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Donas do jogo: rap feminino balança a cena nacional

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“Eu tenho sangue ruim, eu resolvo sozinha. Tenho a cor do pecado, do pé na cozinha”. Essa é a primeira linha do novo disco Km2 (De Luxo) da Ebony, um dos nomes mais importantes da cena do rap atual. Ano passado, a cantora lançou KM2 e agora decidiu adicionar algumas faixas ao projeto. Na capa, Ebony aparece pintando um quadro, criando a imagem dela mesma como pequena. A primeira frase e a identidade visual do disco, comparando duas versões de Ebony, guiam as novas faixas que carregam muita poesia e maturidade no novo projeto da artista. 

Após o lançamento de KM2 em maio do ano passado, disco em que a cantora aborda as vivências de uma mulher negra periférica da Baixada Fluminense, Ebony percebeu que precisava acrescentar  faixas para que o projeto não fosse tão denso. “Eu gostei de KM2, ele é denso e a obra está lá, mas quando eu vi a forma que reverberou, principalmente nas menininhas pretas, eu achei que elas precisavam de mais esperança, elas precisam de mais humor, de mais curiosidade. Então, eu sinto que deu um uma nova cara completamente”, explica a artista. 

Nas sete novas faixas, Ebony traz poesia nas faixas Sangue ruim, que abre o álbum, Sojourner Truth, em que narra a história da abolicionista e ativista dos direitos das mulheres afro-americanas, e em Dona de casa. Ebony sempre esteve familiarizada com a poesia, mas nunca tinha colocado o formato nos projetos musicais. “Eu fiquei super ansiosa e nervosa, porque nunca tinha feito antes. Poesia me assustava, no mesmo lugar que músicas íntimas me assustavam antes do KM2. Então, isso também me deixou muito curiosa para fazer. Foi um lugar de que são coisas que estão acontecendo, a arte é para atravessar, nem tudo vai ser feliz. Então, que assim seja”, destaca. 

Em Sangue ruim, faixa de abertura, Ebony abre feridas da infância. “Sangue ruim é a forma que muitas pessoas da minha família adotiva já me chamaram, por eu ser negra, por eu ser adotada”, conta. Em seguida, faz uma analogia às falas de que Deus não está morto e escreve “Eu sou Deus e se eu morro, ninguém sente falta”, para falar sobre a posição da mulher negra na sociedade. “Nós fazemos todo o trabalho invisível, o trabalho que ninguém quer pagar e ninguém quer fazer. Nós somos extremamente desejadas sem sermos amadas. E quando a gente morre, ninguém chora”, afirma. 

Atualmente, o Brasil tem maior número de feminicídios nos últimos 10 anos, segundo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e artista reflete sobre isso no disco. “O feminicídio está num ápice e ninguém fica com raiva. Eu estou tentando mexer com a parte das pessoas que muitas das vezes fica dormente. Quero trazer um poema que vai acordar a parte das pessoas que fica dormente às vezes. Esse foi meu objetivo”, explica.  

A capa revela muito das intenções da artista para o projeto. “Quando fiz KM2, eu revisitei um lugar de vítima. E, agora, no De luxo, com 25 anos, eu me sinto num lugar de sobrevivente. Eu acho que é uma mudança de palavra que muda tudo. Quando eu era uma criança indefesa, era uma vítima. Eu, aos 25 anos, ficando rica, viajando o mundo,  sobrevivi”, reflete Ebony. 

Em relação a cena do rap nacional, Ebony acredita que as mulheres estão tomando cada vez mais espaço e mudando a vida daquelas que escutam as artistas. “Para mim, ver mulheres parando de se importar, é uma coisa que vai reverberar em tantas camadas sociais. A gente vai passar a ver meninas de 12 anos que não são mais afetadas pelo bullying que os garotos de 12 anos fazem com ela. A gente vai passar a ver meninas de 15 anos dizendo de volta, meninas aprendendo defesa pessoal, eu sinto que a gente tá emanando essa energia por meio da nossa música. Isso é algo que fica para sempre”, finaliza. 

Luta pela igualdade

Para alcançar o famigerado topo, muitos são os sacrifícios a serem feitos. Quando se é uma mulher no rap, um gênero, majoritariamente, masculino, os desafios são ainda maiores. Numa caminhada que chega a quase uma década, a artista capixaba Budah, 29, vive os frutos das lágrimas plantadas no passado. A colheita, enfim, parece ter chegado. Na semana passada, ela foi confirmada como uma das atrações do Rock in Rio, que será realizado em setembro. 

Sem poder dar muitos detalhes, a cantora garante que a apresentação será um divisor de águas. “Vai ser um show novo, outra fase, outra coisa. Muito pra cima, eletrizante. Vai ser uma experiência incrível”, afirma. E bom, para além dessa notícia tão aguardada, novos projetos iluminam o caminho de Budah. O lançamento da faixa VIP, em parceria com a rapper Duquesa, era um desejo antigo, tanto delas quanto do público. 

O resultado é uma faixa potente que resgata as raízes do R&B, gênero no qual Budah transita com um charme inigualável. “A gente sempre quis, não é? Eu mostrei para ela no estúdio e ela amou a versão, amou o discurso. Deu um match perfeito”, revela a capixaba. A produção, tratada com minúcia pela artista, revela seu amadurecimento musical. “Trabalhei muito nessa música, no quesito de produção musical e também no videoclipe. Sentia muita falta da Duquesa no R&B.”

Natural de Cariacica, no Espírito Santo, Budah olha para sua trajetória com a certeza de quem sempre teve o destino “escrito”, ainda que o trajeto não tenha sido óbvio. Das brincadeiras com o controle da televisão, o usando como microfone, ela chega aos principais palcos brasileiros com a certeza de que pode mais. “Hoje eu vivo o sonho da minha vida. Nunca imaginaria que eu, lá em Cariacica, ia tocar no Rock in Rio. Era muito irreal para mim”, confessa.

Mais do que destino

Apesar do brilho dos holofotes, Budah mantém os pés no chão e o olhar crítico sobre o mercado. A desigualdade de gênero no rap é, para ela, a parte mais desanimadora da indústria. Ela aponta a disparidade em cachês, recursos e, principalmente, na composição das equipes.

“O que mais me frustra é a desigualdade. É uma diferença de valores para as mulheres, diferença de quantidade de equipe, de recurso. Se hoje você acha que a gente está bem, imagina as minas dez anos atrás? A gente não pode deixar a peteca cair”, afirma. A artista defende que a mudança não deve ser cobrada apenas das mulheres, que já fazem sua parte contratando outras profissionais (fotógrafas, DJs, roadies). Para Budah, o questionamento deve ser direcionado aos homens do cenário.

“Eu faço o que eu posso: em todo set tem mulher, no álbum tem produtoras mulheres. O negócio é cobrar os caras. ‘Pô, você não acha nenhuma mulher boa para estar no seu álbum?’. Às vezes a pessoa só está esperando uma oportunidade e isso muda a vida de verdade”, finaliza.

Com informações do Correio Braziliense

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