TaguaCei — O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reativação do canal “Exército do Lula”, em uma decisão que representa uma mudança em relação às medidas anteriores envolvendo a página. A determinação foi divulgada em 14 de outubro de 2026, segundo reportagem da CartaCapital, assinada por Gabriel Andrade.
Ao tratar do restabelecimento do canal, o ministro ressaltou que a medida não invalida os argumentos que fundamentaram suas decisões anteriores. Conforme o trecho divulgado pela publicação, Nunes Marques registrou que a reativação “não afasta os fundamentos das decisões anteriores”.
O canal é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e tem sido utilizado para divulgar conteúdos políticos e mobilizar apoiadores de Lula durante a campanha eleitoral de 2026. O caso ganhou repercussão após questionamentos sobre possíveis irregularidades nas publicações e decisões judiciais que determinaram a suspensão temporária do espaço.
A controvérsia já havia provocado manifestações do presidente Lula, que criticou a condução do processo e defendeu tratamento igualitário entre as candidaturas. O assunto foi abordado pelo TaguaCei na reportagem sobre as críticas de Lula à atuação da Justiça Eleitoral e a ampliação dos canais de campanha no WhatsApp.
Canal poderá voltar a publicar mensagens
Na decisão mais recente, Nunes Marques determinou que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, restabeleça imediatamente o funcionamento integral do canal, incluindo a possibilidade de novas publicações e de entrada de seguidores.
A determinação alterou o prazo de 48 horas estabelecido anteriormente para a retomada das atividades. O ministro havia condicionado a reativação ao registro oficial do canal nos sistemas da Justiça Eleitoral. Após o cumprimento dessa exigência pela campanha de Lula, a decisão foi revista para permitir o retorno imediato.
O episódio é mais um capítulo da disputa judicial em torno do canal. Em decisões anteriores, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, também havia determinado medidas relacionadas à suspensão e ao restabelecimento da página. A sequência de decisões provocou divergências sobre a condução do processo no Tribunal Superior Eleitoral.
O TaguaCei já havia acompanhado o caso ao noticiar a reunião de Nunes Marques com representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Apuração de possíveis irregularidades continua
Apesar de autorizar a retomada do canal, Nunes Marques destacou que a decisão não encerra a análise das possíveis irregularidades apontadas no processo. O ministro ressaltou que o restabelecimento não elimina os fundamentos das decisões anteriores nem impede a apuração de eventuais infrações às normas de propaganda eleitoral.
A Meta também foi chamada a prestar esclarecimentos sobre mensagens que teriam sido divulgadas no canal e posteriormente excluídas pelo administrador. A discussão envolve os limites da propaganda política nas plataformas digitais e a aplicação das regras eleitorais durante a campanha.
A disputa ocorre em meio ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026, previsto para 25 de outubro. O caso coloca em evidência o papel da Justiça Eleitoral na fiscalização dos conteúdos publicados por campanhas e apoiadores, assim como a necessidade de garantir que as regras sejam aplicadas de forma equilibrada aos candidatos.
Em outra reportagem, o TaguaCei registrou que Lula questionou decisões da Justiça Eleitoral e anunciou que recorreria ao TSE. A controvérsia também foi abordada na matéria sobre a reação do presidente à suspensão do canal.
Fonte: CartaCapital



