A Secretaria de Saúde do Distrito Federal avalia rescindir o contrato com a empresa terceirizada responsável pelo transporte de pacientes após a morte da bebê Maria Vitória de Sousa, de cinco meses, durante uma transferência hospitalar. As informações foram publicadas originalmente pelo g1 DF.
Segundo o secretário de Saúde, Juracy Lacerda, a decisão dependerá da conclusão das investigações sobre o caso. De acordo com ele, caso seja confirmado que a extubação ocorreu em razão de erro de procedimento durante o transporte, o contrato com a empresa poderá ser encerrado.
Maria Vitória morreu no último dia 6 de julho enquanto era transferida do Hospital Regional de Planaltina para o Hospital da Criança de Brasília. Conforme relato da família e informações registradas no prontuário médico, a criança foi extubada de forma acidental durante o trajeto, o que resultou em seu falecimento.
A Polícia Civil do Distrito Federal instaurou investigação para apurar as circunstâncias da morte. Em nota, a Secretaria de Saúde informou que houve uma intercorrência durante a transferência e que todos os fatos relacionados ao caso estão sendo apurados.
Família questiona atendimento
De acordo com familiares, a bebê deu entrada no Hospital Regional de Planaltina com suspeita de bronquiolite e em estado grave. Após sofrer uma parada cardiorrespiratória, ela foi reanimada, intubada e precisava de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), inexistente na unidade.
Depois da regulação para o Hospital da Criança de Brasília, a família afirma que Maria Vitória estava estável no momento em que deixou o hospital. No entanto, durante o transporte, ocorreu a extubação acidental registrada no prontuário médico.
Segundo familiares, a mãe da criança foi informada, ainda durante o processo de transferência, de que a bebê havia morrido.
Série de casos na saúde pública
O caso integra uma sequência de denúncias envolvendo possíveis falhas no atendimento da rede pública de saúde do Distrito Federal registradas nos últimos dias.
Entre os episódios estão as mortes de duas gestantes no Hospital Regional de Samambaia, o falecimento de um homem em frente ao Hospital de Base, a morte de um paciente na recepção da UPA do Recanto das Emas e a denúncia de uma mulher que perdeu a filha durante o parto e registrou boletim de ocorrência por suposta violência obstétrica.
Diante da repercussão dos casos, a governadora Celina Leão reconheceu recentemente a necessidade de melhorias na rede pública de saúde do Distrito Federal. O Ministério da Saúde informou que acompanha as investigações em conjunto com a Secretaria de Saúde do DF e prestará apoio técnico na apuração.



