A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve como consequência uma unificação dos bolsonaristas, campo que estava abalado desde a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% em produtos brasileiros.
A estratégia agora de aliados será de ampliar a pressão no Supremo no Brasil e nos Estados Unidos, onde o filho do ex-presidente e deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem atuação próxima à Casa Branca.
Uma das principais justificativas para fortalecer o campo novamente em torno do líder foi a proibição de Moraes de que ele falasse com Eduardo, também investigado no caso por atuação que fere a soberania brasileira.
Integrantes das bancadas do PL na Câmara e no Senado se reuniram virtualmente no final da manhã, após a decisão de Moraes. A proposta é intensificar a pressão via Legislativo, insistindo na aprovação de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” e na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que limita decisões monocráticas, segundo o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ).
“Vamos enviar oficialmente um pedido ao Hugo Motta [presidente da Câmara] pelo retorno das atividades parlamentares. Vamos incluir no ofício o pedido [de pautar] a anistia e a PEC. Tenho convicção que, se pautar, aprova rapidamente a PEC”, disse à Folha.
Sóstenes disse ainda que as determinações do magistrado nesta sexta unificam de novo a direita e até mesmo o centrão.
O líder lembrou que há insatisfação do centrão com Moraes também, por ter suspendido a decisão dos parlamentares de derrubar o decreto de Lula (PT) que aumentava o IOF.
Em outra frente, eles se reunirão na próxima segunda-feira para discutir a antecipação da manifestação que estava marcada para 7 de setembro em São Paulo. Bolsonaro está proibido de deixar Brasília, e eles avaliam ainda trazer o ato para a capital federal.
Além disso, os bolsonaristas querem ampliar os atos em apoio ao ex-presidente. A estratégia ainda será desenhada.
Internacionalmente, Eduardo Bolsonaro estava se isolando e sofrendo críticas internas diante da atuação nos Estados Unidos. Mas agora há expectativa de aliados do ex-presidente de que ele trabalhe mais intensamente para a aplicação de sanções contra Moraes.
Proibido de falar com o pai, o deputado licenciado falou no X, antigo Twitter, que vai dobrar a aposta.
À Folha de S.Paulo, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), disse: “Congresso precisa reagir, porque já o fecharam”.
Os deputados e senadores que participaram da reunião soltaram uma nota após o encontro. A nota classificou a ação de Moraes como “grave episódio de perseguição política disfarçada de ação judicial”.
Também pediu atuação do Parlamento.
“Quando decisões individuais violam liberdades fundamentais, silenciam representantes eleitos e interferem diretamente na vida política nacional, o Parlamento deve reagir com firmeza para restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e proteger os direitos do povo”, diz o texto assinado por Sóstenes, Portinho, e pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN), Izalci Lucas (PL-DF) e o deputado Zucco (PL-RS).
O texto pede ainda que “o povo volte às ruas, de forma pacífica e ordeira”. “Nenhuma toga está acima da lei. Nenhum cargo autoriza a perseguição”, afirma.
O ex-presidente não participou da reunião, para evitar que haja algum ruído com as cautelares do STF, que proíbe contato de Bolsonaro com outros investigados.
Com informações do Jornal de Brasília
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