Mesmo com o voto facultativo a partir dos 70 anos, milhares de eleitores idosos continuam participando das eleições no Distrito Federal. Com 459.618 eleitores com 60 anos ou mais em 2026, essa parcela representa cerca de 20% do eleitorado local e mantém peso significativo no processo eleitoral. As informações são do Correio Braziliense, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A dona de casa Sônia Juçara Dias de Oliveira, de 70 anos, moradora do setor M Norte, em Taguatinga, acompanhou as transformações do sistema eleitoral brasileiro, desde as cédulas de papel até as urnas eletrônicas. Mesmo com a dispensa da obrigatoriedade do voto, ela afirma que continuará comparecendo às urnas nas eleições de 2026.
Para Sônia, votar é uma forma de contribuir para a construção de um país melhor. Ela também considera que a experiência de vida ajuda os idosos a analisar propostas e escolher seus candidatos de maneira consciente.
A eleitora defende que a população idosa continue participando das eleições, independentemente da idade. Para ela, deixar de votar não deve ser uma consequência automática da possibilidade de não comparecer às urnas.
Participação
Morador da área rural de Sobradinho, José dos Santos, de 71 anos, também mantém o hábito de votar. Segundo ele, a participação nas eleições é uma maneira de fazer parte da democracia.
José acompanhou mudanças no processo eleitoral ao longo das décadas. Ele lembra que, no passado, as campanhas eram mais marcadas pela identificação dos eleitores com partidos políticos e que a votação era realizada em cédulas de papel.
Apesar das mudanças, ele afirma que nunca deixou de votar e pretende participar novamente das eleições deste ano.
Para José, os idosos ainda poderiam receber mais atenção nas propostas apresentadas pelos candidatos. Ele avalia que campanhas costumam abordar com maior frequência temas relacionados a crianças e adolescentes, enquanto as necessidades da população mais velha nem sempre recebem o mesmo espaço.
Autonomia e acessibilidade
O advogado eleitoral Newton Lins destaca que o envelhecimento da população aumenta a importância do eleitorado idoso nas eleições. Segundo ele, esse grupo costuma acompanhar temas relacionados à saúde, segurança, previdência, estabilidade e qualidade dos serviços públicos.
O especialista afirma que um dos desafios é garantir condições para que os idosos exerçam o direito ao voto com autonomia e dignidade.
Além da acessibilidade física, fatores como distância entre a residência e o local de votação, transporte, calor, filas e condições de saúde podem dificultar a participação eleitoral.
A comunicação das campanhas também é apontada como um aspecto importante. Segundo Lins, os eleitores idosos tendem a valorizar informações claras, contato direto e propostas objetivas.
Aos 94 anos, Maria mantém tradição de votar
Aos 94 anos, Maria Honória, moradora de Planaltina, afirma que continua votando porque considera a participação eleitoral uma forma de exercer a cidadania.
Ela conta que acompanha as propostas dos candidatos principalmente pela televisão, além de assistir a debates e acompanhar as notícias antes de decidir seu voto.
Como o local de votação fica próximo de sua residência, Maria diz que não encontra dificuldades para chegar à seção eleitoral. Para ela, o momento também é uma oportunidade de reencontrar conhecidos e conversar sobre as eleições.
A eleitora defende que os candidatos deem maior atenção às necessidades da população idosa e afirma que continuará participando enquanto tiver condições.
Crescimento do eleitorado idoso
Os números do TSE mostram crescimento expressivo do eleitorado com 60 anos ou mais no Distrito Federal.
Em 2026, são 459.618 eleitores idosos, contra 370.695 em 2022. Em 2018, eram 299.242, enquanto em 2014 o número chegava a 222.135.
Eleitorado idoso no DF:
- 2026: 459.618
- 2022: 370.695
- 2018: 299.242
- 2014: 222.135
O crescimento também ocorre entre os eleitores com idade mais avançada. Em 2026, o DF registra 7.358 eleitores entre 90 e 94 anos, 2.216 entre 95 e 99 anos e 563 com 100 anos ou mais.
Desinformação e segurança
O avanço das redes sociais e dos aplicativos de mensagens trouxe novos desafios para os eleitores idosos. O professor de políticas públicas do Ibmec Brasília e especialista em risco político Eduardo Galvão chama atenção para a necessidade de ampliar a educação digital e o acesso a informações confiáveis.
Segundo ele, parte desse público passou a utilizar com maior frequência redes sociais e aplicativos de mensagens, mas pode enfrentar dificuldades para identificar conteúdos falsos, vídeos manipulados e tentativas de golpe.
Galvão ressalta, porém, que os idosos não são naturalmente mais vulneráveis à desinformação. Para ele, os riscos variam conforme o nível de alfabetização digital, o acesso a informações de qualidade e as condições individuais de cada eleitor.
O especialista defende que partidos e candidatos adotem uma comunicação ética, transparente e respeitosa, sem explorar fragilidades ou recorrer à manipulação emocional.
O advogado eleitoral Juarez Antônio da Silva também destaca que a legislação protege a autonomia dos idosos durante a votação. Familiares, cuidadores ou outras pessoas não podem pressionar ou controlar a escolha política do eleitor.
O acompanhamento até a cabine de votação é permitido apenas quando houver necessidade concreta de auxílio, sem interferência na escolha ou violação do sigilo do voto.
Em caso de irregularidades, denúncias podem ser encaminhadas à Justiça Eleitoral, ao Ministério Público Eleitoral, aos cartórios eleitorais, aos Tribunais Regionais Eleitorais ou pelo aplicativo Pardal.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



