Os planos para um eventual mandato do ex-governador José Roberto Arruda foram tema, nesta segunda-feira (15/6), do programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, o pré-candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) pelo Partido Social Democrático (PSD) falou que pretende construir hospitais e fazer quatro novas linhas de metrô. Ele disse que, se eleito, vai tomar providências para desfazer o empréstimo para capitalizar o Banco de Brasília (BRB) e tentar reverter a privatização da Companhia Energética de Brasília (CEB). Confira os principais trechos da entrevista:
Por que tentar voltar para a política depois de 16 sem mandato e saindo do jeito que o senhor saiu?
Foram 16 anos calado, apanhando.
O senhor dava muitas entrevistas?
Mas era muito pouco ouvido. Se você não coloca a cara a tapa e não é candidato, você não pode dar a sua versão. Tenho duas razões para querer voltar. A primeira é porque Brasília vive um mau momento. As pessoas que precisam de saúde estão morrendo nas filas dos hospitais, acabaram todas as escolas públicas que eu deixei funcionando, os 300 postos policiais estão destruídos. O último hospital que se construiu em Brasília foi no meu governo. Faz 16 anos que eu saíe não deram conta de fazer mais nenhum hospital. No meu governo, o metrô estava parado na Praça do Relógio, em Taguatinga. Eu levei até Ceilândia. Saí, e não fizeram mais nenhuma linha de metrô. Quero resgatar a Brasília que a gente tinha na época do (Joaquim) Roriz, no meu governo, e construir uma melhor para o futuro. Uma cidade que tenha programas sociais, desenvolvimento e novas linhas de metrô. Quero fazer o hospital do Recanto das Emas, de São Sebastião, do Sol Nascente. Quero fazer a linha de metrô até Águas Lindas. Levar o metrô para Gama, Santa Maria, Valparaíso, até Luziânia (GO). Quero fazer o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Aeroporto. Quero fazer a quarta ponte. Brasília precisa pensar melhor o seu futuro. Não pode ficar só remendando o presente. Há uma segunda razão, que é egoísta. A maneira como eu saí foi muito ruim. Acho que o Zico foi o maior jogador de futebol do Brasil depois do Pelé. Acharia justo fazer um documentário sobre o Zico, mostrando apenas o pênalti que ele perdeu na Copa de 1986? Eu perdi um pênalti, mas quero ser lembrado pelo conjunto da obra. Voltando a ser candidato, posso confrontar tudo o que falaram contra mim. Posso, sobretudo, ajudar a pensar o futuro do Brasil. Eu acumulei experiência nos cargos que ocupei. Não é à toa que 30% da população diz nas pesquisas que eu sou o candidato preferido. Todos os dias, encontro pessoas que se emocionam porque ganharam uma bolsa universitária, ou porque têm uma casa para morar, ou porque a rua do seu bairro foi asfaltada. Acho que essa experiência de fazer um governo com planejamento, onde ninguém assaltou o BRB, onde ninguém vendeu a CEB, é uma razão importante para eu estar no jogo.
Em outras eleições, o senhor começou uma pré-campanha e acabou sendo impedido. Agora veio uma lei que mudou as regras de inelegibilidade e, por isso, o senhor e seus advogados estão considerando que a sua elegibilidade está garantida. Mas esse é um tema controverso. Como isso vai ser tratado no registro da candidatura?
Eu faço campanha. Esse é um problema dos advogados. O que me dá a certeza de poder ser candidato? O Congresso Nacional votou a Lei Complementar 219/2025, sancionada pelo presidente, que diz que os oito ou os 12 anos de inelegibilidade, quando é mais de uma condenação, começam a contar na decisão de segundo grau. No meu caso, foi junho de 2014. Venceu neste mês. Se a lei diz isso, eu estou de acordo com ela. A partir de hoje (ontem), estou elegível pela lei vigente. Agora, entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal. Eu, pessoalmente, acredito que o Supremo, que exige que o Congresso vote leis eleitorais com antecedência de um ano, não vai mudar as regras eleitorais com antecedência de apenas três meses. Mas essa é uma avaliação pessoal.
No plano nacional, como o senhor vai fazer? Há um pedaço do Partido Liberal (PL) querendo lhe apoiar, o que inclui Alberto Fraga e o próprio senador Izalci Lucas, se não for candidato ao governo. O seu partido tem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato. Como vai ser essa convivência?
Tranquila. O candidato do PSD, Caiado, meu amigo pessoal, é um homem muito preparado e que faz um excelente governo em Goiás. Tenho ido lá para entender alguns programas que ele fez e que quero trazer para cá. O Flávio (Bolsonaro) também é uma pessoa politicamente muito preparada. Acho que esse segmento do Brasil tem bons nomes. Alguma coisa me diz que, daqui até as convenções, esse quadro ainda pode ter modificações.
Por quê? Acha que esse caso do Banco Master pode colocar alguns candidatos no “banco”?
Esse caso afeta muito Brasília. Nunca vi algo assim. Antes de o BRB querer comprar o Master, o Master estava comprando o BRB. O Master tem 25% das ações do BRB. A DTVM do BRB foi privatizada, sem ninguém saber, para uma empresa ligada ao Master. Ela tem controle por 20 anos. O BRB seguro foi para o vinagre. Eles foram privatizando os braços do banco sem contar pra ninguém. Como deu errado, inverteu. Não, então a gente compra o Master para ajeitar a operação. O Banco Central não deixou. Essa solução do empréstimo me parece o seguinte: o sujeito está devendo muito, vai em um agiota desesperado e pega o dinheiro de qualquer jeito. Estão pegando R$ 6,6 bilhões que vão custar R$ 15 bilhões. Pior, enquanto você não produzir superavit, você vai estar proibido de contratar concursado, de dar aumento de salário. Isso é um desastre.
Qual seria sua solução?
Vamos nos preparar para isso. Não faço uma solução de tapar o sol com a peneira. O que fizeram foi empurrar com a barriga para passar a eleição. Mas o custo disso é mais caro do que o rombo. O BRB tem 19 agências fora de Brasília. É preciso fechar tudo. O BRB patrocina time de futebol de fora de Brasília, prêmio de Fórmula 1, sala VIP para Granfino, fecha tudo. Diminui custos. Em segundo lugar, é preciso ter uma boa relação com o governo federal. Vamos trazer o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), R$ 15 bilhões por ano que hoje estão no Banco do Brasil, para ser aplicado pelo BRB. Com isso, você gera funding, movimento e o banco se recupera. Seria muito melhor, não apenas para Brasília, mas para Goiás, para Tocantins, para Mato Grosso, ter o Fundo Centro-Oeste aplicado ao BRB. Acho que essa negociação política não se dá, porque o governo de Brasília confundiu diferença ideológica com figura institucional. Errou. O governo de Brasília é hospedeiro dos poderes. Eu fui governador com o Lula presidente e a relação com ele foi absolutamente respeitosa. Penso diferente dele ideologicamente, mas sou hospedeiro dos poderes da República. Tenho obrigação institucional na defesa do povo de Brasília de ter uma relação eficiente com o governo federal. Esse governo não fez isso e, agora, na hora que precisa, não tem diálogo.
Um dos grandes projetos do seu governo era a questão da mobilidade? O que o senhor prevê?
Primeiro, quero construir quatro novas linhas de metrô. Quais são? Sair com o metrô do centro de Ceilândia, passar pelo setor O até o Condomínio Privê, descer por Sol Nascente até Águas Lindas.
Esse projeto contaria com o apoio de Goiás?
Claro. A segunda seria a linha do Gama e Santa Maria, indo até Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental e Luziânia. A terceira linha seria o VLT do Aeroporto passando pela W3 Sul e Norte. Eu sofri com a minha saída, mas a população de Brasília sofreu mais. Deixei esse projeto licitado, assinado, com dinheiro em caixa. Ainda tive o luxo de convencer o ex-presidente da França (Nicolas) Sarkozy vir a Brasília, no dia 7 de setembro de 2009, para assinar o contrato. A obra estava iniciada. Os meus sucessores conseguiram parar o que hoje podia estar pronto. Agora, a quarta linha é a mais ousada. Para essa, eu não tenho ainda um projeto de engenharia pronto. Mas trata-se de construir a quarta ponte, já com trilhos, subir o metrô por ela e lá na frente ter uma bifurcação. À direita, você vai pra Jardim Botânico, Mangueiral, que nós construímos no meu governo, e São Sebastião. E, à esquerda, Itapoã, Paranoá, Sobradinho dos Melos, Sobradinho e Planaltina. Tudo isso custa muito menos do que os R$ 16 bilhões do Banco Master. É questão de prioridade.
O próximo governo vai ter como herança um rombo. Como fazer esses projetos sem dinheiro?
Verdade. Não é só o próximo governo. Com esse contrato que estão querendo assinar, os próximos quatro governos vão sofrer. Se eu for eleito, vou rever esse contrato. Ele não para de pé. Isso é uma excrescência. Não salva o BRB e compromete Brasília. Compromete os servidores públicos. Quero o BRB como banco público, como banco de fomento do desenvolvimento do Centro-Oeste. Tem que trazer o FCO, tem que diminuir esses penduricalhos que criaram no BRB. E mais, temos que rever essas privatizações feitas por baixo da mesa. Ainda que seja na justiça. Vou rever a privatização da CEB.
Com informações do Correio Braziliense
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