Guerra neocolonial e imperialista traduz decadência da principal potência capitalista, que usa a força para tentar reverter o seu declínio
As negociações que se iniciam no Paquistão, com o cessar-fogo no Irã, são aguardadas com grande expectativa. A trégua na agressão dos Estados Unidos e de Israel representa uma vitória relevante do Irã, que impacta positivamente a jornada dos povos pela paz e pela soberania nacional. Foram cerca de quarenta dias de ataques por uma poderosa máquina de guerra, provocando destruições e grande quantidade de mortes, numa guerra de rapinagem, tipicamente imperialista e neocolonial, com o objetivo de se apossar da terceira maior reserva de petróleo. O Irã respondeu de forma contundente e equilibrada, por estar com a razão perante os povos e o direito internacional.
Os agressores objetivavam também assumir o controle total do Oriente Médio, apossando-se do Estreito de Ormuz, vital para a economia mundial, destruindo o Irã como principal polo de resistência na região, apropriando-se do país para transformá-lo em mero apêndice dos interesses geopolíticos e econômicos estadunidenses. A intenção, abertamente proclamada, era criar barreiras numa região estratégica, entroncamento dos continentes europeu, africano e asiático, nas proximidades da Rússia e da China.
Os Estados Unidos também foram derrotados no Conselho de Segurança da ONU, com o veto de uma resolução ilegal pela China e a Rússia. “As ações do Conselho de Segurança devem visar a redução das tensões e não fornecer cobertura legal para ações militares não autorizadas, conceder licença para o uso da força ou alimentar o conflito”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning no jornal Global Times. China e Rússia sempre defenderam uma solução negociada para as acusações contra o Irã e rechaçaram a política de guerra dos Estados Unidos.
É preciso lembrar que Donald Trump e Benjamin Netanyahu promoveram o ataque de maneira covarde e traiçoeira, quando as negociações sobre a questão nuclear iraniana em Genebra, Suíça, estavam para serem concluídas. Em seu primeiro mandato, Trump havia abandonado um acordo de 2015 e no atual mandato adotou a campanha de “pressão máxima”.
O Irã, há muito tempo ameaçado, se preparou para enfrentar essa agressão. Desde a revolução de 1979 que derrubou a monarquia do xá Reza Pahlevi, francamente pró-Estados Unidos, o país se organizou para defender a sua integridade, a sua civilização milenar, a sua soberania e as suas riquezas. No ataque recente, ocorreu um choque entre o neocolonialismo, a prática de saque e rapinagem, e um povo unido, aglutinado em torno do governo.
A multidão que participou do funeral do aiatolá Ali Khamenei, assassinado pelos ataques em 28 de fevereiro, foi uma demonstração dessa unidade, repetida com as correntes humanas ao redor de infraestruturas estratégicas, como usinas de energia e pontes, em diversas cidades.
A declaração de Trump de que “uma civilização inteira” morreria “para nunca mais ser ressuscitada”, ultimato com explicita ameaça de genocídio, revela o grau de brutalidade da agressão. É uma proclamação de que os Estados Unidos poderiam repetir, numa escala superior, a carnificina contra os palestinos na Faixa de Gaza, liderada pelo regime israelense de Netanyahu, ostensivamente apoiada por Trump.
O cruento ataque de Israel ao Líbano – que declarou um dia de luto nacional pelas mortes de mais de duzentas pessoas –, atingindo mais de cem alvos, em plena vigência do cessar fogo, acendeu o alerta sobre a continuidade do propósito anunciado pelos agressores de mudar o “regime” iraniano.
O Irã denunciou o ataque como violação do cessar-fogo. A Guarda Revolucionária iraniana disse que daria uma resposta caso os ataques não fossem imediatamente interrompidos, obrigando Netanyahu a prometer que que participaria de negociações com o governo libanês.
Líderes europeus exigiram que o Líbano fosse incluído no acordo. O Reino Unido, a França e a União Europeia condenaram os ataques de Israel, afirmando que ameaçavam a trégua, tendência que vem desde o início da guerra, gerando conflitos que chegaram a atitudes de Trump de humilhação à Otan. No âmbito interno ele também se isola, com grandes manifestações populares contra a sua política de guerra.
O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaf Salam, havia dito que o acordo se aplicava a “todos os lados, incluindo o Líbano e outros locais”. Ele denunciou, em comunicado, que a agressão ocorreu num momento em que as autoridades libanesas procuravam negociar uma solução. Ao atingir zonas civis, Israel agiu em “total desrespeito pelos princípios do direito internacional e do direito humanitário internacional – princípios que, de qualquer modo, nunca respeitou”, afirmou. De fato, o regime israelense, agora sob o comando de Netanyahu, só sobrevive com guerras.
Trump também fez novas ameaças, anunciando que suas forças permanecerão “no local até que o verdadeiro acordo alcançado seja totalmente cumprido”. O aumento do número de navios de guerra e tropas dos Estados Unidos permanecerá, afirmou. “Se, por qualquer razão, não for cumprido, o que é altamente improvável, então o shootin Starts (algo como chuva de bombas) será maior, melhor e mais forte do que qualquer um já viu antes”, ameaçou.
São manifestações que revelam a essência do trumpismo, sua monstruosa ideologia fascista e convicções genocidas. Sua ameaça de exterminar “uma civilização inteira” não se cumpriu porque foi impedida pelas circunstâncias. À frente de uma potência decadente, ele usa uma escalada verbal intimidatória, que pode, sim, transformar-se em ações concretas.
Não é a primeira vez que imperialismo estadunidense é derrotado por um povo e seu governo dispostos e defender a sua nação. O exemplo mais emblemático é o do Vietnã, que venceu uma guerra assimétrica, permeada por crimes bárbaros do imperialismo. No Irã, além da união do povo em torno do governo, os agressores não conseguiram neutralizar a capacidade de defesa e ataque do país, que respondeu atingindo bases militares estadunidenses na região e pontos estratégicos em Israel.
O mundo democrático tem se manifestado enfaticamente contra as guerras de Trump e Netanyahu. Com o ataque ao Irã, o governo dos Estados Unidos se desmoralizou ainda perante o mundo, sobretudo pelo forte abalo na economia, com aumento dos preços dos combustíveis, dos fertilizantes e de outros produtos derivados de petróleo. Cumpre agora prosseguir com os protestos em todo o mundo, exigindo paz, respeito à soberania dos povos e cumprimento do direito internacional.
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