Candidatos não eleitos destacam aprendizados e planos para futuras eleições no DF

Urna eletrônica utilizada para ilustrar reportagem sobre candidatos a deputado distrital que receberam poucos votos e comentam os aprendizados e as dificuldades enfrentadas durante a campanha eleitoral.
Foto: Pacífico/CB; demais imagens com créditos de arquivo pessoal, reprodução das redes sociais ou divulgação, conforme identificação original da reportagem.

TaguaCei — Mesmo com votações abaixo das expectativas, candidatos a deputado distrital que disputaram as eleições no Distrito Federal afirmam que a experiência trouxe aprendizados e reforçou a vontade de continuar na política. Entre as dificuldades enfrentadas estão a falta de recursos financeiros, a pouca estrutura partidária e a necessidade de conciliar a campanha com compromissos profissionais e familiares. Apesar dos obstáculos, alguns candidatos já planejam concorrer novamente. Saiba mais sobre política no Distrito Federal.

Klebes Rezende, candidato pelo Podemos, decidiu entrar na disputa por estar, segundo ele, cansado da política tradicional. Advogado com dez anos de experiência na área criminal, ele afirma que a atuação profissional contribuiu para despertar seu interesse por questões relacionadas à segurança pública e ao sistema prisional.

Para Rezende, a ressocialização de pessoas privadas de liberdade é fundamental para evitar a reincidência criminal. Nas urnas, ele recebeu 508 votos, mas afirmou que o resultado não o desanimou e que pretende disputar uma nova eleição.

O candidato também relatou dificuldades para financiar a campanha e disse que teve pouco contato com os bastidores da política partidária, incluindo o funcionamento do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário. Segundo ele, a falta de recursos impediu a contratação de cabos eleitorais e limitou as ações nas ruas.

Apesar das dificuldades, Rezende avaliou positivamente a experiência. Durante a campanha, percorreu diferentes regiões do Distrito Federal e afirma ter conhecido de perto problemas sociais que, em sua avaliação, nem sempre recebem a atenção necessária do poder público.

Médica recebeu 46 votos e pretende disputar novamente

A médica Dra. Mônica, candidata pelo Democrata, terminou a apuração com 46 votos. Ela relatou que a falta de recursos financeiros e a dificuldade para conciliar a campanha com os plantões médicos limitaram sua presença junto aos eleitores.

Sem acesso ao Fundo Eleitoral e ao horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, a candidata afirmou que precisou organizar a campanha com poucos recursos, utilizando principalmente materiais impressos.

Mônica também enfrentou problemas nas redes sociais, incluindo a invasão de sua conta no Instagram, que prejudicou a divulgação de conteúdos patrocinados.

Ao comentar o resultado, a médica disse ter ficado frustrada com eleitores que manifestaram apoio durante a campanha, mas não confirmaram esse compromisso nas urnas.

Apesar da decepção, ela afirmou que pretende analisar os erros e buscar novas estratégias para uma futura candidatura. Segundo Mônica, a participação na disputa foi emocionante e permitiu apresentar suas propostas para a saúde pública do Distrito Federal.

MC Jenny pretende voltar às urnas em 2030

Depois de duas décadas como funkeira, MC Jenny decidiu ingressar na política pelo Republicanos. Moradora de Samambaia, ela recebeu 539 votos e classificou a candidatura como uma experiência importante para seu crescimento pessoal.

A artista relatou que enfrentou uma rotina exigente durante a campanha. Na época, seu filho mais novo tinha apenas um mês de vida, enquanto o mais velho tinha sete anos. Mesmo assim, ela participou de atividades nas ruas sob diferentes condições climáticas para apresentar suas propostas à população.

Jenny afirmou que pretende concorrer novamente em 2030, com mais experiência e projetos voltados às necessidades dos moradores do Distrito Federal.

Abel Santos vê resultado como incentivo para continuar

Candidato pelo PSol, Abel Santos recebeu 552 votos e avaliou a participação eleitoral como uma oportunidade de amadurecimento pessoal, intelectual e emocional.

Segundo ele, a ideia de disputar uma eleição surgiu em 2024, após refletir sobre as dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora para conquistar e preservar direitos. Santos afirmou que a falta de organização e representação política está entre os principais obstáculos para esse grupo.

O candidato concentrou a campanha no Recanto das Emas, no Riacho Fundo II e nas redes sociais. Mesmo com poucos recursos, procurou conversar diretamente com os eleitores, visitando moradores de porta em porta.

Para Santos, a quantidade de votos conquistada representa um incentivo para continuar o trabalho político e ampliar sua presença junto à população.

Especialista destaca importância da participação política

Para Eduardo Galvão, especialista em relações governamentais e professor de políticas públicas do Ibmec Brasília, a participação da população na política é essencial para o funcionamento da democracia.

Segundo ele, uma candidatura permite defender ideias, dar visibilidade a demandas sociais e abrir espaço para novas lideranças. Mesmo quando o candidato não é eleito, a campanha pode contribuir para ampliar debates e colocar questões importantes na agenda pública.

Galvão também ressaltou que a participação política não se limita às eleições. A população pode contribuir por meio de consultas públicas, conselhos, associações e fóruns de discussão.

Na avaliação do professor, quanto maior o envolvimento da sociedade nas decisões coletivas, maiores são as possibilidades de as políticas públicas refletirem as necessidades e os interesses da população.

Fonte: Correio Braziliense

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