Leandro Grass coloca redução das filas da saúde entre prioridades e apresenta propostas para o DF

TaguaCei — O candidato do PT ao Governo do Distrito Federal (GDF), Leandro Grass, afirmou que pretende priorizar a redução das filas de consultas, exames e cirurgias caso seja eleito. Durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, o político apresentou propostas para a saúde pública e também abordou temas como educação, segurança, mobilidade urbana, habitação e gestão ambiental. Entre as medidas defendidas estão a realização de mutirões de atendimento, a ampliação da rede de saúde e a criação de escolas em tempo integral.

Grass afirmou que pretende elaborar um plano de enfrentamento para reduzir a espera por procedimentos médicos, com atendimentos durante a noite, na madrugada, aos fins de semana e feriados. Segundo o candidato, a ampliação da capacidade de atendimento será uma das prioridades de um eventual governo.

“O plano de enfrentamento para reduzir as filas de exames, de cirurgias e consultas será nossa prioridade máxima”, declarou.

Outra proposta apresentada pelo petista é destinar metade das emendas parlamentares à saúde. Na avaliação dele, os recursos ajudariam a ampliar a contratação de profissionais e a estrutura de atendimento, incluindo policlínicas e centros especializados.

O candidato também mencionou a necessidade de melhorar o atendimento a pacientes com doenças de pele, problemas hematológicos e pessoas que precisam de diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA).

Grass afirmou que o orçamento do Distrito Federal tem condições de financiar as medidas que pretende implementar. Ele citou um montante próximo de R$ 14 bilhões para sustentar as propostas e defendeu a atuação conjunta com o Ministério da Saúde, além da mobilização das redes pública e privada para acelerar os atendimentos.

Proposta prevê mudanças na gestão da saúde

Entre as medidas anunciadas, Grass defendeu a extinção do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF). O candidato afirmou, porém, que pretende manter os empregos dos mais de 13 mil trabalhadores vinculados à instituição, incorporando esses profissionais à rede pública.

“Tem mais de 13 mil trabalhadores hoje, nós vamos manter todos. Recebi uma mensagem que diziam que eu ia demitir todo mundo, isso é mentira. Eu preciso desses profissionais”, afirmou.

A saúde pública tem sido um dos principais temas do debate eleitoral no Distrito Federal, diante das dificuldades de acesso a consultas, exames e procedimentos especializados. Grass atribuiu à atual gestão a responsabilidade pelos problemas e afirmou que pretende promover mudanças na organização dos serviços.

Educação e segurança pública

Na educação, o candidato prometeu ampliar a oferta de escolas em tempo integral, com atividades de cultura, tecnologia e esporte. Também propôs parcerias com instituições do Sistema S para oferecer cursos de formação profissional e bolsas de estudo.

Grass criticou o desempenho do ensino médio público no DF e classificou a situação como preocupante.

“O ensino médio hoje do DF é o pior ensino médio do Brasil. Isso é uma vergonha”, declarou.

Para a segurança pública, o petista defendeu o reforço do policiamento ostensivo e a ampliação do monitoramento em regiões consideradas vulneráveis. Ele também prometeu medidas mais rigorosas contra agressores, com atenção à aplicação de medidas protetivas.

Ao comentar propostas de redução da maioridade penal e de mudanças nas audiências de custódia para reincidentes, Grass ponderou que essas decisões não competem diretamente ao governador, mas ao Congresso Nacional. O candidato também questionou a eficácia da redução da idade penal como solução para a criminalidade.

Fundo Constitucional e críticas à atual gestão

Durante a sabatina, Grass rebateu críticas direcionadas ao PT e negou que o partido tenha tentado prejudicar o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). Ele citou o crescimento dos valores destinados à capital e defendeu a atuação do governo federal no financiamento de despesas essenciais do DF.

“Quanto que era o Fundo Constitucional no governo Bolsonaro? R$ 16 bilhões. Neste ano, o Fundo chegou a R$ 28 bilhões. Ano que vem pode chegar a R$ 30 bilhões. Ou seja, quem é que apoia o Distrito Federal e quem é que fortalece o Fundo Constitucional? O PT”, afirmou.

O candidato também contestou tentativas de responsabilizar o PT por problemas enfrentados atualmente pelo Distrito Federal, argumentando que o partido não governa a capital desde 2014.

“Não foi o PT que roubou o BRB. Não foi o governo do PT que criou a maior fila de saúde da história do DF. Não foi o PT que colocou o DF no último lugar do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino médio”, declarou.

Tarifa zero e expansão habitacional

Na área de mobilidade urbana, Grass defendeu a ampliação gradual da tarifa zero no transporte público ao longo de quatro anos. A proposta prevê a inclusão progressiva de novas linhas e o atendimento prioritário a estudantes, pessoas de baixa renda e trajetos com grande demanda.

“Ampliação das linhas, dos horários e tarifa zero, gradualmente, até os quatro anos de governo”, afirmou.

O candidato também abordou problemas de drenagem urbana, alagamentos e ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis. Ele defendeu a regularização de terrenos onde isso for possível e o reassentamento de famílias que vivem em locais inadequados para moradia, com a oferta de alternativas habitacionais.

Grass estabeleceu como meta a construção de 40 mil unidades habitacionais em quatro anos. Segundo ele, a iniciativa permitiria oferecer moradia a famílias que precisem deixar áreas que não podem ser regularizadas por razões ambientais.

Na gestão de resíduos sólidos, o petista prometeu ampliar o tratamento do lixo e fortalecer cooperativas de reciclagem, com investimentos em infraestrutura e melhores condições de trabalho. Ele também defendeu a implementação de sistemas de biodigestão para o aproveitamento de resíduos orgânicos.

Grass acusa Meta de interferência eleitoral

Outro assunto abordado durante a entrevista foi o uso de inteligência artificial na campanha eleitoral. Grass acusou a Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, de suposta interferência em sua campanha e na do presidente Lula.

O candidato relatou que, em testes com a Meta AI, a ferramenta teria apresentado dificuldades para produzir imagens relacionadas à sua candidatura, enquanto teria atendido a solicitações envolvendo a adversária Celina Leão. Segundo ele, o episódio levanta questionamentos sobre o tratamento dado aos candidatos pelas ferramentas digitais.

Grass classificou o caso como uma possível manipulação eleitoral e pediu que instituições como o Ministério Público Federal, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral apurem a situação. As alegações foram apresentadas pelo candidato durante a sabatina.

O petista também comentou manifestações realizadas na Esplanada dos Ministérios e destacou a participação de jovens, estudantes e pessoas de diferentes posições políticas. Para ele, a mobilização expressa a insatisfação com problemas nacionais e com a situação do ensino médio no Distrito Federal.

Ao longo da entrevista, Grass apresentou propostas para diferentes áreas da administração pública e voltou a defender mudanças na gestão local. A efetivação das medidas dependeria de sua eleição, da disponibilidade orçamentária e da implementação dos programas anunciados.

Fonte: Correio Braziliense

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