Nova tecnologia promete acelerar tratamento do câncer de pulmão

Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Edimburgo pode mudar a forma como pacientes com câncer de pulmão são avaliados para receber tratamentos direcionados. O método utiliza inteligência artificial combinada com uma técnica de imagem capaz de analisar sinais naturais emitidos pelo tecido da biópsia. Com isso, os cientistas conseguiram identificar mutações importantes do câncer sem recorrer aos exames genéticos tradicionais, que costumam ser mais caros, demorados e exigem maior quantidade de material coletado do paciente.

O estudo teve como foco o câncer de pulmão de não pequenas células, responsável pela maior parte dos casos da doença. Em muitos pacientes, o tumor apresenta alterações no gene EGFR, que ajudam os médicos a definir se determinadas terapias-alvo podem trazer melhores resultados. Hoje, essa identificação depende de exames como PCR e sequenciamento genético, que podem levar dias ou semanas para serem concluídos e nem sempre são possíveis quando a biópsia fornece pouco tecido.

A nova estratégia utiliza uma técnica conhecida como microscopia de imagem de tempo de vida de fluorescência, chamada de FLIM. Em vez de aplicar corantes ou realizar análises moleculares complexas, o equipamento registra a fluorescência natural do tecido. Depois, um sistema de inteligência artificial interpreta esses padrões e identifica a presença das mutações. Nos testes realizados pelos pesquisadores, o método apresentou alta precisão, alcançando uma taxa de desempenho considerada excelente e conseguindo diferenciar inclusive os dois tipos mais frequentes de mutações do EGFR, informação importante para definir o tratamento mais adequado.

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que a tecnologia preserva completamente a amostra da biópsia. Como o tecido não precisa ser tratado nem modificado durante o exame, ele permanece disponível para outras análises clínicas caso sejam necessárias. Esse detalhe pode fazer diferença principalmente em pacientes diagnosticados em fases iniciais da doença, quando as amostras obtidas costumam ser pequenas.

Avanço para medicina de precisão

O professor Ahsan Akram, um dos responsáveis pelo estudo, afirmou que a pesquisa representa um avanço importante para a medicina de precisão. “Este é um passo significativo rumo a um futuro em que uma única varredura de fluorescência não destrutiva de uma biópsia poderá informar rapidamente aos médicos se um paciente tem câncer, qual o tipo de câncer e agora, com este trabalho, se é provável que ele responda ao tratamento direcionado, ajudando a garantir que o tratamento certo chegue ao paciente certo mais rapidamente.”

Com a ampliação dos programas de rastreamento do câncer de pulmão em diversos países, cresce também o número de pacientes diagnosticados em fases iniciais. Isso aumenta a pressão sobre os laboratórios para fornecer resultados rápidos e precisos. 

Os pesquisadores ressaltam que a ferramenta ainda precisa passar por novas etapas de validação clínica antes de ser incorporada à rotina dos hospitais. A equipe também trabalha para ampliar o uso da plataforma para outros tipos de câncer e para diferentes alterações genéticas, o que poderá expandir possibilidades da medicina personalizada nos próximos anos.

Com informações do Correio Braziliense

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