Com a aprovação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB), economistas ouvidos pelo Correio avaliam que a medida era necessária para evitar o agravamento da crise, mas alertam que a operação transfere ao Governo do Distrito Federal (GDF) o desafio de administrar os impactos fiscais da recuperação da instituição.
Economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Cesar Bergo explicou que a aprovação do projeto de lei na CLDF era necessária diante do cenário enfrentado pelo BRB. “Esse projeto deveria ser aprovado mesmo na Câmara Legislativa, até porque não havia outra alternativa para que pudesse, de alguma forma, buscar a recuperação do banco”, afirmou.
Apesar disso, Bergo avaliou que a medida transfere o problema para o Governo do Distrito Federal (GDF) e pode gerar impactos nas contas públicas. “É um projeto que traz para o GDF um problema que era do BRB. Não tenho dúvida que essa proposta transfere para o contribuinte do DF o pagamento dessa fraude”, disse.
Segundo ele, o sucesso da operação dependerá da capacidade de governança. “Vai depender da gestão atual do BRB para recuperar o banco e gerar receita suficiente para que o GDF consiga pagar esse empréstimo”, destacou.
Riscos fiscais
O economista alertou para os desafios fiscais envolvidos na operação. “Para cumprir as metas será necessário gerar superávit, o que implica sacrifícios e contingenciamento. Há um prazo longo, de até 15 anos, mas não está definida a taxa de juros”, explicou.
Para Bergo, embora o aporte ajude a resolver momentaneamente o problema patrimonial do banco, a solução não é definitiva. “Resolve no curto prazo, mas não encerra o problema. Haverá muitas questões a serem discutidas nos próximos dias”, destacou.
Para Celina Leão, a aprovação do projeto foi necessária para garantir a recuperação do BRB e preservar milhares de empregos. “Eu tenho certeza que a Câmara cumpriu o seu papel. Nós preservamos mais de 6 mil empregos. Esse banco é do DF e da população. Com uma gestão de austeridade, transparência e compliance dentro do BRB, eu tenho certeza que isso foi uma vitória para o Distrito Federal”, declarou.
Segundo ela, a medida foi planejada e apresentada ao GDF como a melhor alternativa para assegurar a continuidade da instituição financeira. “Quando nós fizemos o acordo para pedirmos o empréstimo, esse acordo foi feito dentro do Supremo Tribunal Federal, na presença dos ministros de Estado. Eu tenho certeza absoluta que o tempo vai demonstrar que foi a melhor escolha, a escolha correta, a escolha da recuperação do banco”, afirmou.
Celina Leão destacou que a manutenção do BRB como instituição pública foi um dos principais fatores considerados na decisão e garantiu que o próprio banco terá capacidade financeira para ressarcir os valores do empréstimo. “São dois anos de carência e todo o histórico do próprio BRB comprova que ele vai pagar”, declarou.
Rombo ainda maior
O processo de capitalização do banco passa por alguns caminhos além do empréstimo. O presidente Nelson de Souza esteve, nesta semana, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, e explicou as demais frentes de capitalização. Além disso, o presidente destacou o valor do rombo deixado no BRB após as negociações fraudulentas.
“Provisionamos, como possíveis perdas, o valor de R$ 8,8 bilhões, para termos a responsabilidade de não trabalhar com a capitalização de um valor que não fosse suficiente. Além do empréstimo, para completar o valor, estamos trabalhando com a securitização da dívida ativa do GDF, cujo valor total é de R$ 52 bilhões. Já fizemos a primeira tranche (parcela) e R$ 1,17 bilhão já está dentro do BRB. Temos a segunda e a terceira tranches que poderão chegar a R$ 3 bilhões. Mas precisamos apenas de R$ 2,2 bilhões para juntar com o empréstimo e chegar ao valor provisionado”, explicou.
Nesta quarta-feira (10/6), Nelson de Souza adiantou que espera mais recursos da securitização da dívida ativa que o GDF tem a receber. “Sim. Recebemos a primeira tranche com 1 bilhão de reais e estamos aguardando a segunda e terceira, podendo chegar a R$ 3 bilhões”, afirmou.
Com informações do Correio Braziliense
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