Lula diz que governo agirá contra anistia de Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o governo agirá contra quaisquer iniciativas do Congresso em propor a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e envolvidos na tentativa de Golpe de Estado, no 8 de Janeiro de 2023.

Após a condenação de Bolsonaro nesta quinta-feira (11/9), surgiram expectativas da oposição no Congresso de votar uma proposta de anistia ao ex-presidente e aos condenados no STF. Questionado sobre essa possibilidade, Lula garantiu que seu governo agirá contra quaisquer iniciativas do Congresso em propor a anistia

“O governo vai trabalhar contra a anistia”, pontuou o presidente. “Estranho porque os mesmos que dizem que Bolsonaro não cometeu crime estão pedindo anistia em vez de defender a inocência do ex-presidente. Como pode pedir anistia antes de o processo ter terminado?”, questionou Lula em entrevista à Rede Bandeirantes veiculada na noite desta quinta-feira (11/9) e gravada na quarta-feira (10), antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão

Articulação

Os esforços do governo para que o Congresso evite pautar a anistia vêm desde antes do STF pautar o julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe de estado. Na semana passada, o presidente pediu para que o povo se mobilize para evitar a votação de anistia no Congresso.

“O Congresso tem ajudado o governo, o governo aprovou quase tudo que o governo queria, mas a extrema direita tem muita força ainda. Então, é uma batalha que tem que ser feita também pelo povo. Então, o que eu queria pedir a vocês é isso, é que vocês têm um compromisso. Da mesma forma que eu disse o seguinte: o Brasil só tem um dono que é o povo brasileiro, as comunidades tem o melhor representante que são vocês”, disse Lula.

Além de pedir mobilização popular, o governo se aproxima de líderes do Congresso como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O parlamentar esteve no Palácio do Planalto para acompanhar o lançamento da Carteira Nacional Docente do Brasil e, ao lado de Lula, discursou em prol do documento que prevê a identificação de professores e garante benefícios a esses profissionais.

Governo aberto para negociar tarifaço

Lula falou não temer novas sanções dos Estados Unidos em decorrência da condenação de Bolsonaro. “Não temo e não sei se vem (novas sanções) impostas ao Brasil. O presidente Donald Trump sabe que é mentira o que ele fala do Brasil, ele sabe que a relação entre os dois países tem superávit para os EUA”, afirmou.

Lula também disse que não comentará a ameaça da porta-voz da Casa Branca, Caroline Leavitt, que cogitou a possibilidade de os Estados Unidos mobilizar forças militares contra o Brasil. “Porta-voz falou bobagem, eu não vou responder porta-voz. Não posso levar a sério a visão de um porta-voz”, comentou.

Lula criticou Fux

No julgamento que condenou à prisão Bolsonaro e outros seis réus por tentativa de golpe, a Primeira Turma do STF formou maioria de 4 votos a 1. Durante a entrevista, o presidente rebateu o voto do ministro Luiz Fux, após ele absolver o ex-presidente no julgamento por golpe de Estado.

Segundo Lula, há “centenas” de provas de que Bolsonaro tentou o golpe, e se o ministro Fux não as levou em consideração, “é um problema dele”.

“Primeiro, o Bolsonaro tentou dar o golpe neste país. Ele tentou dar o golpe, e tem dezenas e centenas de provas, de atos, de falas, de discursos, de material por escrito”, disse.

“Se o ministro Fux não quiser as provas, é um problema dele. Eu acho que as provas são fartas. O ex-presidente, covardemente, articulou tudo. Pensou tudo e não teve coragem. Foi embora”, acrescentou em um trecho da entrevista divulgado nesta tarde.

Com informações do Correio Braziliense

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