União Europeia retoma processo de adesão da Ucrânia nesta 2ª

Saída de Orban da presidência da Hungria permitiu a retomada da adesão. Ucrânia enfrenta uma guerra contra a Rússia há quatro anos

A União Europeia anunciou que vai retomar formalmente as negociações de adesão com a Ucrânia na segunda-feira (15/6). O processo foi reiniciado após retirada do veto da Hungria à medida. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (12) pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, que saudou a medida como “um passo importante” rumo ao alargamento do bloco.

“Todos os Estados-membros concordaram em abrir o primeiro grupo de negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia”, afirmou António Costa. “Na primeira conferência intergovernamental, na segunda-feira, daremos início a este conjunto de negociações sobre os fundamentos, os pilares do processo de adesão”, acrescentou Costa.

Os embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia aprovaram a abertura da primeira fase das negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia. Como parte do processo de adesão, os países candidatos negociam “capítulos” políticos agrupados em seis grupos temáticos, abrangendo áreas como direitos fundamentais, mercado interno e relações externas.

Saída de Orbán permitiu avanço

O processo de adesão, aprovado pelos 27 Estados-membros em dezembro de 2023, esteve paralisado devido ao veto húngaro, imposto pelo governo de Viktor Orbán. Mas a derrota do primeiro-ministro nacionalista nas eleições parlamentares de abril passado permitiu que a situação fosse resolvida.

Este mês, o novo governo de Péter Magyar chegou a um acordo com Kiev sobre os direitos da minoria húngara na Ucrânia, abrindo caminho para o levantamento do veto de Budapeste.

Magyar concordou em levantar o veto em troca do compromisso da Ucrânia de restaurar os direitos linguísticos e culturais da minoria húngara, particularmente nas escolas. Os húngaros da Transcarpátia estão estabelecidos nesta região há séculos.

Desde 2014, eles têm sido alvo dos esforços do novo governo para afirmar a hegemonia da língua ucraniana. Muitos húngaros da Transcarpátia também optaram por fugir da guerra, estabelecendo-se na Hungria.

O tema vinha sendo usado por Orbán como justificativa para bloquear qualquer avanço no processo de adesão, especialmente após a invasão russa de 2022, quando o premiê intensificou o discurso de defesa dos húngaros que vivem fora do país.

Magyar, que tenta reposicionar a Hungria dentro da UE, busca também recuperar o acesso a 16 bilhões de euros em fundos europeus congelados por violações do Estado de Direito durante a gestão Orbán. O aceno à Ucrânia é visto em Bruxelas como parte desse esforço para reconstruir a confiança junto aos parceiros europeus.

Leia mais reportagens como essa em RFI, parceiro do Metrópoles.

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