TaguaCei — A Polícia Federal (PF) ouviu, nesta quinta-feira (15/10), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no inquérito que investiga as relações entre as duas instituições financeiras. Os depoimentos foram realizados presencialmente, em Brasília, e fazem parte das apurações sobre operações bilionárias, a tentativa de compra do Banco Master e possíveis irregularidades envolvendo a instituição financeira. O caso também envolve questões relacionadas à economia do Distrito Federal.
Paulo Henrique Costa prestou depoimento pela manhã, enquanto Vorcaro foi ouvido no início da tarde, por aproximadamente quatro horas. Os dois estão presos no complexo penitenciário da Papuda: Costa estava na Papudinha, unidade instalada no complexo, e Vorcaro foi ouvido na Papuda. Até a publicação da reportagem original, o conteúdo dos depoimentos não havia sido divulgado.
A investigação apura as relações comerciais entre o Banco Master e o BRB durante 2024 e 2025. Entre os pontos analisados estão o aumento de capital do banco público, a tentativa de aquisição do Master e a compra de carteiras de crédito bilionárias relacionadas à consultoria Tirreno.
O BRB, que tem o Governo do Distrito Federal como acionista majoritário, enfrenta uma das maiores crises de sua história em razão de operações financeiras envolvendo o Banco Master.
Tentativa de compra e operações bilionárias estão sob investigação
Em 2025, o BRB tentou comprar o Banco Master e chegou a realizar operações que envolveram R$ 16,7 bilhões. A aquisição foi barrada pelo Banco Central. Posteriormente, o banco de Brasília identificou problemas em parte das carteiras de crédito adquiridas, incluindo ativos considerados fraudulentos e sem lastro, conforme informações divulgadas na investigação.
A Polícia Federal também apura possíveis irregularidades relacionadas a carteiras de crédito vinculadas à consultoria Tirreno. As operações estão entre os principais pontos investigados no caso.
Outro aspecto das apurações envolve o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB). Segundo informações divulgadas pela PF e noticiadas pelo g1, ele teria tido atuação direta na estratégia financeira do BRB relacionada à tentativa de aquisição do Banco Master.
As investigações buscam esclarecer como as decisões foram tomadas, quais foram os critérios utilizados nas operações e se houve irregularidades na condução dos negócios entre as instituições.
O caso tem repercussão direta no Distrito Federal, uma vez que o BRB é uma instituição financeira pública vinculada ao governo local. A crise também levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle e as decisões de governança do banco.
Defesa de Vorcaro nega irregularidades
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o investigado respondeu de maneira colaborativa às perguntas da Polícia Federal e apresentou esclarecimentos que, segundo os advogados, contribuem para a apuração dos fatos.
Os representantes do ex-banqueiro sustentam que as operações realizadas entre o Banco Master e o BRB foram legais, baseadas em decisões técnicas e colegiadas das duas instituições. A defesa também nega que os negócios tenham provocado prejuízos ao banco público ou a seus clientes.
Sobre as operações envolvendo a consultoria Tirreno, os advogados afirmaram que o negócio com as carteiras de crédito não foi concluído e, portanto, não teria causado prejuízos ao BRB. A defesa também declarou que pretende apresentar contestação na esfera cível e solicitar uma perícia para contestar as suspeitas de fraude.
Os advogados atribuíram a crise enfrentada pelo BRB à repercussão da Operação Compliance Zero, que, segundo eles, teria prejudicado a confiança na instituição financeira.
A defesa pediu ainda o arquivamento do inquérito relacionado às operações entre o Banco Master e o BRB e a revogação da prisão preventiva de Vorcaro. Essas afirmações representam a posição dos advogados e não constituem, por si só, uma conclusão das autoridades responsáveis pela investigação.
A Polícia Federal continua apurando as circunstâncias das operações financeiras e as possíveis responsabilidades dos envolvidos.
Fonte: g1



