Ter amigos depois dos 50 anos melhora a saúde mental? Entenda a importância

Os primeiros vínculos sociais do ser humano surgem ainda na infância e se desenvolvem ao longo do tempo. Após os 50 anos, essas relações costumam ganhar mais significado. É o que mostra um levantamento do Instituto for Healthcare Policy & Innovation, da University of Michigan, realizado ainda em 2024. Segundo o estudo, as amizades nessa fase da vida são essenciais para manter saúde mental e qualidade de vida.

Apesar da importância, manter amizades exige dedicação. Um terço dos adultos entrevistados afirmou que preservar esses vínculos é mais difícil do que na juventude. Para entender como essas relações mudam com o envelhecimento, o Correio conversou com a psicóloga clínica Laynara Paiva, da Clínica Universo Casulo.

Amizades mais profundas e autênticas 

Segundo a especialista, depois dos 50 anos as amizades tendem a se tornar mais profundas e autênticas. “Com a percepção de que o tempo é finito, muitas pessoas passam a valorizar relações menos baseadas em obrigação e mais em reciprocidade”, explica.

Além do aspecto emocional, os vínculos também beneficiam a saúde. Quando há confiança, o organismo deixa o estado constante de alerta, reduz o estresse e favorece o relaxamento e o bem-estar.

Para Laynara, o fortalecimento das amizades está ligado ao autoconhecimento e à maturidade emocional. Nessa fase, as pessoas costumam compreender melhor seus limites, necessidades afetivas e aprendem a estabelecer relações mais saudáveis:  “Há menos necessidade de aprovação e mais facilidade para dizer ‘não’, estabelecer limites e reconhecer quais relações realmente fazem sentido”, afirma.

Qualidade vale mais do que quantidade

Com o envelhecimento, a tendência é selecionar melhor as amizades. Em vez de buscar muitos contatos, cresce o interesse por relações baseadas em confiança, respeito e apoio mútuo. 

A psicóloga cita a Teoria da Seletividade Socioemocional, que conforme a percepção do tempo de vida muda, as pessoas passam a priorizar experiências emocionalmente significativas. “As amizades superficiais perdem espaço para vínculos que oferecem segurança, conversas honestas e acolhimento.”

Amizades protegem a saúde mental

Além de reduzirem sentimentos de solidão, amizades saudáveis ajudam a diminuir sintomas de ansiedade e depressão, melhoram a qualidade de vida e estimulam atividades de lazer, exercícios físicos e o senso de pertencimento. Por outro lado, relações marcadas por críticas constantes, manipulação ou falta de reciprocidade também podem causar sofrimento emocional e desgaste físico.

Momentos como aposentadoria, saída dos filhos de casa ou luto costumam tornar as amizades ainda mais importantes. Segundo Laynara, essas mudanças exigem adaptação e podem provocar sentimentos de tristeza, vazio e solidão.

Nesses momentos, amigos oferecem apoio emocional, ajudam na reconstrução da rotina e reduzem o isolamento. “Ao redor dos 50 anos, muitas pessoas reorganizam prioridades e passam a investir mais naquilo que gera pertencimento e significado.”

Nunca é tarde para criar novos vínculos

Para quem acredita que já passou da idade de fazer amigos, a psicóloga garante que isso é um mito. “O cérebro continua capaz de criar novas conexões ao longo da vida”, afirma. 

Ela recomenda cultivar presença, escuta, manter contato, participar de grupos com interesses em comum e estar aberto a conhecer novas pessoas, sem compará-las às amizades antigas. Quando dificuldades para criar vínculos estão relacionadas a experiências de rejeição ou abandono, a psicoterapia pode ajudar.

Laynara reforça que amizade também é uma forma de cuidar da saúde. “Assim como cuidamos da alimentação, do sono e da atividade física, precisamos cuidar da qualidade dos nossos relacionamentos.”

Ela faz apenas um alerta: nem toda amizade antiga continua sendo saudável. “Às vezes, amadurecer também significa estabelecer limites ou encerrar relações que deixaram de fazer bem. O importante é construir vínculos que favoreçam autenticidade, desenvolvimento e bem-estar.”

Com informações do Correio Braziliense

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