Nesta edição comemorativa dos 65 anos da capital do Brasil, o Jornal de Brasília convida a população a redescobrir a capital federal por um viés muitas vezes ofuscado pela grandiosidade da arquitetura de Niemeyer: suas áreas verdes. Planejada para ser símbolo de modernidade, Brasília é também um dos maiores exemplos de integração entre urbanismo e natureza, com parques, reservas ecológicas e uma vegetação nativa que faz pulsar o coração do Cerrado. Em Brasília, basta andar pelas áreas verdes para esbarrar em um verdadeiro pomar urbano. Frutas como mangas, amoras, abacates, jacas, araticuns, cajuzinhos-do-Cerrado, carambolas, graviolas e uvas-do-Pará crescem livremente e podem ser colhidas por quem passa — um presente da natureza, sem custo algum.
Segundo a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), o Distrito Federal abriga cerca de 5,5 milhões de árvores e um plano de arborização que prevê o plantio de 100 mil mudas por ano. Brasília tem ainda a maior área urbana de vegetação no bioma Cerrado, com mais de 6 mil hectares. Esses dados não apenas impressionam, como reforçam o que se vê a olho nu: a capital respira verde. A professora Isabel Belloni Schmidt, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UNB), diz ao jornal de Brasília que o contato frequente com áreas naturais cria uma consciência ecológica essencial nos seres humanos. “Parques urbanos aproximam a sociedade da natureza e contribuem para que as pessoas entendam, na prática, o valor da biodiversidade”, afirma.
A natureza é um abrigo
Para Isabel, o maior símbolo da integração entre natureza e cidade é o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek. Com mais de 420 hectares, é o maior parque urbano da América Latina em área contínua. Suas quadras, pistas de corrida, ciclovias e áreas sombreadas para piqueniques fazem do local um ponto de encontro para famílias, esportistas e amantes da natureza. Embora não tenha o status de unidade de conservação integral, o parque exerce uma função ecológica essencial. “O parque regula o microclima, purifica o ar e abriga diversas espécies da fauna do Cerrado”, explica a professora. Inaugurado em 11 de outubro de 1978, o espaço foi originalmente batizado de Parque Rogério Pithon Farias, em homenagem ao filho do então governador Elmo Serejo Farias. Somente na década de 1990, passou a ser chamado Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, homenageando a esposa do ex-presidente Juscelino Kubitschek, figura central na construção de Brasília. O projeto do parque foi idealizado por uma equipe de arquitetos e paisagistas de renome, como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Glauco Campelo e Burle Marx.
Outro destaque da professora Isabel Belloni é o Parque Ecológico de Águas Claras, inaugurado em 2000 para preservar as nascentes do córrego que dá nome à cidade e proteger o bioma do Cerrado. Com mais de 100 hectares e administrado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o parque oferece pistas de caminhada e ciclismo, trilhas, quadras esportivas, parquinhos e áreas de piquenique. A Lagoa dos Patos, no centro do espaço, é formada pelo córrego local. Árvores frutíferas, mata ciliar e áreas de reflorestamento garantem sombra e tranquilidade aos visitantes, que vão desde quem busca lazer até atletas que treinam para competições.
O Parque Nacional de Brasília conhecido como Água Mineral também tem sua visibilidade. Criado em 1961, com mais de 42 mil hectares, protege mananciais essenciais para o DF e abriga animais como o lobo-guará e a onça-parda. Segundo Isabel, a presença desses predadores “indica que o ecossistema está saudável e equilibrado”. O local também é popular pelas piscinas naturais e trilhas ecológicas.
O Jardim Botânico de Brasília é outro refúgio importante. O espaço mescla lazer e educação ambiental, com jardins temáticos, trilhas e orquidários. Ali também são estudadas espécies nativas do Cerrado, contribuindo para sua preservação. “Cada metro quadrado de Cerrado preservado fortalece o abastecimento de água e a estabilidade do solo”, reforça a professora. Espaços menores, como os parques Olhos d’Água, Vivencial Areal de Taguatinga e Ecológico do Recanto das Emas, também cumprem papel essencial ao oferecer sombra, ar puro e lazer às comunidades. “Mesmo com estrutura mais simples, esses locais ajudam a manter o equilíbrio térmico da cidade e funcionam como refúgio para animais e plantas. Quando a população reconhece o valor das áreas naturais no seu dia a dia, ela passa a ser agente ativa na proteção do meio ambiente”, finaliza. Conforme o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o DF possui 72 parques ecológicos e urbanos, além de 22 unidades de conservação de proteção integral ou de uso sustentável.
O amor nas áreas verdes
Respirar ar puro e amor nas áreas verdes de Brasília é o que faz Rachel de Almeida Teles, uma poeta de 67 anos, enxergar a cidade com olhos de encantamento. Natural do Rio de Janeiro e moradora da capital há sete anos, ela encontrou nos parques um novo capítulo de vida: voltou a estudar na escola Meninos e Meninas do Parque, no Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, e sonha em cursar Letras. “O Brasil precisa conhecer mais isso aqui. Estou há quatro anos frequentando esses espaços e encantada. Voltei a estudar, faço exercícios, me reencontrei”, contou, com os olhos brilhando.
Sentada em um banco com o novo amor, Rachel admira a paisagem ao redor. “É belo respirar o ar verde e curtir um amorzinho. A natureza contribui muito pra isso. A gente observa os pássaros, os vendedores, os outros casais… é tudo muito vivo, cheio de afeto”, diz. Para ela, Brasília se destaca por ter sido pensada com áreas verdes integradas à cidade, algo que outras metrópoles ainda carecem. “Faltam parques planejados no Brasil. Aqui a gente tem esse privilégio de viver dentro do verde e com diversas oportunidades de lazer”, aponta a poeta.
Leonardo Nunes, brasiliense de 49 anos, quiropraxista e proprietário da “Mãos Que Curam”, compartilha desse sentimento. Há anos trabalhando no Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, ele vê na natureza um complemento terapêutico para o cuidado com o corpo e a mente. “Atendemos pessoas que vêm aqui aliviar dores físicas e emocionais. A área verde ajuda na cura. É um trabalho que evita até idas ao hospital”, explica. Leonardo conta que já visitou diversos parques ecológicos da capital e destaca que o Parque da Cidade, esta cada vez mais valorizado e acessível. “O parque está revivendo. Com a volta da piscina com ondas, do pedalinho, tudo tende a crescer. É o maior parque populacional do mundo, e trabalhar aqui é um privilégio.” Seja para respirar fundo, amar, caminhar ou simplesmente viver, Brasília mostra que seu coração verde pulsa forte — e acolhe a todos.
Com informações do Jornal de Brasília
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