O El Niño está se fortalecendo e tem mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte. A previsão também indica possibilidade de o fenômeno alcançar níveis históricos, segundo atualização divulgada nesta quinta-feira (13/8) pelo Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Entre outubro e dezembro de 2026, há 69% de chance de o fenômeno superar a intensidade dos eventos registrados desde 1950, atingindo 2,5°C ou mais no índice RONI, utilizado para medir a intensidade do El Niño a partir das temperaturas do Oceano Pacífico.
Embora a previsão da NOAA esteja concentrada no outono e inverno do Hemisfério Norte, os meses correspondem à primavera e ao verão no Brasil. A atualização não apresenta uma previsão específica para os impactos no território brasileiro.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, um El Niño mais intenso aumenta a probabilidade de ocorrência de padrões climáticos normalmente associados ao fenômeno no Brasil, mas os efeitos podem variar de acordo com a região.
Calor, seca e risco de queimadas
O fortalecimento do fenômeno pode favorecer temperaturas acima da média em diversas áreas do país. No Sul, a tendência é de aumento das chuvas, enquanto regiões do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste podem enfrentar maior irregularidade nas precipitações e períodos mais prolongados de deficiência hídrica.
A situação exige atenção principalmente no Cerrado, no Brasil Central e no sul e leste da Amazônia. A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade, períodos prolongados sem chuva e redução da umidade do solo e da vegetação pode aumentar o risco de queimadas.
“A maior atenção deve permanecer sobre o sul e leste da Amazônia, o Cerrado e setores do Brasil Central, principalmente entre agosto, setembro e outubro, período que coincide com o auge climatológico da estação seca em grande parte dessas áreas”, afirmou Andrea Ramos.
Entre os estados que devem ser monitorados estão Mato Grosso, Pará, Tocantins, Amazonas e Maranhão, além de áreas de Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul.
O fortalecimento do El Niño também pode influenciar o comportamento das chuvas durante a primavera. Caso o retorno das precipitações seja tardio ou irregular no Centro-Oeste e na Amazônia, o período de maior risco de incêndios poderá se prolongar.
Isso, entretanto, não significa que um El Niño muito forte provocará necessariamente uma temporada recorde de queimadas. A ocorrência e a extensão dos incêndios também dependem de fatores como quantidade de vegetação seca, umidade do solo, período sem chuva, uso do território e ações de prevenção e combate.
Sul pode ter mais chuva
No Sul do país, os efeitos tendem a ser diferentes. A possibilidade de chuvas acima da média durante a primavera e o início do verão pode reduzir a duração dos períodos de vegetação seca, embora não elimine completamente o risco de incêndios localizados.
A NOAA ressalta que os impactos tradicionalmente associados ao El Niño não são garantidos mesmo quando o fenômeno apresenta intensidade elevada. Um evento mais forte aumenta a probabilidade de determinados padrões climáticos, mas outros fatores atmosféricos e oceânicos também influenciam o clima de cada região.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar a distribuição de chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta.
No Brasil, os efeitos não são uniformes. O fenômeno costuma estar associado a maior volume de chuvas no Sul e a temperaturas mais elevadas e maior irregularidade das precipitações em partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A intensidade do El Niño, portanto, é um dos fatores que ajudam a determinar a probabilidade desses padrões, mas não é suficiente, isoladamente, para definir como será o clima em cada região.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



