Lula reforça conquistas do governo e aponta para 2026: “será o ano da verdade”

Em BH, presidente relata conversa com Trump, defende uso da palavra em vez de armas e critica desigualdade e violência contra a mulher

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (11), em Belo Horizonte (MG), que o próximo ciclo eleitoral será decisivo para o futuro do Brasil, classificando 2026 como “o ano da verdade”. O discurso, registrado em material oficial do governo federal, ocorreu durante a abertura da etapa mineira da Caravana Federativa, iniciativa que leva ministérios e órgãos federais para atendimento direto a prefeitos e prefeitas, com foco na execução de políticas públicas.

Lula enfatizou que o evento não tem caráter partidário e reúne representantes de siglas diversas. Ele declarou: “Quero dizer para vocês que eu estou participando de uma caravana federativa em que não é uma coisa do PT, é uma coisa do governo. Portanto, aqui tem muita gente de outros partidos políticos, de prefeitos e prefeitas. Tem deputados e deputadas que não são do PT, são de outros partidos políticos. E nós ainda não estamos em época de campanha eleitoral. Se bem, se bem que eu tenho um compromisso de honra comigo. Aquelas tranqueiras que destruíram esse país não voltarão a governar esse país nunca mais.”

Ao abordar políticas sociais, Lula reiterou que os mais pobres seguem invisíveis no orçamento federal: “Na hora que você elabora o orçamento da União, os pobres não aparecem, porque já tem uma estrutura formatada para distribuir o orçamento. E quem não está não entra.” Ele defendeu o Bolsa Família e comparou práticas assistencialistas do passado com políticas estruturantes: “O que falta no mundo é as pessoas conquistarem outra vez o direito de indignação. Nós temos que nos indignar com o preconceito, com a desigualdade.”

Lula voltou a defender a expansão de serviços móveis de saúde, argumentando que o Estado deve alcançar quem não consegue se deslocar. Sobre o atendimento especializado, afirmou: “Nesse país, ninguém vai morrer por falta de um exame, por mais importante que seja esse exame. Ninguém vai morrer por falta de acesso a uma maldita máquina que só rico tem.”

Ao comparar indicadores econômicos, disse ter encontrado o país em situação crítica ao reassumir a Presidência em 2023, citando queda na indústria automobilística e congelamento de políticas públicas: “Esse país passou sete anos sem reajustar a merenda escolar. Esse país passou dez anos sem reajustar as bolsas do Ministério da Tecnologia. Esse país passou sete anos sem reajustar o salário mínimo.” Ele também criticou o governo anterior: “O cidadão que governava esse país, ele não governava, ele brincava de contar mentira. A única coisa que ele fazia era liberar a arma.”

O presidente afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) soma R$ 1,7 trilhão em investimentos e que os últimos R$ 28,1 bilhões foram anunciados recentemente. Ele destacou: “Estamos terminando o terceiro ano de mandato com a menor inflação acumulada em 40 anos. (…) Estamos entregando esse país com o salário mínimo aumentando todo ano acima da inflação.”

Ao projetar as eleições, Lula declarou que o país precisará fazer escolhas claras: “A gente vai ter que decidir se a gente quer um país que faça distribuição de livros ou faça distribuição de armas.” Ele usou a metáfora da raposa para alertar contra a volta de grupos políticos que, segundo ele, prejudicaram o país: “Mesmo que a raposa tenha uma plumagem branca, lilás ou vermelha, se colocar ela no galinheiro, ela vai comer as galinhas. É do DNA.”

O presidente dedicou parte final do discurso ao enfrentamento da violência contra mulheres, direcionando sua fala aos homens: “O problema da violência contra a mulher não é um problema da mulher, é um problema do homem. Porque quem é violento é o homem, quem bate é o homem, quem mata é o homem.” Ao citar casos de feminicídio, afirmou que penas mais duras não resolvem sem mudança educacional: “É muito importante a criança aprender que Cabral descobriu o Brasil, mas é mais importante ela aprender que tem que respeitar a mãe, as irmãs e a mulher quando casar.”

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