O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva traça uma reação a três cenários possíveis para o tarifaço de Trump, com defesa do Pix, da soberania nacional e busca pela ampliação da lista de produtos brasileiros isentos.
Segundo o Painel, da Folha de S.Paulo, o Palácio do Planalto considera provável que os Estados Unidos confirmem uma tarifa de 25% sobre parte das exportações do Brasil.
A decisão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve ser comunicada até quarta-feira (15). Enquanto aguarda o anúncio, a equipe brasileira mantém as negociações com Washington e prepara diferentes linhas de resposta, de acordo com a justificativa que vier a ser apresentada pelas autoridades norte-americanas.
O cenário considerado mais provável por integrantes do governo brasileiro é a adoção da tarifa de 25%, acompanhada da acusação de que o Brasil mantém práticas comerciais desleais. Entre os temas citados pelos Estados Unidos durante a investigação aberta com base na Seção 301 estão o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, e a política ambiental do país.
Caso esses argumentos sejam incorporados à decisão final, a orientação no governo Lula é responder de forma firme. A estratégia deverá destacar que o Pix é uma infraestrutura pública destinada a ampliar a concorrência, reduzir custos e facilitar pagamentos, sem representar uma barreira contra empresas estrangeiras.
Na área ambiental, o governo pretende contestar eventuais informações sobre o avanço do desmatamento e apresentar dados oficiais sobre a preservação das florestas e as medidas adotadas para combater crimes ambientais. A avaliação no Executivo é que o tema pode ser utilizado pelo governo Trump como justificativa política para uma medida de natureza comercial.
Negociação busca ampliar lista de exceções
Apesar da expectativa de confirmação do tarifaço, representantes brasileiros ainda apostam na possibilidade de ampliar a relação de mercadorias que ficarão fora da cobrança adicional. Quando anunciou a investigação contra o Brasil, o governo Trump já havia retirado da possível taxação itens como carnes, frutas, café, cereais e sementes.
A ampliação das exceções é considerada uma forma de reduzir o impacto econômico da medida sobre setores relevantes das exportações brasileiras e, ao mesmo tempo, evitar pressões sobre os preços nos próprios Estados Unidos. As conversas entre representantes dos dois países continuaram mesmo após a abertura formal do procedimento comercial.
O governo brasileiro também considera a possibilidade de adiamento da aplicação das tarifas, embora essa hipótese seja vista como menos provável. Nesse caso, Washington justificaria a postergação pela continuidade das negociações diplomáticas e comerciais com Brasília.
Governo prepara discurso contra ingerência externa
O governo Lula pretende concentrar sua resposta na defesa da soberania brasileira. A linha formulada no Planalto deverá apresentar o episódio como uma tentativa de interferência estrangeira no debate político e eleitoral do país.
A resposta também deverá questionar a credibilidade do processo conduzido pelos Estados Unidos. A avaliação entre auxiliares de Lula é que os argumentos técnicos apresentados por Brasília não têm recebido a devida consideração por parte de Washington.
Essa percepção teria sido reforçada após uma audiência pública realizada na semana anterior, quando empresários também apresentaram informações sobre os possíveis efeitos da tarifa para as cadeias produtivas dos dois países. De acordo com integrantes do governo, nem as ponderações oficiais nem os alertas do setor privado parecem ter alterado de forma significativa a posição norte-americana.
Com a decisão próxima, o governo brasileiro tenta combinar negociação comercial e reação política. A prioridade imediata é reduzir o número de produtos atingidos, enquanto as equipes diplomática e econômica organizam os argumentos que serão utilizados caso a tarifa de 25% seja confirmada.
Com informações do portal 247



