Bolsonaro reforça apoio à candidatura de Michelle 

247 – Jair Bolsonaro (PL) tem intensificado os incentivos para que a esposa, Michelle Bolsonaro, dispute uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano, mesmo após o desgaste provocado pelo conflito público entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (PL). As informações são do Metrópoles.

Michelle ainda não confirmou oficialmente se será candidata. Em declarações públicas, ela afirma que a decisão dependerá de um “chamado de Deus” e que aguardará o período das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto, para definir seu futuro político.

Senado é prioridade na estratégia de Bolsonaro

De acordo com aliados ouvidos pela reportagem, Jair Bolsonaro é o principal entusiasta da candidatura da esposa. O ex-mandatário considera estratégico ampliar a presença de aliados no Senado, já que a Casa é responsável por analisar temas considerados prioritários para o bolsonarismo, como pedidos de impeachment e a aprovação de indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de Michelle, Bolsonaro também trabalha para fortalecer outras candidaturas ligadas à família, como a de Carlos Bolsonaro (PL), em Santa Catarina, e a de Eduardo Bolsonaro, que deverá disputar uma vaga como suplente em São Paulo.

Desistência de Ibaneis altera o cenário no Distrito Federal

A disputa pelo Senado no Distrito Federal ganhou novos contornos após o ex-governador Ibaneis Rocha anunciar que desistiu da corrida eleitoral. A decisão abre espaço para uma possível composição da direita em torno de duas candidaturas do Partido Liberal: Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PL).

Também são apontados como pré-candidatos a deputada federal Erika Kokay (PT), a senadora Leila Barros (PDT) e o ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo).

Conflito com Flávio gerou incertezas

A possibilidade de Michelle disputar o Senado passou a ser vista com mais cautela após sua saída da presidência do PL Mulher, em 30 de junho. A decisão ocorreu em meio ao conflito público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

A ex-primeira-dama deixou o comando da ala feminina do partido depois que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentou convencê-la a fazer uma retratação pública sobre o vídeo em que afirmou que Flávio a havia “maltratado”, “humilhado” e deixado claro que não queria seu apoio político.

Em vídeo divulgado em 24 de junho, Michelle afirmou que o desgaste começou no fim de 2025, durante discussões sobre estratégias eleitorais do partido, especialmente em relação ao Ceará. Ela era contrária à aproximação de lideranças do PL com o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB), enquanto Flávio defendia a articulação política.

Ao relatar o episódio, Michelle declarou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” durante uma conversa telefônica. Segundo seu relato, Flávio teria afirmado que ela deveria permanecer afastada das decisões partidárias e que sua experiência política não a credenciava a opinar sobre as articulações do partido.

A ex-primeira-dama também afirmou ter interpretado a conversa como um sinal de que seu apoio político não era valorizado. Ela ainda acusou aliados do senador de promover ataques contra sua imagem nas redes sociais e classificou o episódio como uma “punhalada nas costas”.

Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve a intenção de ofender Michelle e pediu desculpas caso ela tenha se sentido desrespeitada. O senador também destacou a importância da ex-primeira-dama para o PL Mulher e para os cuidados com Jair Bolsonaro, além de afirmar que sua prioridade era preservar a união da família. Dias depois, durante agenda de pré-campanha, declarou que o episódio era uma “página virada” e evitou ampliar a polêmica.

Saúde de Bolsonaro influencia decisão

Outro fator que pesa na decisão da ex-primeira-dama é a situação de saúde de Jair Bolsonaro, que permanece em prisão domiciliar. Michelle tem manifestado preocupação com a necessidade de acompanhar o marido, que está sob medicação e necessita de cuidados médicos constantes.

Ela também teme que uma eventual campanha eleitoral coincida com novos episódios envolvendo Bolsonaro que possam resultar na revogação da prisão domiciliar, situação semelhante à registrada em novembro de 2025, quando o ex-mandatário foi levado à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após tentar violar a tornozeleira eletrônica. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no âmbito do inquérito da trama golpista. 

Aliados afirmam que Michelle avalia que, caso um episódio semelhante volte a ocorrer durante a campanha, poderá novamente ser responsabilizada por setores mais radicais do bolsonarismo.

Damares relata ataques à ex-primeira-dama

Michelle também tem manifestado preocupação com críticas que afirma receber de aliados dos filhos de Jair Bolsonaro por questionar a aproximação do PL com Ciro Gomes no Ceará.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada da ex-primeira-dama, afirmou que Michelle foi alvo de ataques pessoais e de campanhas de desinformação.

“Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nesses últimos dias. As imagens, a inteligência artificial, a manipulação de imagens. Mas atacaram a filha dela também. Duvidam, inclusive, de que a menina seja filha do ex-presidente da República”, declarou a parlamentar.Ex-mandatário considera o Senado prioridade e incentiva ex-primeira-dama a disputar vaga pelo Distrito Federal

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