Animal apareceu em Hospital de Sobradinho, e Vigilância Sanitária apontou que falhas estruturais no HRS favoreceram o aparecimento do bicho
A Vigilância Sanitária precisou fazer uma inspeção no Hospital Regional de Sobradinho (HRS), após um escorpião ser encontrado dentro do banheiro na área de endoscopia. O flagrante aconteceu no final de maio e é somado aos 2.239 casos envolvendo o aparecimento do animal neste ano.
O laudo da vigilância apontou que o local apresentava boas condições sanitárias, porém, em contrapartida, tinha falhas estruturais — que favoreceram o aparecimento do escorpião.
Dentre os problemas, estavam ralos sem tampa ou aberto, rodapés despregados, falta de espelhos de interruptores, vãos entre o telhado e a parede, falta de lustres de teto, janelas emperradas e sem telas.
Já na área externa, os riscos encontrados foram canaletas sem telas, buracos e frestas no piso, ralos sem tampa e tubulação exposta. (Veja nas imagens abaixo)
Professora de biologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Giovanna Nardeli explica que os escorpiões costumam se esconder dentro de frestas e locais úmidos e, por isso, evitar essas situações é uma das principais medidas para driblar a presença do animal.

Como correção, a Vigilância solicitou que fossem colocadas luminárias de teto no local, instalação de espelhos em interruptores e tomadas, instalação de telas em ralos, pias, tanques e janelas. Além de realizar periodicamente o controle de baratas.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que “o hospital realiza monitoramento contínuo e dedetizações periódicas, dentro dos prazos recomendados. A última aplicação foi realizada na semana passada”.
Além disso, informaram que “o ambulatório onde funciona a endoscopia tem um projeto previsto para o próximo ano, incluído na Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA). A previsão é ampliar o espaço e construir um novo Centro de Endoscopia, mais moderno, com mais salas e adequado às normas vigentes”.
Aumento de acidentes
Apenas no primeiro semestre deste ano, foram registrados 2.239 acidentes envolvendo ataques de escorpião — sendo que 36 casos foram classificados como graves. Um aumento de quase 10% quando comparado ao mesmo período do ano passado, onde foram registradas 2.072 notificações e 12 graves.
Os casos mais críticos, geralmente, acometem crianças e idosos. Nos últimos cinco anos foram registrados três óbitos devido à picada do animal — todos na faixa etária de 1 a 9 anos.
“Nas crianças, a menor massa corporal faz com que a mesma quantidade de veneno tenha um efeito proporcionalmente maior. Idosos também podem ser mais vulneráveis devido à presença de doenças crônicas”, afirmou Giovanna Nardeli.
Relembre ataques
- Em 12 de junho, uma criança foi picada por um escorpião dentro de casa, no Riacho Fundo I. De acordo com a família de Valentina Nobre, a criança estava calçando o tênis para ir à escola — momento em que sentiu que tinha sido picada. Ela passou 23 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu. Valentina faleceu no último domingo (11/7), aos 11 anos de idade.
- Em 25 de junho, um adolescente de 15 anos foi picada por um escorpião dentro do Centro de Ensino Fundamental 04 (CEF 04) do Guará. O aluno estava no pátio da escola quando sentiu um incômodo na perna e percebeu que tinha um escorpião na parte interna da calça, perto da panturrilha. O estudante está bem e já retornou às aulas. Após o caso, um equipe da Vigilância Sanitária fez uma inspeção no local e constatou uma série de irregularidades.
- Em 20 de maio, uma equipe da Vigilância Sanitária foi acionada para ir até o Hospital Regional de Sobradinho (HRS), após um escorpião ser encontrado dentro do banheiro do serviço de endoscopia. O laudo apontou que falhas estruturais na unidade podem ter favorecido a entrada do animal.
O que fazer
Caso seja avistado um escorpião, não é recomendado que se tente matar o animal logo de cara. O ideal é tentar capturar com segurança ou ligar para o centro de zoonoses.
“A forma mais simples que se pode fazer é colocar um pote ou recipiente transparente e deslizar um papel firme por baixo e fechar o recipiente. O primeiro contato com o escorpião é não tentar matar ele diretamente porque ele pode ferroar rapidamente”, diz.
A especialista alertou, ainda, para não tentar colocar fogo ou jogar álcool no animal porque isso pode fazer com que ele fuja e se esconda em locais de difícil acesso.
Os escorpiões têm hábitos predominantemente noturnos, por isso também é recomendado tomar cuidado ao levantar de madrugada. Foi o caso que aconteceu com a Darlene Cunha, moradora de Sobradinho. Ela contou que levantou para ir ao banheiro de madrugada e quando acendeu a luz viu que tinha um escorpião escondido.
“Menina, eu fiquei tão desesperada que eu saí correndo, pensei que ia morrer. A aflição é muito grande com esse bicho. Misericórdia”, contou.

Segundo a Secretária de Saúde, a Vigilância Ambiental também pode ser acionada, por meio do número 162 ou pelo site Participa DF.
A inspeção sanitária serve para “orientar os moradores sobre as condições ambientais que favorecem o acesso, abrigo e alimentação desses animais, contribuindo para a adoção de medidas preventivas e para a redução do risco de novos incidentes”.
Onde procurar atendimento
Em casos de picada de escorpião, as recomendações da SES são:
- Lavar o local da picada com água e sabão para remover sujeira;
- Elevar o membro afetado a fim de evitar que o veneno se espalhe mais rapidamente;
- Procurar atendimento médico o quanto antes. Informar qual animal o picou para que o tratamento seja mais eficaz. Se possível e seguro, tirar a foto do animal.
Em caso de emergência, a pessoa deve contatar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192, ou o Corpo Militar de Bombeiros, 193.
A bióloga da UCB afirmou que o veneno pode causar dor intensa, inchaço e, em casos graves, alterações cardíacas, respiratórias e neurológicas. Por isso é fundamental procurar ajuda.
O soro contra a picada, no entanto, não é recomendado para todos os casos devido a maioria destes evoluírem naturalmente. Ainda assim, a principal recomendação é procurar um médico. “O soro antiescorpiônico neutraliza o veneno circulante e é indicado para casos moderados e graves”, explicou a especialista.
Atualmente, o soro está disponível em 11 unidades de saúde da rede pública. (Veja lista abaixo).
- Hospital Materno infantil de Brasília: Atendimento exclusivo para crianças até 13 anos, 11 meses e 29 dias
- Hospital Regional da Asa Norte;
- Hospital Regional do Guará;
- Hospital Regional de Brazlândia;
- Hospital Regional da Região Leste (Paranoá);
- Hospital Regional de Ceilândia;
- Hospital Regional do Gama;
- Hospital Regional de Santa Maria;
- Hospital Regional de Planaltina;
- Hospital Regional de Sobradinho;
- Hospital Regional de Taguatinga.
Todos os hospitais da rede citados acima estão abastecidos com soro antiescorpiônico. As unidades de referência mantêm estoque de segurança do insumo e, à medida que as doses são utilizadas, solicitam a reposição à Rede de Frio, responsável pelo reabastecimento dos estoques.



