Com 56 animais, o Batalhão de Policiamento com Cães (BPCães) tem uma atuação relevante nas ocorrências na capital do país, como detectar bombas e drogas
Ele explicou que o cronograma de treino e rotina de trabalho são pensados para não ultrapassar um limite saudável do animal. São feitas escalas que consigam suprir as necessidades da corporação. “O treino é feito de forma diária, os cachorros folgam apenas no fim de semana. A partir do momento em que eles começam a participar de missões, há o intervalo de um dia entre um serviço e o próximo”, ressaltou.
Diferentemente do mito difundido, os agentes caninos não são viciados nas substâncias. Eles passam por um intenso treinamento para associar o odor de drogas, pessoas e substâncias explosivas ao reforço positivo, brincadeiras e recompensas durante o treino. “O cão sempre terá a percepção de estar procurando um brinquedo. Não há contato com as drogas em nenhum momento durante os treinamentos. O que fazemos é fechar um pano em um pote com o odor da substância para treinar o animal, por meio de uma brincadeira”, explicou o sargento.
Para garantir a saúde mental e física dos animais, existe todo um protocolo de rotina de trabalho adequada. A capitã Maria Julia explicou que esse cuidado é feito desde o primeiro contato com o canídeo. “Um filhote só entra no canil com o ciclo vacinal completo. A primeira coisa que fazemos é a vermifugação e aplicamos um remédio anticarrapato no bichinho”, afirmou. Ela explicou que a possibilidade de castração dos animais também é avaliada. “O procedimento não influencia no operacional do animal. Existem cães que são separados para a reprodução e os que não são, passam pela castração após completar dois anos”, complementa.
Vínculo
Os cachorros são inseridos no meio militar desde muito novos. Da fase inicial do treinamento até a aposentadoria, um operador é o responsável pelos treinamentos do animal. O soldado Lustosa está na corporação há dois anos, após o período de treinamento para o setor de narcóticos, treina o seu primeiro companheiro canino, o pequeno Malibu, pastor-alemão. “Todo esse processo é muito bacana. É recompensador treinar um cachorro que pode salvar vidas futuramente”, contou.
Lustosa relembrou um caso do batalhão que o marcou bastante. “O que me inspira é pensar na importância desse animal. No caso do homem que tentou explodir o STF, lembro-me que uma equipe foi até a casa do rapaz em Ceilândia para realizar uma investigação. Um cachorro treinado conseguiu identificar uma armadilha com bomba antes da entrada dos policiais. Isso salvou a vida daqueles agentes”.
A soldado Raysa também está com seu primeiro cachorro. Ela enfatizou que seu principal objetivo foi entrar no batalhão. “Assim que terminou meu curso de formação, uma vaga foi disponibilizada para o BPCães. Você cria uma paixão enorme por esses animais”, relatou.
Assumindo a responsabilidade de Venom, um pastor-alemão de seis meses, Raysa disse à reportagem que o cão chamou sua atenção logo na primeira avaliação realizada. “Ele foi o que melhor demonstrou os impulsos que procurávamos. Em toda a ninhada, ele demonstrou ser o mais especial”.
Após um ano e meio de treinamento, o cão está apto ao serviço real. Raysa disse estar ansiosa para a primeira missão com seu “canga” (companheiro). “Estou esperançosa para o desempenho do Venom. Ele responde muito bem aos treinamentos”.
Apesar da preparação, os cachorros ficam também aptos ao convívio com civis. Após cerca de oito anos de serviço, eles podem ser adotados pela população. O processo é realizado após a divulgação da adoção dos animais e qualquer pessoa pode entrar em contato com o batalhão para se cadastrar.
* Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira
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