Boletim Macrofiscal mantém projeção de crescimento do PIB em 2,3% para 2026

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A estimativa para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), porém, foi elevada de 4,5% para 5,1%. Os dados fazem parte do Boletim Macrofiscal de julho, divulgado nesta quarta-feira (15).

O documento apresenta projeções para a atividade econômica, inflação, resultado fiscal e dívida pública, além de avaliar os impactos de fatores externos, como conflitos internacionais, preços da energia e possíveis efeitos de um El Niño mais intenso.

Cenário internacional

O boletim aponta que o ambiente externo segue marcado por incertezas. Segundo a análise, uma redução temporária dos riscos relacionados ao conflito entre Estados Unidos e Irã chegou a aliviar as preocupações sobre a oferta de petróleo, provocando queda momentânea na cotação do barril Brent.

No entanto, com a retomada das tensões após o fim do cessar-fogo, os preços do petróleo voltaram a subir, aumentando o risco de pressão sobre os custos de energia e de desaceleração da economia mundial.

Nos Estados Unidos, a atividade econômica continua demonstrando resistência, enquanto a inflação permanece acima da meta, levando o Federal Reserve (Fed) a manter uma postura mais cautelosa em relação aos juros.

Na Europa, o cenário indica estabilização gradual, apesar da inflação ainda elevada. Na China, a recuperação da indústria e das exportações contrasta com dificuldades na demanda interna e no setor imobiliário.

Atividade econômica

Para o Brasil, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em 2,3%.

Entre os setores, a previsão para a agropecuária subiu de 1,2% para 1,8%, enquanto a estimativa para a indústria caiu de 2,2% para 2,1%. O setor de serviços permaneceu com projeção de crescimento de 2,4%.

Para o segundo trimestre, a expectativa é de avanço de 0,8% em relação aos três primeiros meses do ano, após crescimento de 1,1% no primeiro trimestre.

A Fazenda avalia que o ritmo mais moderado de expansão está relacionado aos efeitos defasados da política monetária restritiva, mas prevê recuperação no quarto trimestre, especialmente com maior contribuição da indústria de transformação e da construção.

Inflação

A projeção de inflação para 2026 foi revisada para cima, passando de 4,5% para 5,1%.

Segundo o boletim, a alta reflete pressões nos preços dos alimentos, impactos indiretos do conflito no Oriente Médio, repasses de custos do atacado para o consumidor e riscos climáticos associados a um possível El Niño mais intenso.

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também aumentou, passando de 4,6% para 5,3%. Para 2027, a previsão do IPCA subiu de 3,5% para 3,6%.

Projeções fiscais

As expectativas do mercado para o resultado primário de 2026 indicam uma redução do déficit projetado.

Segundo o documento, a mediana das projeções reunidas pelo Prisma Fiscal caiu R$ 0,9 bilhão em relação ao levantamento anterior, chegando a um déficit estimado de R$ 58,1 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB.

A revisão considera uma expectativa de crescimento das receitas líquidas em ritmo superior ao das despesas primárias.

Caso as projeções sejam confirmadas, o resultado considerado para o cumprimento da meta fiscal seria positivo em R$ 6,3 bilhões, levando em conta as deduções previstas no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP).

Gastos tributários

O boletim também destaca mudanças relacionadas à revisão dos gastos tributários, incluindo a criação da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi) e a regulamentação da Lei Complementar nº 224/2025.

A legislação estabelece novos critérios para concessão de benefícios fiscais e determina limite de 2% do PIB para esses gastos.

Perspectivas

O Ministério da Fazenda mantém a expectativa de crescimento de 2,3% da economia brasileira em 2026, mas destaca que o desempenho dependerá da evolução do cenário internacional, da inflação, da política monetária, do mercado de trabalho e das contas públicas.

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