pesquisadores compararam pessoas expostas a níveis superiores a três lux, unidade utilizada para medir a iluminância, com participantes que praticamente não tiveram contato com luz durante a noite.
Alterações no coração
O estudo identificou que pessoas submetidas a maior exposição à luz noturna apresentavam espessamento da parede do ventrículo esquerdo, uma das principais câmaras do coração. Com isso, o espaço interno da câmara ficava reduzido.
Também foram observados indícios de diminuição da capacidade de contração do músculo cardíaco durante os batimentos, alteração considerada um possível sinal precoce de disfunção cardíaca.
Os pesquisadores encontraram ainda mudanças em outras estruturas do órgão, incluindo os ventrículos direitos e os átrios esquerdos.
Para o professor Lu Qi, responsável pelo estudo, os resultados indicam uma possível relação entre a exposição à luz noturna e um processo conhecido como remodelamento cardíaco, no qual a estrutura e o funcionamento do coração sofrem alterações em resposta a situações de estresse ou lesões.
Segundo o pesquisador, esse processo pode inicialmente representar uma adaptação do organismo, mas, com o tempo, pode enfraquecer o coração e contribuir para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca.
Ritmo circadiano
O cardiologista Gabriel Romão Borges Piau, da clínica Cárddio, em Brasília, explica que a luminosidade durante a noite pode interferir no ritmo circadiano, mecanismo responsável por regular o relógio biológico do organismo.
Esse sistema participa do controle da pressão arterial, da frequência cardíaca e do metabolismo. A exposição à luz também pode reduzir a produção de melatonina, hormônio relacionado ao sono, e comprometer sua qualidade e duração.
Segundo o especialista, alterações autonômicas, inflamatórias, vasculares e metabólicas também podem estar envolvidas nesse processo e contribuir para o remodelamento do coração e a piora de sua função.
Recomendações para o ambiente de sono
O professor Thomas Münzel, do Centro Médico Universitário de Mainz, na Alemanha, e outros pesquisadores destacaram que médicos deveriam considerar o ambiente de sono ao avaliar pacientes com problemas cardiovasculares.
Entre os fatores que podem ser investigados estão a quantidade de luz no quarto, o trabalho em turnos noturnos e o uso de telas após o pôr do sol.
As medidas recomendadas são simples, como utilizar cortinas blackout, optar por iluminação de cabeceira com luz quente e cobrir pequenas luzes de aparelhos eletrônicos que permanecem acesas durante a noite.
Os pesquisadores também defendem medidas para reduzir a poluição luminosa nas cidades, como luminárias protegidas, lâmpadas de espectro mais quente e sistemas de iluminação pública com regulagem de intensidade ou acionados por movimento.
Outros fatores durante o sono
O cardiologista Thiago Germano ressalta que a exposição à luz não é o único fator relacionado ao sono que pode afetar a saúde cardiovascular.
Ele chama atenção para a apneia do sono, condição em que a respiração é interrompida diversas vezes durante a noite. O problema provoca estímulos repetidos do sistema nervoso simpático e pode representar risco ao sistema cardiovascular.
Por isso, a identificação e o tratamento adequado da apneia são importantes para a proteção do coração.
O coração também responde ao ambiente
Para o cardiologista Carlos Nascimento, do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas, a saúde cardiovascular não depende apenas da quantidade de horas dormidas.
A qualidade e a regularidade do sono, os horários para dormir e acordar e condições como a apneia também são relevantes. Segundo o especialista, dormir pouco, ter o sono fragmentado, trabalhar frequentemente durante a noite ou alterar excessivamente os horários de descanso pode aumentar a ativação do sistema nervoso, a pressão arterial, a inflamação e a resistência à insulina, além de elevar o risco de obesidade.
O médico destaca que o estudo reforça uma visão cada vez mais presente na cardiologia: o coração também responde às condições do ambiente.
Além de fatores já conhecidos, como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, alimentação e falta de atividade física, elementos como sono, poluição, ruído, luz noturna e alterações do ritmo circadiano também podem influenciar a saúde cardiovascular ao longo dos anos.
Fonte: Correio Braziliense
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



