O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nas últimas semanas uma ofensiva econômica voltada ao consumo popular, à ampliação do crédito e à redução do endividamento das famílias. Nos últimos dias, o Palácio do Planalto acelerou anúncios e programas considerados estratégicos para fortalecer a popularidade de Lula e impulsionar a atividade econômica diante do cenário eleitoral.
Entre as principais iniciativas estão o fim da chamada “taxa das blusinhas”, a nova edição do Desenrola Brasil, linhas de crédito subsidiado para motoristas de aplicativo e taxistas, além da ampliação de programas habitacionais e mudanças no consignado do INSS.
A avaliação dentro do governo é que medidas de impacto direto sobre o cotidiano da população podem melhorar a percepção sobre renda, emprego e poder de compra, especialmente entre trabalhadores de baixa renda e setores da classe média pressionados pelo alto custo do crédito e pelo endividamento recorde das famílias brasileiras.
Fim da “taxa das blusinhas” busca aliviar desgaste político
A medida de maior repercussão anunciada nesta terça-feira foi a retirada do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. A cobrança havia sido implementada no âmbito do programa Remessa Conforme e ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.
Com a mudança anunciada por Lula e ministros no Palácio do Planalto, compras internacionais abaixo desse valor voltarão a ficar isentas do imposto de importação. Para compras acima de US$ 50, permanece válida a alíquota de 60%.
Nos bastidores do governo, integrantes da ala política defendiam a revisão da medida havia meses. Levantamentos internos do Planalto apontavam que a tributação sobre pequenas compras internacionais havia se transformado em um dos principais pontos de desgaste da imagem do governo nas redes sociais e entre consumidores de baixa renda.
Dados da Receita Federal mostram que, apenas nos quatro primeiros meses de 2026, a arrecadação com o imposto de importação sobre encomendas internacionais somou R$ 1,78 bilhão.
Ainda assim, auxiliares de Lula avaliam que o impacto político negativo da cobrança acabou superando os ganhos arrecadatórios.
Desenrola 2.0 mira renegociação de R$ 100 bilhões
Outra aposta central do governo é o lançamento do Desenrola Brasil 2.0, anunciado por Lula na última segunda-feira. A nova etapa do programa pretende ampliar o alcance das renegociações de dívidas e aliviar o comprometimento da renda das famílias brasileiras.
Segundo dados do Banco Central citados pela reportagem, 29,7% da renda dos brasileiros está atualmente comprometida com o pagamento de dívidas — o maior percentual desde o início da série histórica, em 2005.
O governo estima que a nova edição do programa poderá alcançar até 27 milhões de pessoas e viabilizar a renegociação de cerca de R$ 100 bilhões em dívidas.
Para garantir descontos e facilitar os acordos, a União disponibilizará até R$ 15 bilhões em garantias por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
A equipe econômica considera que a redução do endividamento pode impulsionar o consumo e destravar parte da atividade econômica nos próximos meses.
Crédito subsidiado para motoristas de aplicativo e taxistas
O governo também prepara uma linha de crédito subsidiado voltada a motoristas de aplicativo e taxistas, segmento considerado estratégico pelo Planalto.
A proposta prevê juros abaixo dos praticados pelo mercado e inferiores à taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano. Segundo integrantes do governo, os financiamentos devem operar com juros próximos de 12% ao ano, enquanto o mercado cobra taxas superiores a 20%.
O objetivo é facilitar a troca de veículos, ampliar a renda dos trabalhadores e fortalecer a relação do governo com categorias urbanas que ganharam peso crescente no mercado de trabalho brasileiro.
A iniciativa se soma à ampliação recente do programa Move Brasil, voltado à compra de caminhões. O programa contará com até R$ 21 bilhões em recursos, sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do BNDES.
Minha Casa Minha Vida amplia alcance para a classe média
As políticas habitacionais também passaram a ocupar posição central na estratégia econômica do governo Lula. Na última semana, o governo anunciou a redução dos juros e o aumento do prazo de pagamento da linha do Minha Casa Minha Vida destinada a reformas e melhorias habitacionais.
Além disso, houve ampliação das faixas de renda contempladas pelo programa.
Em março, o governo já havia anunciado o reforço de R$ 20 bilhões no Fundo Social do Minha Casa Minha Vida para viabilizar a construção de 1 milhão de moradias até o fim deste ano. O orçamento total do programa em 2026 chega a R$ 45 bilhões.
Segundo o governo, os novos recursos terão foco especial na Faixa 3, destinada a famílias com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, ampliando o alcance do programa também para setores da classe média.
Mudanças no consignado ampliam prazo e reduzem pressão financeira
O pacote econômico do governo inclui ainda mudanças no crédito consignado do INSS.
A margem de empréstimo para aposentados foi reduzida de 45% para 40%, enquanto o prazo máximo de pagamento subiu de 96 para 108 meses. Também será permitido um período de carência de até 120 dias antes do início do pagamento das parcelas.
O consignado privado também sofreu alterações recentes. No fim de março, o governo estabeleceu um limite de 1 ponto percentual entre os juros nominais dos contratos e o custo efetivo total das operações, que inclui tributos e seguros.
Segundo o Ministério da Fazenda, a taxa média dessas operações vinha girando em torno de 3,66% ao mês.
Com a sequência de anúncios, o governo Lula busca fortalecer a atividade econômica, ampliar o acesso ao crédito e melhorar a renda disponível das famílias brasileiras, numa estratégia que combina estímulos ao consumo, programas sociais e financiamento subsidiado em meio à crescente disputa política nacional.
Com informações do portal 247
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